[Fanfic]Ruínas das Trevas - Primeiro Livro

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    [Fanfic]Ruínas das Trevas - Primeiro Livro

    Mensagem  Willen em Dom Abr 03, 2011 11:11 pm

    Enfim, o momento que eu esperava chegou. A história final dos Nelliw começa hoje com grande estilo. Esta fanfic é a continuação dos dois diários, porém com muitas mudanças. Muitos personagens dos membros da Ordem vão aparecer, bem como demais outros personagens amigos meus. Não será uma reunião de amigos, pois tudo é baseado no cenário original, na vivencia como persoangem no ragnarok e em alguns extras como a Ordem das Valquírias, seus membros e outros clãs que foram muito importantes para mim. Espero poder agrada-los com este conto, pois serão sete sequencias e depois disso eu não escreverei mais. Tudo Digno de um Nelliw ^^
    Bem vamos ao conto. Er...algumas imagens e textos só foram colocados provisoriamente...mais tarde as imagens correstas serão postadas ^^




    Ruínas das Trevas - Primeiro Livro

    por Willen Leolatto Carneiro




    Índice

      Prólogo - O Início do Mito
      Capítulo I - Apenas mais uma noite...
      Capítulo II - Escadas para a Insanidade.





    urante anos de existência, houve muitas guerras travadas entre a raça humana e tantas outras ao longo de nossa vida. Porém, mesmo em um período de paz, alguns ainda se esquecem dos terríveis incidentes do passado e pensam que aquilo nunca mais ocorreria. Ledo engano.
    Muitas foram aquelas que chamamos de guerras, as perdas, vidas que esvaiam por entre os dedos de seus familiares e amigos. Sangue, suor e lágrimas escorriam entre os guerreiros mais valorosos e até mesmo daqueles que nunca sequer ergueram uma espada para matar. Mas essa época passou e a humanidade acreditava que jamais iria voltar àqueles tempos. A verdade é que a era da escuridão está mais próxima que nunca.
    Havia uma lenda de que alguns dos monstros mais poderosos que o mundo já conheceu faziam parte de uma organização no caos. Poucos são os que compreendem este assunto, mas aqueles que se familiarizam com essa história sabem que alguns demônios foram considerados tão fortes e capazes de gerar a destruição, que começaram a tratá-los como seres de poder inimaginável, além de serem os monstros cuja importância se reflete à sua força. São chamados de generais, senhores do caos, seres das trevas e para os menos estudiosos, são aqueles que geram o caos e são os líderes das raças sombrias.
    Os estudos começam com o primeiro deles. Ele foi gerado por magia e rituais profanos no meio da guerra entre os humanos de Glast Heim e os elfos de Geffenia. Tamanha foi à energia e o ódio usados para criá-lo que logo se tornou uma arma de destruição imensa. Sua criação fez com que a balança pendesse para o lado dos elfos na guerra, mas conforme suas investidas o demônio passou a ter inveja da imagem dos humanos. Tanta inveja que sua aparência era humana e suas técnicas também se assemelhavam as de um. Graças aos ocultistas, bruxos e sábios, um selo foi feito em uma torre construída acima da cidade élfica, selando o mais invejoso dos generais.
    O selo permanece até hoje, mas muitos já dizem que ele está fraco e mais uma vez o ser que tem aparência humana e alma sombria vai se libertar de seu aprisionamento.

    - Você não se cansa de ler isso, Al? – Dizia o paladino que se aproximava. Era alto, de cabelos bagunçados e olhos azuis. Ele foi até onde havia uma cadeira ocupada por um jovem de cabelos verdes, que se assustou ao notar a presença do loiro.

    - Ah sim. Eu não me canso de ler sobre a história e a mitologia. – O jovem que tinha olhos de um brilho dourado encarava o loiro. Seu semblante sereno e tranquilo trazia uma calma e paz para a conversa.

    - Eu entendo. Mesmo grande você ainda mantém sua mente afiada. – Respondia o loiro. Eles tinham a aparência muito diferente, mas os irmãos eram muito parecidos quanto ao pensamento.

    - Kem, será que o isso vai acontecer mesmo? Quero dizer, você viu os sinais e eu consegui encontrar os vestígios... – O criador tomou um tom mais preocupado.

    - Talvez. Eu ainda consegui pedir ajuda à Ordem para auxiliar nas pesquisas, mas nada concreto ainda. Temos de aguardar mais, Aldora.

    O jovem de cabelos esverdeados fechou seu livro de capa marrom e detalhado e o colocou de volta na prateleira atulhada de outros livros. Levantou-se e foi até a sala ao lado do quarto de leitura onde estavam. Kem ficou olhando o irmão com um olhar apreensivo, pois sabia que coisas ruins estavam por vir. Os Nelliw teriam um papel a representar e um trabalho para terminar, mas o que estava à espera deles era algo muito pior. Uma sombra pairava por cima da casa dos Nelliw em Geffen, mas ela já estava lá muito antes deles terem nascido. Uma nova história seria contada com esses dois...



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    Re: [Fanfic]Ruínas das Trevas - Primeiro Livro

    Mensagem  Willen em Dom Abr 03, 2011 11:14 pm




    dia estava nublado. As nuvens anunciavam a tempestade que viria ao longe. Uma sombra pairava imóvel sobre a torre de Geffen, mas nenhum habitante percebia sua silenciosa agitação em meio à movimentada cidade. As pessoas caminhavam sem notar que dentro da torre um pequeno guincho surdo era emitido por entre suas enormes paredes de concreto, firmados e protegidos por uma magia antiga. Não demorou até que o guincho terminasse e tudo ficava em silêncio novamente. A sombra que pairava imóvel foi desaparecendo aos poucos, e mesmo assim ninguém percebeu aquele evento curioso.

    Em uma corrida rotineira por sempre estar atrasado, um bruxo se dirigia até a escada rapidamente quando notou uma pequena mancha vermelha perto de onde descia para o nível inferior. Ele estranhou aquela mancha e foi averiguar. Quando se aproximou da escada que levava para o andar de baixo e checou a marca vermelha o bruxo perdeu a respiração. Aquela marca era sangue que ainda estava úmida, recém derramada. O estudante queria gritar, mas levou as mãos à boca tentando não fazer barulho. Decidiu que seria melhor investigar. Invocou chamas que o rodeavam e desceu para o andar inferior.

    Depois de mais um andar, as luzes se apagaram e as chamas do jovem bruxo também. Quando acendeu novamente as chamas reveladoras, sentiu seu sangue congelar todo o seu corpo paralisou de medo. Era um andar que separava a torre do pequeno calabouço abaixo, mas algo aconteceu ali e deixou suas marcas. O mesmo sangue que ele havia encontrado no primeiro lance de escadas agora estava espalhado pelas paredes. Quando o jovem estudante percebeu que havia um rastro que subia até os andares superiores e não havia notado, ele sentiu um calafrio maior ao ver a imagem que se posicionava no centro do cômodo. Uma mulher estava deitada para baixo, mas era possível ver sua face de horror. Seu corpo fora trucidado e seu abdômen estava dilacerado. Aquele jovem estudante jamais havia visto algo tão perturbador, ou havia gritado tão alto antes.




    Ruínas das Trevas - Primeiro Livro

    por Willen Leolatto Carneiro



      Capítulo I - Apenas mais uma noite...






    rontera estava atulhada de pessoas como o de costume. Naquela manha, poucos estavam dispostos a ir enfrentar os perigos daquele continente e parecia que não havia mais nenhum herói pronto para a ação. Mas as tavernas ainda eram lotadas desses heróis que outrora lutavam contra dragões, estavam lá para contar suas façanhas e lutar contra a embriaguês que poderia vir rapidamente. Sentados no balcão, dois loiros conversavam alegremente e riam alto batendo os canecos de hidromel ao alto.

    - E viva o lucro! – Disse Kem, o loiro que pousava lentamente sua caneca no balcão enquanto sorria para as dançarinas. O outro jovem também era loiro, mas não tinha os mesmos cabelos revoltos, e sim muito bem ajeitados e cortados. Mesmo os dois sem suas roupas e armaduras de combate pareciam guerreiros pelo modo como estavam se divertindo. Afinal, eram todos valentes homens e formosas mulheres que adentravam naquele bar.

    - Kem! – Falou rapidamente o loiro. Seus olhos eram de um tom verde límpido e sua voz era harmônica. – Para de olhar para elas. Deixa algumas para mim.

    - Você que sabe Eros. – Respondeu animado. – Hoje é diversão.

    Eros estalou os dedos e foi até uma das dançarinas que animavam os homens coreografando em uma área no centro da taverna. Enquanto Eros tentava conversar com algumas delas, um homem entra desesperado pela porta da taverna. Estava nervoso e olhava de um lado para outro, procurando por algo. Kem notou a presença dele, mas não se mexeu para tentar algo. Porém, quando o estranho percebeu o loiro, se dirigiu até o balcão e se sentou ao seu lado.

    - Kem Nelliw? – O homem falou com uma voz rouca.

    - Sim? O único. – Kem parecia divertido com a menção de seu nome.

    - Venho lhe trazer uma mensagem.

    - Se for do irmão da Carine, diga a ele que eu me desculpo por ter quebrado a perna dele. – Kem se virou para encarar o homem. Possuía um ar malicioso para falar. – Mas só se ele pedir desculpas por ter invadido o quarto enquanto eu e ela...

    -Hein? Ta maluco? – O homem interrompeu. – Não sei do que ta falando, mas eu trouxe uma mensagem de Geffen... – O estranho aproximou-se mais do ouvido do loiro. – Eu vim pelo conselho. – Cochichou.

    - Ora! – Kem exclamou ao ouvir. Deu um sorriso como resposta e aproximou-se do ouvido do estranho. – Não estou interessado em trabalho agora não. Suma...

    O homem olhou sem entender o que se passava. Encarou incrédulo para o loiro que ainda sorria para ele. Suas mãos começaram a tremer até que ele saiu correndo porta afora. Ao mesmo tempo em que Kem voltava para a sua bebida, Eros retornava com a mão segurando a bochecha esquerda.

    - O que houve aí Eros? – Perguntou Kem ao ver o amigo.

    - Nada, só tentei conquistar o coração de uma bela dama, e acabei levando um fora. – Eros sentou-se ao lado de Kem e voltou a beber. Estava com a cara pouco inchada e olhava para sua caneca com hidromel até a metade.

    - O que usou dessa vez? – Kem encarava Eros com um sorriso maroto. – Que cantada usou?

    - Eu falei a verdade desta vez. – Eros olhou para o loiro. – Disse que precisava ter uma mulher para que eu pudesse gerar meus descendentes...

    Ao ouvir, Kem começou a rir intensamente. Talvez fosse a bebida ou a força do tapa, mas Eros acompanhou as gargalhadas do amigo. Não era raro acontecer a mesma cena com o mulherengo Eros e depois Kem rir da atitude das garotas ou do seu camarada. Eram dias felizes, embora Kem soubesse que para alguém vir atrás dele a mando do conselho de investigação teria de ser algo extremamente urgente.




    As ruas ainda estavam cheias quando os dois amigos saíram da taverna e chegaram até a grande casa que ficava perto da catedral. Havia uma pequena placa acima da entrada que tinha as siglas “O.V.”. Dentro dela, poucas pessoas estavam reunidas quando Kem e Eros chegaram, e poucas continuaram quando a escuridão era trazida com a noite.

    Dentro da casa chamada de Loja Valk pelos seus membros, Kem sentou-se em uma escrivaninha e começou a ler enquanto Eros sentava-se ao lado de uma mestra de cabelos ruivos no sofá. Também estava na sala o irmão de Kem, o criador Aldora Nelliw, que também lia sentado em uma das cadeiras.

    - Vamos minha querida, me diga. Que tal uma noite bem aproveitada? – Eros tentava a todo custo conversar com a ruiva, que não lhe dava atenção enquanto meditava no sofá. Era um pouco mais alta que Eros e tinha o cabelo ruivo comprido pendendo por cima dos ombros. Bela, de rosto suave e corpo bem esculpido, mas de uma sólida paciência e serenidade perante as inquietas tentativas de ter assunto de Eros. Quando viu que seria inútil, Eros virou o rosto na direção de Kem. – Kem, não adianta, ela não fala nada!

    - Ela é uma muralha física, mental e espiritualmente Eros. – Kem respondeu seu perder a concentração do livro. – Ayanne é bem mais sutil do que você.

    Derrotado, o loiro se deixou cair no sofá com os braços cruzados e com a cara emburrada. Prestou atenção no movimento de todos na sala, mas ninguém se mexia. Kem e Aldora estavam lendo enquanto Ayanne apenas meditava. Eros foi perdendo a paciência.

    - Ah! Kem, sério cara, vocês são chatos demais... – Falou levantando e encarando o loiro. – Não fazem nada. Cade o Louis ou o Leon? Com eles a festa ficaria mais animada...

    - Quieto, imbecil! – A ruiva havia se pronunciado. Sua voz suave soou maligna contra Eros que, imediatamente, sentou e ficou olhando a ruiva. Esperou até que ela voltasse a ficar imóvel e começou a balançar a mão na frente do rosto da mestra, que não se mexeu. Eros então se levantou e foi para frente de Ayanne, onde começou a fazer caretas, esperando uma reação. Nada!


    Estava começando a ficar equilibrado em apenas um dos pés quando a porta bateu fortemente e alguém entrou veloz para a sala. O som alto e o movimento brusco assustaram Eros que soltou um guincho e caiu pesado no chão. Ayanne mal se mexeu quando a pessoa passou por ela rapidamente até onde estavam os sofás centrais. Aldora apenas observava com o livro encobrindo parte do rosto, e Kem havia fechado seu livro e levantado após a repentina entrada.

    Quando Kem se virou, deu de cara com Kemaryus, o professor líder da Ordem das Valquírias. Tinha um cabelo azul claro, igualmente revolto como os de Kem, e o que mais chamava sua atenção eram seus olhos bicolores, azul e vermelho. Sua feição era, como de costume, de uma seriedade solene, embora fosse muito afável com seus amigos.

    - Reitor, como sempre chegando pela madrugada... – Disse Kem, cumprimentando o professor.

    - De fato, algo observado por uma pessoa cujo hábito se iguala ao meu. – Respondeu de forma inteligente. Kemaryus sempre foi muito esperto em suas respostas, e Kem sabia que ele teria a mesma capacidade. Era apenas um modo de inventar argumentos mais compridos para conversar.

    - E o que lhe trás aqui há esta hora? Não devia estar em Juno pesquisando como havia me dito? – Kem perguntou de modo tranquilo. Kemaryus sentou-se em frente à escrivaninha e colocou seu par de óculos de leitura, puxando alguns livros da prateleira para ler.

    - Bem, vim fazer uma consulta nos livros da Ordem e nos registros. Parece que alguma coisa está acontecendo e está gerando pânico por aí.

    - O que seria? – O paladino parecia animado. Eros voltou a se sentar no sofá, ao lado de Ayanne. A escrivaninha era posicionada de costas para o centro da sala, onde havia três sofás de dois lugares cada e algumas cadeiras. O sumo estava apoiado no encosto do sofá, observando os dois líderes conversar. Kemaryus entregou uma carta para Kem, que examinou cuidadosamente.

    - Isso é um pedido de investigação feito por um membro da Academia de Magia de Geffen. Parece que houve um assassinato com requintes de crueldade lá. – Kemaryus falava em um tom tranquilo e estava abrindo e lendo trechos de vários livros. Ele entregou mais um pedaço de papel para Kem, que olhou todos os detalhes. – E essa é uma carta escrita por um conselho formado pela nobreza, clero e cientistas.

    - É o que parece. – Kem suspirou. Lembrou-se do estranho que entrou desesperado na taverna. – A Aliança Tripartite deveria parar de caçar novos membros assim. - O professor parou de mexer nos livros e olhou para o loiro com os óculos apoiados no nariz.

    - Pelo que eu soube, o assassinato ocorreu dentro dos limites da torre. Ou seja, foi uma pessoa.

    - Então por que nos meter nessa? – O paladino dava de ombros. – Não é trabalho nosso...

    - Mas isso está interferindo no equilíbrio. Para o conselho da aliança ter nos pedido ajuda. – Kem sabia que eles viriam primeiro a ele, pois com Aldora os dois eram acostumados a investigar casos mais sombrios e macabros. Como se pudesse ler mentes, o professor concluiu. – E você e seu irmão estão muito bem recomendados para eles sobre essas coisas.

    - Então devemos investigar?

    - Sim. Leve Eros e Ayanne com você. Caso precise de mais gente, é só avisar a ordem. – Kemaryus finalizou voltando a concentração para a escrivaninha, onde mexia novamente com os livros. Kem andou lentamente até onde estavam os três. Ayanne não havia se mexido ainda, enquanto Eros e Aldora levantaram-se e ficaram na frente do paladino.

    - Então, prontos para mais um caso maluco? – Kem falou animado para os dois amigos. Aldora lhe lançou um olhar sério.

    - Acha que isso tem a ver com a agitação de alguns monstros?

    - Não sei Al. – Respondeu inquieto. – Não sei...mas amanha nós vamos para Geffen. E vamos atrás de alguns assassinos. – Ayanne abriu os olhos finalmente enquanto o loiro concluía. – E vamos chutar as bundas deles...



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    Re: [Fanfic]Ruínas das Trevas - Primeiro Livro

    Mensagem  Willen em Dom Abr 03, 2011 11:15 pm




    ão havia muitos viajantes ou turistas em Geffen, pois com o recente assassinato muitos estiveram com medo e receio em aparecer na cidade. Vários cavaleiros de Prontera foram para a cidade auxiliar na proteção e procura ao responsável. Muitos sábios rondavam para dentro e fora da torre central, muitas vezes a passos largos e em constante discussão com outros investigadores. Grupos de sacerdotes e sumo sacerdotes apareciam e desapareciam atrás de vestígios. O responsável pela investigação, um arquimago ruivo de cabelos compridos e cuidadosamente trançados, gesticulava de um lado para outro, ordenando cada membro para investigar.

    Adentrando na torre, ele começou a conversar com vários dos responsáveis pelo local, que lhe apontavam onde havia ocorrido o assassinato e o que foi encontrado. Começou a descer um lance de escadas que chegava até onde o andar ainda estava manchado de sangue por todas as paredes. O corpo ainda estava lá, e muitos guardas estavam protegendo a entrada. O arquimago vociferava com todos ao redor sobre como deviam estar sendo feitos os procedimentos.

    - Vasculhem todo o local e procurem por qualquer rastro vindo daqui. – Dizia o ruivo. Porém, outra voz se sobrepôs a dele, vindo do alto da escada que levava ao ultimo andar de baixo. A voz era do paladino que estava no meio de três outras pessoas, e de braços cruzados e olhar divertido, vinha descendo a escada na frente.

    - Poupe sua voz e deficiência com este caso. – Kem zombava do ruivo. – Deixe isso para quem sabe lidar com esse tipo de coisa.





    Ruínas das Trevas - Primeiro Livro

    por Willen Leolatto Carneiro



      Capítulo II - Escadas para a insanidade.






    epois que Kem, Aldora, Eros e Ayanne haviam descido até o último andar e só restavam eles e o arquimago, o paladino se dirigiu até perto do ruivo.

    - Arquimago Seros, muito prazer. Pode me contar o que houve aqui? – Kem perguntou de forma séria. O ruivo começou a caminhar para perto da parede manchada apontando para as marcas.

    - Bem, a princípio é um ataque violento de monstros. – Ele passava as mãos por cima das manchas, como se pudesse sentir algo vindo delas. – Embora não haja dúvidas de que tenha sido um monstro particularmente poderoso.

    Aldora olhou de canto para Eros. O sumo começou a observar as marcas de sangue que estavam no chão, paredes e parte do teto. O criador andou de um lado para o outro por perto do corpo que ainda jazia no local. Ayanne se mantinha de braços cruzados e apenas observava Kem conversar com o arquimago.

    - Seros, então eu gostaria de investigar isso mais a fundo. – O paladino se dirigiu até o ruivo com tranquilidade.

    - Certamente. Darei vinte minutos para vocês tentarem algo. – O arquimago tinha uma feição envelhecida por postura, mas sua voz soava confiante. Ele era o chefe encarregado das investigações, enquanto Kem era membro de uma ordem oculta que cuidava de assuntos vinculados ao misticismo, além de ser o representante da Ordem das Valquírias naquele momento. Seros ia deixando a sala quando percebeu a figura estática da mestra parada a sua frente. Os dois se entreolharam rapidamente enquanto o arquimago passava ao lado de Ayanne para subir as escadas.

    A mestra descruzou os braços e foi até onde estavam os jovens. Ela olhava séria para o cadáver no chão e depois para as marcas de sangue espalhadas. Kem apoiou um dos braços e com o outro coçava o queixo, observando aquele cenário. Eros passava sua mão por cima das marcas e depois perto do corpo, tentando sentir algo. Aldora se agachou ao lado do corpo e examinava cuidadosamente. Pegou um frasco de sua mochila derramou ao lado do corpo.

    - Kem, não há sinal de que tenha sido usada energia estranha. – Eros falava enquanto continuava a tentar rastrear algo. – Mas sem dúvida foi usada magia. As marcas de sangue estão todas cheias de uma aura vívida.


    - Encontrei algo. – Aldora chamou a atenção deles. Kem e Eros foram até onde o criador estava agachado. Havia muito sangue embaixo do corpo da jovem, mas perto do corpo havia uma mancha mais escura e reluzente que reagia com o líquido que Aldora derramou. Kem virou o corpo da jovem e pode ver a face horrorizada dela, mas também notou que o violento buraco produzido no seu estômago tinha um padrão. O criador entendeu a situação. – Ela tentou se defender. Isso é ferro, que provavelmente foi gasto ao chocar-se com algo.

    - Sem dúvidas. Eros... – O loiro levantou-se e apontou para as marcas de sangue. – Eu vi certo padrão nas manchas espalhadas. Verifica isso pra mim?

    - Okay. – Eros fez um sinal positivo exagerado e foi para onde estava Ayanne, perto da escada que levava a saída. A garota ainda estava observando o local e cruzou os braços quando viu o sumo sacerdote indo na sua direção. Eros se aproximou e ficou ao seu lado. – Ayanne-chan, quando quiser algo é só me falar... - O loiro foi interrompido pela visão da mestra apontando um dedo para ele. Tinha uma esfera na ponta e ela ameaçava atirar.

    - Presta atenção naquilo. – Ayanne apontou para o teto e mirou sua esfera espiritual. O disparo foi rápido, mas quando acertou o teto onde estava manchado, a pequena esfera espiritual desapareceu como se fosse absorvida. Eros prestou mais atenção e então se afastou mais para trás. A visão das marcas parecia ficar tridimensional quando era possível enxergar desde o chão, as paredes até o teto, e aquela forma se parecia com um círculo cheio de pontas soltas para fora, e em seu interior havia um estranho desenho e vários símbolos escorridos.

    - Interessante. – Eros voltou ao lado da mestra. – Parece um selamento. Ou algo que possa quebrá-lo. – O loiro abriu um largo sorriso para a ruiva. – Acho que formamos um bom time não...

    - Não. – Respondeu séria. Eros ficou parado com os braços caídos enquanto a ruiva andava até o paladino. – Ei Kem. Aquele arquimago falou que foi um ataque de monstros, não foi?

    - Sim, ele disse algo assim. – Respondeu o loiro ainda observando para a jovem que morrera ali.

    - Mas de onde vieram os monstros? Pelo que me lembro, esse local é separado do calabouço por uma magia muito forte. – Ao falar isso, Kem ergueu a sobrancelha e prestou atenção na ruiva. – E somente humanos podem atravessar.

    - É claro. Eu havia esquecido esse detalhe. – Respondeu o paladino. Ficou mais animado com a afirmação de Ayanne. Aldora levantou-se e ficou ao lado do irmão.

    - E o taradinho ali disse ter visto a forma de um círculo bem mal desenhado com todo esse sangue e ao atirar uma esfera espiritual, ela foi absorvida.

    - Kem... Vai me deixar aqui sozinho? – Eros gritou para o loiro. O paladino acenou para a ruiva e ambos foram até onde o sumo sacerdote estava. Eros apontou para Kem os pontos das manchas de sangue que formavam o círculo, os vários braços que saiam dele e alguns símbolos desenhados no meio. – Viu? Eu sou bom ou não sou?

    - Sim Eros. – Disse o paladino com um sorriso. Aquele círculo era feito especialmente para rituais, e foi engenhosamente desenhado para que ao entrar no andar ele não fosse percebido, somente quando olhado da entrada para frente. Aldora terminara de colher sangue e jogar em seus vidrinhos e andou agitado até seu irmão.


    - Kem. Esse sangue todo... não acha muito estranho? – O criador de cabelos esverdeados falou baixo para que ninguém além dos três ouvisse.

    - Na verdade acho que isso tudo é um exagero. – Ayanne interrompeu. – Quero dizer, não sei muito do assunto de vocês, mas sei que algo está bem errado aqui.

    - Exato. Eu comparei o sangue encontrado junto ao pó de ferro, o sangue da garota e das manchas da parede. – Al levantou três frasquinhos que continham um líquido vermelho. Ao longe não pareciam, mas mais de perto cada frasco tinha um resíduo de coloração avermelhada que diferia de um frasco para outro. – Glóbulos vermelhos e plasma separado, tendo suas cores alteradas pela alquimia conforme a sua informação. Visivelmente diferentes.

    Os quatro ficaram olhando os frascos, depois o olhar percorreu do corpo da jovem e parou no teto. Kem ficou a frente do grupo observando atentamente, até que ele virou-se de súbito.

    - Nosso tempo está acabando, precisamos sair daqui. – Disse ele movendo-se rapidamente para a saída. Eros não entendeu nada e foi puxado pela mestra, Aldora correu ao lado do irmão.

    - O que houve? O que aconteceu?

    - Os investigadores vão voltar, e creio eu que descobrimos bem mais do que o necessário. – Kem corria mais rápido, passando por cada lance de escadas com mais pressa. O grupo chegou até o primeiro andar e começou uma corrida desesperada para fora da torre. – Acredito que não foram monstros que a mataram, e sim...

    Kem não teve tempo de terminar, pois uma enorme barreira de fogo impediu a passagem deles para sair. O grupo posicionou-se rapidamente para o combate, esperando qualquer movimento suspeito.

    - Droga, esse calor vai estragar o meu cabelo. – Eros tentou argumentar, mas a mestra lhe dera um pequeno cutucão que o fez parar. – Tudo bem, eu paro...

    Atrás dos quatro, um arquimago encapuzado saiu da escuridão com a mão espalmada e apontada para o grupo. Não era possível ver o rosto dele e nem distinguir alguma marca ou símbolo, mas andava lentamente na direção do grupo. Kem ficou a frente erguendo o escudo, mas nenhum movimento suspeito foi feito. As luzes da torre ficaram mais fracas e as escadas foram bloqueadas pelas barreiras de fogo.

    - Acho que estamos encrencados. – Aldora falou para o grupo. Eros fez um muxoxo e encarou o criador.

    - Você acha? Precisa de ajuda não?



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    Re: [Fanfic]Ruínas das Trevas - Primeiro Livro

    Mensagem  Albert H. Johny em Seg Abr 04, 2011 1:15 pm

    Agora que você postou aqui, vai continuar postando! ò.ó

    Willen, sua Fanfic é tão... SANTA FREYA, ELA É FHODA. DD:
    Não tem erros em nada, é perfecta. <______<

    Tô terminando a sua ilustração, ok? Abraços e boa sorte ~

    See Ya ~






    PS: O tipo de narrador na sua fanfic é Onisciente?

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    Re: [Fanfic]Ruínas das Trevas - Primeiro Livro

    Mensagem  Willen em Seg Abr 04, 2011 1:23 pm

    Sim, dessa vez não é diário por que tem muitos outros personagens ^^
    Que bom que gostou. Estou postando na RT, aqui, na NAWS, Nyah e Anime Spirit, tudo atualizado ^^
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    Re: [Fanfic]Ruínas das Trevas - Primeiro Livro

    Mensagem  DaniloMorgan em Seg Abr 04, 2011 1:27 pm

    Como você mesmo sempre diz: Está digna de um Nelliw!

    Muito legal a fic retratada em 3ª Pessoa com um toque de Onisciencia e Presença.

    Eros sendo sarcástico com Aldora no final ficou rox.

    Um dia quero escrever tão bem quanto você.

    Quando sai o Próximo Capítulo


    Última edição por DaniloMorgan em Seg Abr 04, 2011 1:44 pm, editado 1 vez(es)
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    Re: [Fanfic]Ruínas das Trevas - Primeiro Livro

    Mensagem  Willen em Seg Abr 04, 2011 1:37 pm

    Sai hoje ainda ^^

    e é Aldora ^^

    Que bom qure gostou
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    Re: [Fanfic]Ruínas das Trevas - Primeiro Livro

    Mensagem  Willen em Ter Abr 05, 2011 12:25 am




    s chamas ardiam intensamente à frente da porta que levava para fora da torre. As grandes portas de madeira estavam bloqueadas, e os quatro não podiam passar pelas chamas. Eles observavam o arquimago descer as escadas com a mão espalmada e apontada para os guerreiros. Um capuz grosso e negro escondia seu rosto e sua tranquilidade aumentava a tensão de Kem e dos demais. O paladino levantou seu escudo e sacou uma Tsurugi de lâmina azulada preparando-se para o combate enquanto Eros abria um livro grosso e colocava a palma da sua mão em cima.

    - Quem é você? – Kem rugiu para o arquimago. Este não parou e continuou indo na direção deles. Ayanne saiu em disparada na direção dele, erguendo o punho com cinco esferas luminosas a rodeando. O paladino tentou gritar, mas não houve tempo. A mestra mirou um soco poderoso no arquimago, que apenas apontou o dedo para o chão e ela tombou como se seu corpo pesasse toneladas. Eros abriu a boca, espantado, e Kem tentou reagir, mas uma barreira de gelo foi conjurada desta vez a sua frente.

    - Não estou a fim de lutar com vocês. Meu propósito é outro. – A voz do arquimago soava grave dentro do capuz. Ele apontou um dedo na direção de Kem e usou o campo gravitacional para deixar o paladino de joelhos. – Nelliw, você não deveria estar aqui...

    - O que? – O loiro ficou surpreso. Não reconhecia aquele homem e nem tinha ideia de que ele sabia seu nome. O seu corpo estava pesado e dificultando seus movimentos. – O que quer dizer? Quem é você?

    - Sou só alguém que sabe tanto quanto você. – Respondeu o arquimago retirando o capuz. Seus cabelos negros e compridos caíram até a sua cintura e sua face era de uma suavidade madura e inabalável. Os olhos negros mantinham seu semblante sério e olhava com interesse para Kem e para Aldora. – Mas vocês não deveriam estar neste lugar...





    Ruínas das Trevas - Primeiro Livro

    por Willen Leolatto Carneiro



      Capítulo III - As Artes Ocultas







    arquimago olhava para os dois irmãos com sua face séria. Era alto, com longos cabelos negros que chegavam até a cintura, uma face serena, mas que exibia uma inabalável perseverança. Kem ainda estava apoiado nos joelhos e sentido o corpo pesar mais. Aldora estava retirando frascos de dentro de sua mochila e Eros começava a entoar cânticos, mas o arquimago chamou a atenção.

    - Não será necessário. – Ele apontou para os dois, ameaçando-os. – Guardem imediatamente isso.

    - Por que devo acreditar no que fala? – Aldora rugiu. Sacou dois frascos de dentro de sua mochila e o manuseou com apenas uma mão. Iria arremessar no arquimago, mas quando o mesmo apontou um dos dedos, o fez tombar ao chão como Kem. Eros iria terminar sua magia, mas sentiu sua língua enrolar e não podia mais falar. Um homem envolto em mantos negros desceu as escadas até ficar do lado do arquimago, ele havia usado um Lex Divina contra Eros. Ayanne tentava se mover, mas ainda estava presa no campo gravitacional. Por fim o arquimago abaixou a mão e o homem ao seu lado cruzou os braços.

    - Finalmente posso conversar sem ser ameaçado. – Ele olhou sério para Kem e começou a andar em sua direção. – Como pode um ocultista como eu ser tão ingênuo e se mostrar assim tão despreocupado? – Ele ficou próximo do paladino. As chamas que antes estavam bloqueando a saída já se apagaram.

    - O que isso tem a ver comigo. – O loiro falava com dificuldade. – E o que você quer dizer com tudo isso?

    - Perdão. Eu não sabia que não se importava com as pessoas ao seu redor. – O arquimago fez um muxoxo. – Você sabe o que aconteceu aqui não é?

    - Um assassinato. – Respondeu o paladino. – E estamos investigando.

    - Ah, é mesmo? Então me diga, por que confia naquele tal de Seros? Você bem sabe que não foi um assassinato comum. – Aquela afirmação fez Kem parar e refletir. Ele tinha razão, não estava enganado.

    - Então, você sabe também o que houve?

    - Estou aqui para saber, mas ao contrário de vocês eu gosto de agir sem que ninguém saiba. – O arquimago estalou os dedos e os campos gravitacionais cessaram. Kem levantou-se devagar enquanto encarava o arquimago. Aldora e Eros tentaram correr contra ele, mas o paladino acenou para que não avançassem. Ayanne levantou-se e tirou a poeira da sua roupa. – Perdoem meus modos. Mas demasiadas atitudes me deixam irritado.

    - Podemos saber quem é e por que está aqui? – Ayanne falou se aproximando por trás dele. O homem de manto preto veio próximo a eles. Tinha um cavanhaque e cabelos negros curtos. Ainda encarava o grupo quando o arquimago deu um leve suspiro.

    - Meu nome é Dante Tenebrae. Sou o que muitos chamam de ocultista, mas me considero apenas um arquimago com grande conhecimento sobre aquilo que as pessoas não enxergam. – Ele apontou para o homem atrás dele. – E este é o sumo sacerdote Siberio. Ele me acompanha.

    - O que quis dizer que não deveríamos estar aqui? E como sabe meu nome? – Kem perguntou guardando sua Tsurugi e o escudo. Aldora e Eros ainda olhavam com uma cara feia para Dante.

    - Você é um Nelliw, ora. Filho de Raiga, que é filho adotivo de Uriu. – Ao falar de sua família, o loiro ficou pasmado. Ele não entendia como Dante sabia tanto sobre ele. E como se sua mente fosse lida, o arquimago prosseguiu. – Sabemos tudo sobre você, naturalmente, você e seu irmão Aldora. Sua família é um tanto conhecida em nosso meio.

    - Do que está falando? – Aldora rugiu. – Desembucha.

    - Calma Al. – Kem colocou a mão sobre o ombro do criador. Respirou fundo e voltou a encarar o arquimago. – Não estou entendendo, mas continue, por favor.

    O arquimago acenou com a cabeça para Sibero, que foi em direção à escadaria que levava aos andares de baixo da torre. Ele olhou para Kem com uma seriedade forte, ainda que seu olhar demonstrasse certa confiança.

    - Deve ter percebido que a cena horripilante lá em baixo tem certo nexo ao ver de outro ângulo. – Ele começou a caminhar de volta para a escada que levava aos andares superiores. – Resumidamente, aquilo tudo foi planejado. Pensado friamente e com um propósito maior.

    - Tio, da pra explicar melhor? – Eros interrompeu.

    - Se me permite jovenzinho, estou explicando. – Reagiu Dante. – Ao contrário de vocês, nós somos especialistas em artes ocultas e o que foi feito lá em baixo parece ter sido obra de cultistas.

    - Artes Ocultas? Cultistas? – Ayanne se dirigiu até Dante, estalando os dedos. – Está falando dos homens que cultuam Morroc?

    - Não sei. Existem muitos mais cultistas por aí, e muitos buscam algo em outros seres. – Dante aparentava ser pouco mais velho que eles, e sua feição séria o tornava muito mais maduro que o normal. – Por isso estou aqui, para ver do que se trata.

    - Como sabe tanto sobre mim e minha família? – Aldora estava mais calmo, mas ainda falava em um tom ameaçador para Dante. Kem olhou sério para ele, mas não falou nada. O arquimago sorriu.

    - Ora, você não se lembra? – Falou com um tom falsamente espantado.

    - Me lembrar de que? – Aldora rugiu. Kem arregalou os olhos. Sabia do que se tratava e parou na frente do irmão com os braços abertos.

    - Chega. Eu não sei o que sabe a respeito dele, mas não posso deixar que fale sobre mais nada.

    - Está bem, jovem Nelliw. A seu pedido, e ao pedido feito por seu pai. – O loiro levantou a sobrancelha surpreso. Dante olhou para o criador. – Não comentarei sobre o passado e o destino de vocês.

    Aldora, confuso, tentou passar a frente do irmão para chegar até Dante, porém, os passos de Siberio voltando interromperam seus pensamentos e todos prestaram atenção nele. Ele se aproximou de Dande e levou a mão ao ouvido dele, cobrindo sua boca e evitando que o ouvissem ou lessem seus lábios. Quando terminou, o arquimago o encarou com um ar cansado.

    - Ritual de selos... – Ele falou alto. – Isso está se tornando popular.

    - Que ritual é esse? – Kem se aproximou de Dante. Um sorriso surgiu na sua face.

    - É apenas um ritual usado para abrir um selo ou confinamento. Poderoso e perigoso, mas você não tem tanto conhecimento nas artes ocultas quanto eu, então não adianta lhe explicar. – Ele ajeitou sua capa e virou-se de costas para o loiro. – Talvez seja interessante lhe dizer que isso tem a ver com os generais das trevas... É tudo que posso lhe dizer.

    Kem e Aldora se entreolharam. Ele disse algo sobre os generais que tanto liam e pesquisavam. O arquimago começou a andar junto de Siberio para a escadaria passando pela mestra, quando um estouro foi ouvido da porta de entrada. Os pedaços de madeira da porta voaram, assustando os quatro que estavam próximos a ela. Kem e Aldora cobriram a face para evitar se ferirem. Eros pulou no chão cobrindo sua cabeça aos prantos e Ayanne saltou para o lado.

    - Aff! – Exclamou Eros. – Tão me tirando hoje. Odeio sujeira no cabelo...

    - Poupe sua voz, Eros. – Uma voz conhecida ressoou pela torre, chamando a atenção de Dante e fazendo-o para e se virar para olhar quem era. Quando a poeira baixou, ele conseguiu ver as silhuetas entrando na torre. Os quatro que entravam iam andando até Kem e os demais, ajudando-os a se levantarem.


    Um menestrel alto, musculoso e de cabelos levemente espetados com gel parou ao lado do sumo sacerdote e o levantou. Um paladino de cabelos loiros e curtos ajudou o criador e Kem a se levantarem. Um algoz e um arquimago entravam juntos e foram mais a frente do grupo. O arquimago tinha um cabelo acinzentado, comprido e amarrado em um rabo de cavalo, usava um enorme chapéu azul com um desenho de uma abóbora, tinha as unhas e ao redor dos olhos pintados de preto. O algoz usava um chapéu de pintinho e cobria seu rosto com uma máscara dourada decorada com asas. Carregava um par de katares nas costas e tinha vários frascos preenchidos com diferentes líquidos em sua cintura.

    - Ignatyus? Como souberam da gente? – A mestra andou lentamente até perto do arquimago gótico enquanto os demais iam levantando e se posicionando logo atrás.

    - Kemaryus me falou que Nelliw estaria aqui. Avisei Louis, Leon e Link para virem comigo. – Ele encarou Dante. Os dois trocaram olhares por um longo tempo.

    - Eu reconheço você. – Dante exclamou com um sorriso. – Arkadel! Que nome maldito.

    - Ai que chato isso. – Louis ajudou Eros a se livrar da sujeira. – É irritante toda essa confusão. Nem sei por que ainda me chamam para cá.

    - Ah Louis, deixa disso. – Link estava ao lado de Kem. Tinha o cabelo mais curto que o outro. – Nelliw, está tudo okay?

    - Está, eu acho...

    - Depois darei alguns frascos especiais para vocês beberem. – Leon estava de braços cruzados ao lado de Ignatyus, encarando o arquimago ao longe. – Mas acho que devemos prestar atenção nestes dois.

    - Talvez. – O arquimago de cabelos acinzentados estalou os dedos de uma mão. – Mas ele sabe quem eu sou. Estou curioso e também estou interessado em saber o que está se passando. Nelliw! - Falou sem tirar os olhos de Dante. – Depois você me explica tudo, entendido?

    - Quanto barulho por minha causa. – Dante cruzava os braços, ainda encarando Ignatyus. – Acho que temos uma situação engraçada aqui.

    Enquanto os irmãos Nelliw refletiam nas palavras de Dante, Louis e Eros se ajeitavam e os demais se preparavam para tudo. Mas as chamas saiam dos olhos de Ignatyus e Dante, que por nenhum momento desviaram o olhar.








    Última edição por Willen em Ter Abr 05, 2011 11:00 am, editado 1 vez(es)
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    Re: [Fanfic]Ruínas das Trevas - Primeiro Livro

    Mensagem  -Rockstar- em Ter Abr 05, 2011 5:52 am

    Ai mais um capítulo postado!

    Está ótimo como de costume, bem detalhado, os personagens estudados nos minimos detalhes, poste logo o próximo viu!

    Vamos ver o que o Ignis vai fazer hehehehee


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    Re: [Fanfic]Ruínas das Trevas - Primeiro Livro

    Mensagem  Willen em Ter Abr 05, 2011 11:00 am

    Adicionado novas imagens ^^ Apreciem sem moderação
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    Re: [Fanfic]Ruínas das Trevas - Primeiro Livro

    Mensagem  Ikke em Ter Abr 05, 2011 12:58 pm

    Realmente uma Fic muito interessante, consegue prender o leitor, e deixá-lo curioso..

    Muito bom o enredo, gostei muito da descrição da "luta" do arquimago Dante com os 4...Bem detalhado mexendo com nossa imaginação...

    Vc é escritor ou algo parecido?

    Espero os próximos capítulos

    Abração
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    Re: [Fanfic]Ruínas das Trevas - Primeiro Livro

    Mensagem  Willen em Ter Abr 05, 2011 1:17 pm

    Escritor? Eu?
    Bem, não...mas gosto de escrever ^^
    Que bom que gostou
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    Re: [Fanfic]Ruínas das Trevas - Primeiro Livro

    Mensagem  Ikke em Ter Abr 05, 2011 1:20 pm

    Tô curioso que classe você é no Ragnarok??

    Suas Signs mudam toda hora e estou em dúvida..

    Outra coisa essa Fic é baseada na sua história do Rag, então qual dos personagens seria vc?

    Abração
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    Re: [Fanfic]Ruínas das Trevas - Primeiro Livro

    Mensagem  Willen em Ter Abr 05, 2011 1:33 pm

    Eu tenho meu RG chamado Kem Nelliw , 102/13
    Tenho um pré criador chamado Aldora D. Nelliw
    um pré sumo chamado Eros Ennin
    e um kina chamado Kal Gaebolg 90/50 ^^


    as fics são baseadas sim ^^
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    Re: [Fanfic]Ruínas das Trevas - Primeiro Livro

    Mensagem  Willen em Sab Abr 09, 2011 3:05 pm




    Uma aura negativa pairava em cima dos jovens naquela torre. Ignatyus estava encarando Dante e não se deixava perder o olhar. Kem e Link ajudaram Aldora a ficar de pé enquanto Ayanne, Louis, Eros e Leon se juntavam atrás do arquimago para se prepararem. Perto da escadaria, Dante e Siberio esperavam algum movimento do grupo. O local começou a ficar mais escuro que o normal, e uma névoa espessa cobria o chão impedindo o grupo de ver onde pisavam. Ignatyus desviou o olhar por um segundo, percebendo algo no meio das sombras e com velocidade, Dante atacou.

    - Arkadel! Você é um ser demoníaco! – O arquimago esticou o braço e somente foi visto uma manifestação do ar em sua palma. Ignatyus desviou assim que percebeu e começou a correr para o lado da parede. – Você é paradoxal, Arkadel. Sua existência não vai ser redimida por que você se arrependeu.

    O arquimago começou a correr mais perto da parede enquanto vários ataques invisíveis tentavam atingi-lo, saindo da mão de Dante. Ele criou uma chama que o rodeava constantemente enquanto corria, e então Dante percebeu seu plano. Ignatyus havia ativado a chama reveladora para encontrar outro arquimago que se escondia nas sombras. Aquele homem estava vestido em trajes negros e tinha cabelos longos e azulados, e sua face mostrava pânico ao ter sido encontrado por Ignatyus.

    - Bem que eu estranhei os campos gravitacionais usados e ele poder andar. – Aldora comentou ao ver o homem que estava escondido. O arquimago começou a proferir algumas palavras, mas Eros fora mais rápido e estalou os dedos, fazendo com que a língua dele travasse.

    - Fica quietinho aí titio. Hoje você não fala. – Eros falava com convicção, recebendo um tapinha nas costas de Louis. Ignatyus sorriu e olhou para Dante. Ambos estavam animados, e mesmo que tivesse sido descoberto seu auxilio, Dante ainda se mostrava maravilhado e sorria para o arquimago.

    - Hmm, parece que terei de usar os meus próprios truques. – Ele falou retirando um pequeno cajado de madeira de dentro de seu manto. Ignatyus sacou um cajado magnífico, com uma caveira na ponta. Os dois se encararam novamente. – Arkadel, não vou mentir. Você pode ter sido desprezível, mas é um homem de real valor.

    - Então, conceda-me uma dança. – O arquimago se preparou.





    [size=200]Ruínas das Trevas - Primeiro Livro[/size]

    por Willen Leolatto Carneiro



      [size=150]Capítulo IV - Ordem das Sombras[/size]







    A situação estava um tanto confusa para muitos ali. Uma vez que antes Dante havia até simpatizado com o grupo de Kem, o arquimago de cabelos acinzentados Ignatyus Arkadel invade a cena com outro grupo. Junto dele veio um algoz de cabelos curtos e negros, com um estranho chapéu de pintinho que pulava em sua cabeça e em sua cintura haviam vários vidrinhos cheio de líquidos estranhos. O algoz era Leon G. Windstorm.

    Mais atrás vinha um menestrel alto, com grandes músculos e um topete em sua cabeça cuidadosamente lavada. Seu nome era Louis Golden, e já estava a postos junto de Eros. E ajudando Kem e Aldora, um paladino de cabelos loiros e com franja adentrava com sua armadura reluzente. Este era Link Herói.

    Esse foi o pensamento de Dante quando havia retirado seu pequeno cajado de madeira de dentro de seu manto e encarava Ignatyus. Ele havia encontrado outro arquimago escondido nas sombras e estava com as mãos na garganta, pois Eros havia selado sua fala por algum tempo. Siberio, o sumo sacerdote que acompanhava Dante, observava com uma cara carrancuda para os jovens mais a frente.

    - Vamos iniciar esta valsa. – Dante abriu os braços. A torre adquiriu um clima fantasmagórico com a névoa no chão e a claridade diminuída. Mas no mesmo instante uma bola de fogo se acendeu nas mãos de Arkadel. Ele arremessou rapidamente na direção do arquimago, que conjurou uma barreira de gelo a frente. O impacto fez as barreiras derreterem rapidamente, então Dante percebeu que Ignatyus vinha rapidamente até ele. Com maestria, fez uma barreira de fogo aparecer em sua frente, mas a barreira fora conjurada de forma a bater verticalmente no arquimago.

    Ignatyus parou no ultimo instante e desviou. Sentiu algo grudar em sua perna quando mudou a direção, então notou que estava em cima de um pântano dos mortos que ficou escondido pela névoa. Sem perder a calma começou a travessia, enquanto Dante vinha correndo em sua direção. Quando o arquimago chegou mais próximo parou abruptamente. Ignatyus lançou duas gemas ao chão e o pântano fora neutralizado pelo Ganbantein.

    Os demais ficaram admirados com a luta entre os arquimagos, e mesmo com Siberio parado e o terceiro arquimago silenciado, eles estavam se preparando para lutar a qualquer hora. Louis ficou olhando a luta, mas coçou a nuca e bufou.

    - Mas o que será que tão fazendo? – Falou irritado. – Essas magias são fracas, por que não usam algo destruidor logo?

    - Por que eles conhecem cada magia que o outro usa. – Leon, que observava a luta com os braços cruzados respondeu. Tinha uma aparência sombria, ainda que seu tom fosse tranquilo. – Eles estão em uma luta de inteligência, e cada um está superando a inteligência um do outro.

    - Mas quem ta ganhando? – Eros perguntou ansioso

    - Vamos ver quem vai decidir parar primeiro.

    O grupo olhava para os dois arquimagos. Dante sorriu para Ignatyus, que permaneceu sereno. O Ganbantein havia neutralizado o pântano dos mortos que Dante havia preparado. Ambos estavam próximos e estavam sem truques escondidos. Siberio estava com os braços cruzados, impaciente, assistindo a resolução da luta, enquanto o pobre arquimago começava a querer falar e era novamente silenciado por Eros.


    Ignatyus ergueu seu cajado rapidamente e várias luzes o envolveram. Formas fantasmagóricas saiam do seu cajado e o rodeavam. Dante sorriu e apenas se preparou.

    - Espíritos Anciões... - As luzes começaram a rodear em alta velocidade ao redor do arquimago e logo depois elas foram arremessadas rapidamente. Quando atingiram Dante, Ignatyus refez o movimento e mais espíritos foram disparados. Eles pareciam acertar em cheio o arquimago, mas ele apenas pareceu levar os golpes. Havia arqueado seu corpo e fez parecer que a magia tinha surtido efeito, mas então voltou à postura enquanto os espíritos o rodeavam. – Uma vestimenta com essência sagrada. – Percebeu Ignatyus.

    - Que bom que percebeu. – Dante falou alegremente. Tomou uma posição de batalha com seu cajado, e os espíritos que o rodeavam desapareceram. Esticou sua mão direita e vários projéteis luminosos saíram da palma. – Vulcão Napalm!

    Os projéteis passaram de raspão pelo lado do arquimago. Ele observava calmamente aquela magia bruta passar por ele enquanto o grupo se protegia dos projeteis que outrora passavam por perto. Eros e Louis se atiraram no chão com as mãos cobrindo a cabeça. Link e Kem formaram uma barreira para proteger Ayanne e Leon. Siberio estava com as mãos no bolso e já se preparava para partir. A névoa estava desaparecendo e a iluminação voltando. Quando Ignatyus percebeu, a torre estava tomada por homens vestidos em preto e com capuzes cobrindo seus rostos. Eram tantos e em tantos lugares que ninguém sabia como eles haviam entrado.

    Louis soltou um grito e abraçou Eros, que reclamava do forte aperto dando ataques de bíblia sem efeito na cabeça do menestrel. Ayanne obsevava com certo pânico no rosto enquanto Leon soltava um suspiro cansado. Kem e Link eram os únicos que haviam sacado armas e os escudos para lutar, mas Ignatyus fez um movimento para que baixassem as armas.

    - Essa luta acabou. Eles não vão lutar... Não é, Dante? – Os arquimagos se encararam. Dante esboçava um pequeno sorriso divertido, enquanto Arkadel tinha apenas a feição séria em seu rosto. Os vários homens vestidos em preto se aproximaram de Dante e um deles começou a cochichar em seu ouvido. O arquimago assentiu e guardou seu cajado.

    - Enfim, nossa breve luta foi boa. – Enquanto falava muitos dos homens armados com espadas, lanças, cajados e arcos, andavam na direção das paredes e começaram a sumir por entre as sombras. Outros simplesmente tornavam-se grandes turbilhões de sombras e saiam pelo enorme portal rapidamente, passando ao lado dos jovens. – Arkadel, você realmente está do lado certo agora, pois não ousou usar nenhuma magia que eu não conhecesse.

    - Digo o mesmo de você. – Respondeu paciente.

    Dante olhou para Aldora e Kem enquanto seus pés iam afundando em uma sombra junto ao sumo sacerdote que lhe acompanhava. Os dois irmãos o encararam com firmeza, mas a face serena e divertida de Dante os deixou mais tranquilos.

    - Não se esqueçam de que vocês dois tem grandes destinos pela frente. – Quando seu corpo já estava engolido pelas sombras, a sua voz ecoou por todo o local. – A Ordem das Sombras já tem cadeiras com seus nomes entalhados. É só uma questão de tempo que um ou outro venha até nós.





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    Re: [Fanfic]Ruínas das Trevas - Primeiro Livro

    Mensagem  Willen em Sab Abr 16, 2011 1:53 am




    Pouco a pouco, aquelas sombras, que antes eram homens, iam sumindo e a luz ia voltando a inundar o interior da grande torre. Dante já havia se misturado em meio aos vultos e tinha partido enquanto Ignatyus os encarava. Louis estava com a boca aberta enquanto apertava o pulso de Eros, que fazia o possível para se desvencilhar, sem sucesso. Leon bocejou e deu as costas para o grupo indo na direção da saída e Ayanne saiu em disparada para as escadarias que levavam aos andares inferiores. Kem e Aldora se entreolhavam, perplexos, e somente quando Ayanne voltou correndo pela escadaria eles passaram a ouvir o grupo.

    - O que aconteceu Ayanne? – Link, o outro paladino, perguntou à ruiva que se aproximava.

    - As marcas, elas sumiram. – Disse em um tom sombrio. – Não há mais nada lá em baixo. Nada!

    O grupo ficou olhando para ela, confusos com a situação. Kem iria exclamar algo, mas foi interrompido pelo som de passos que viam da escada do andar superior. O arquimago ruivo que estava com eles no andar macabro estava descendo acompanhado por um bruxo. Os dois estavam conversando com entusiasmo.

    - Investigador... – Kem correu até perto dele. O arquimago parou e sorriu para o paladino.

    - Ora, diga meu jovem. O que houve?

    - Você não sabe de nada? – O loiro perguntava, duvidando de suas próprias palavras. – O que aconteceu com o corpo no último andar da torre?

    - Corpo? – O arquimago parecia perplexo. – Não há corpo algum lá em baixo. Se houvesse acho que eu saberia...

    - Queira nos desculpar, investigador. – Ignatyus se aproximou do paladino. Sério, ele encarou o ruivo. – Peço desculpas. Somos viajantes e estamos cansados. – O argumento de Ignatyus pareceu convencer o ruivo, que apenas sorriu e continuou a caminhar. Kem iria falar, mas o movimento da mão de Arkadel sinalizou para não o fazer. – Vamos voltar para Prontera. Lá, quero saber todos os detalhes.





    Ruínas das Trevas - Primeiro Livro

    por Willen Leolatto Carneiro



      Capítulo V - Suposições...






    A noite já estava caindo quando Ignatyus reuniu um grupo dentro da casa da Ordem das Valquírias. Kem, Ayanne, Eros, Aldora e Louis estavam lá com ele. Leon teve que sair em outra missão dada por Kemaryus, enquanto Link resolveu deixar esse assunto para o grupo de Kem.

    Ignatyus havia se sentado em uma cadeira confortável, cruzando as pernas e postando suas mãos juntas, encarando os cinco.

    - Então, houve um assassinato. – Falou o arquimago. Kem havia contado tudo para ele tempos atrás.

    - Sim, e ao que parece era um sacrifício, não um assassinato qualquer. – Completou Aldora. Ayanne estava novamente em seu estado de meditação enquanto Aldora e Kem conversavam com Ignatyus. Eros olhava para a janela escorando seu braço no parapeito. Louis levantou-se e deixou a loja, resmungando algo do tipo “vocês e suas maluquices ainda vão me matar”. Ignatyus fitou o chão por alguns instantes.

    - O que mais me intriga é aquele homem. – Por fim falou, sem tirar o olhar do chão.

    - Fala do Dante? – O loiro levantou a cabeça. – Ele me parece um pouco estranho, mas acho que não é ele quem está por trás disso.

    - Não é essa a questão. – Arkadel encarou o paladino seriamente. – Veja bem, ele disse conhecer vocês e sabia ao meu respeito. – O arquimago colocou um dos braços apoiados na cadeira e com o outro coçava seu queixo. – Ele está envolvido sim. Pode não ser o autor desse acontecimento, mas tem algo que o encaixa nessa cena.

    Kem e Aldora se olharam, não estavam entendendo tudo o que viveram naquela tarde. O assassinato, o sangue espalhado em forma de círculo, a aparição da Ordem das Trevas e de Dante. Foi tão rápido que a noção do tempo se perdeu para eles. Aldora, porém, voltou a encarar o arquimago.

    - O que devemos fazer agora Ignatyus?- O jovem encarava Arkadel com seus olhos dourados. Kem passou a observar a grande estante cheia de livros e então levantou indo na direção deles. – Certamente não sabemos nada sobre essa ordem deles.

    - Talvez saibamos. Talvez não. – O arquimago gesticulou com a mão, girando seu pulso. – Mas o fato é que eles sabem muita coisa que não sabemos.

    - Então devemos saber mais que eles. – Kem interrompeu a conversa. Ele estava lendo um dos livros que estavam na estante da loja. Folhou alguns e parecia ter encontrado algo. – Venham até aqui. - Aldora e Ignatyus se aproximaram do paladino. Ele pegou alguns livros e foi empilhando na mesa. Ele apontou para uma página. – Aqui diz que a torre lá de Geffen tem um selamento de duas partes no seu andar.

    - Todos sabem disso. – O arquimago interveio.

    - Sim, mas até então só se sabe que foi feito isso para aprisionar Doppelganger. – Kem fechou o livro e pegou o segundo da pilha.

    - Ta, mas aonde quer chegar? – Aldora estava confuso.

    - Neste outro diz que o selo foi feito durante a guerra entre a antiga capital de Prontera e Geffenia. – Fechou o segundo livro e abriu o terceiro. – E este fala que existiam homens que aprendiam a arte da magia negra em Glast Heim, e com esse conhecimento eles puderam tanto invocar quanto selar seres das trevas.

    Kem fechou o livro e o guardou. Sobrou apenas um pequeno livro surrado de capa preta de couro em cima da mesa. Ignatyus começou a entender como tudo estava ocorrendo e ficou surpreso, mesmo sem demonstrar com expressões. Aldora continuou a observar o paladino, mas ficou perplexo quanto ao último livro.

    - E esse aí? O que diz nele? – Apontou para o livro velho. Kem o pegou e folheou até achar a página que queria.

    - Esse é o diário da família Nelliw. – Falou depois de suspirar. – E aqui diz que Doppelganger é um dos seres que a nossa família deve manter selado. Menciona aqui... – O loiro aponta para uma página no meio do diário. - ... Que existia um clã que conhecia muito sobre magia negra.

    - Então, Nelliw, acha que a Ordem das Sombras... – Ignatyus começou a falar e recebeu um aceno positivo de Kem.

    - Sim! – Ele ficou sério, encarando os dois. Ayanne sentiu uma vibração no ar e piscou rapidamente. Eros que olhava perdido em seus pensamentos pela janela a vista de fora, prestou atenção ao que os três falavam. – Acredito que alguém está tentando desfazer o selo de Doppelganger e a Ordem das Sombras está envolvida de alguma maneira.


    Kem mal acabara de falar e Ignatyus estava voltando a sua poltrona. Pegou seu casaco, sua capa e seu cajado, colocou seu grande chapéu pontudo e foi em direção à porta. A mestra simplesmente saiu do seu estado de meditação e começou a seguir o arquimago. Kem e Aldora se entreolharam.

    - O que está fazendo? – O loiro perguntou ao arquimago.

    - Ora, vamos atrás de informações, e só há um lugar para isso. – Arkadel continuava sério, mas exalava um ar confiante, de uma energia contagiante e amistosa. – Vocês não vêm comigo?

    - Er... Mas é claro! – Aldora e Kem falaram em uníssono. Recolheram alguns materiais dentro das mochilas, guardaram as armas, colocaram suas vestimentas de combate, pegaram alguns livros e correram na direção da porta.

    - Ei... Ei... Ei... Esperem por mim... – Eros deixou rapidamente a janela para se arrumar e alcançar o grupo que já estava indo em direção da saída norte. Quando ele se aproximou, Ignatyus já estava falando com a Kafra da saída norte. Ele olhou para o grupo.

    - Vejo vocês em Izlude. De lá pegaremos o aeroplano. – E com um pilar de luz o envolvendo, ele desapareceu no meio da multidão. Kem, Aldora, Ayanne e Eros pagaram para a Kafra a taxa de teleporte para Izlude e também desapareceram de Prontera, indo então para a sua cidade satélite. Encontraram o arquimago descendo a praça e passando por uma ponte. Seguiram ele até onde estava o majestoso aeroplano. Subiram a bordo do enorme dirigível e ficaram observando ele alçar voo, indo cada vez mais alto. Kem se aproximou de Arkadel.

    - Para onde estamos indo?

    - Para Juno, é claro! – Disse ele confiante. – Lá acredito que encontremos alguma luz.



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    Re: [Fanfic]Ruínas das Trevas - Primeiro Livro

    Mensagem  -Rockstar- em Sab Abr 16, 2011 1:55 pm

    Ordem das Sombras, Selos, Doppelganger, Nelliw... O que está faltando é um capítulo.

    Espero continuação! Como sempre está muito bom, mas o capítulo que eu mais gostei foi o Escadas para a insanidade.
    Talvez por gosto pessoal mesmo. Quando sair o próximo me avise.

    Abraços, Rockstar.


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    Re: [Fanfic]Ruínas das Trevas - Primeiro Livro

    Mensagem  Willen em Seg Abr 25, 2011 3:49 pm




    O aeroplano voava veloz por cima das nuvens enquanto suas hélices rasgavam-nas. Ignatyus estava escorado no parapeito do aeroplano, de braços cruzados e pensativo. Kem e Aldora estavam conversando na borda, olhando para fora da nave, e Eros estava importunando Ayanne.

    - Vamos Ayanne, só um selinho... – Dizia com uma voz fina, juntando as mãos para ela.

    - Não, meu caro. – Respondeu. Estava de olhos fechados e braços cruzados, e ainda que mantivesse um sorriso sereno no rosto, estava com voz cansada pelas tantas tentativas do sumo sacerdote conseguir algo. – Você devia saber que esses prazeres carnais não são dignos de minha pessoa.

    - Ah, vai... - Fechou os olhos, como se rezasse para ela. – Só um beijinho!

    - Não! - Continuou séria.

    - Então me indique alguma amiga sua. – Disse ele, suspirando e abaixando a cabeça. – Qualquer amiga.

    - Ei vocês dois, vamos descer. – Eros foi interrompido por Ignatyus. O aeroplano havia pousado em Juno. – Estamos no nosso destino. Vamos.

    O grupo desceu da nave e foi passando pelas rampas de desembarque. Muitas pessoas subiam e desciam por entre aquelas rampas, tendo acesso tanto ao aeroplano, quanto o aeroporto da cidade. Como toda grande cidade, estava cheia de gente correndo de um lado para o outro, seja para começar a caçar em algumas áreas próximas de Juno, ou para ir à biblioteca.

    Kem e Aldora desciam logo atrás de Ignatyus, quando o paladino notou alguém no meio da multidão. Era um homem alto, de cabelos negros compridos, feição de autoridade, e andava a passos largos em direção do centro da cidade. Era estranhamente familiar. Quando ele estava mais distante, Kem lembrou-se daquele rosto enquanto vinha um jorro de curiosidade em sua mente.

    - Dante?





    Ruínas das Trevas - Primeiro Livro

    por Willen Leolatto Carneiro



      Capítulo VI - Conflito Surpresa






    O grupo começou a seguir o arquimago. Kem achava que seria melhor abordá-lo diretamente, mas Ignatyus sugeriu uma investida furtiva. Queria saber o que ele estava fazendo ali e aonde ele ia. Alguns metros atrás de Dante, o grupo deslizava por entre as ruas, tentando não fazer barulho ou chamar a sua atenção. O arquimago subiu uma rua pela praça central e ia à direção norte da cidade, tomando depois a rota do leste.

    Naquela direção ficavam as enormes construções que eram a guilda de dos sábios, a biblioteca de Juno e um instituto de pesquisa científica e mágica da cidade de Juno. O grupo de Ignatyus continuava à espreita de Dante, quando ele parou de súbito em uma área onde ninguém além dele, e dos cinco que estavam escondidos, estava presente.

    - Podem sair daí. – Disse ele em um tom severo, sem se virar. Ignatyus suou frio. Eros estava de boquiaberto e pronto para correr, mas foi impedido por Aldora que segurava a sua gola. Ayanne apenas encarou o arquimago de cabelos brancos à sua frente enquanto Kem se aproximava lentamente de Ignatyus.

    - Droga, ele nos descobriu. – Falou baixo no ouvido do arquimago. – Por que não atacamos logo e o fazemos falar?

    - É muito imprudente. – Ignatyus sacou seu cajado, por precaução. Estava se lembrando da breve luta que teve com Dante na torre de Geffen. – Ele não mostrou todo o seu potencial, e nem o mínimo do seu grande conhecimento naquela vez. Ele estava brincando. – Apertou firme o cajado, sem mudar sua expressão inabalada. – Vamos esperar um pouco mais.

    - Vamos, eu sei que vocês estão aí. – Dante falou mais uma vez. Mas estranhamente não olhava na direção de onde estavam Kem e os demais. Apenas olhava para uma rampa de acesso e a construção do instituto a sua frente. A área era grande, mas tinha algumas muralhas desenhadas com figuras místicas e símbolos mágicos. – Saiam daí seus idiotas.

    Ignatyus pensou em se levantar, mas antes que o fizesse foi surpreendido por outro movimento. Por trás das muralhas, vários homens vestidos em capas vermelhas, capuzes e trajando roupas de couro apareceram para Dante. Eram cinco homens, dois deles carregando espadas pesadas e os demais tinham escudos nas costas. Eros estava em delírio, com a boca bem aberta e seus braços abanando. Iria gritar, mas Aldora impediu. Ayanne estalou os dedos, enquanto Kem observava surpreso com a situação.


    - Dante, você é uma peste. – Um dos homens de espadas deu um passo mais a frente, se aproximando do arquimago. – Suas intromissões estão dando nos nervos.

    - E o que querem que eu faça? – Disse Dante com uma expressão sorridente e tranquila. – Que eu os deixe terminar com aquele ritual bobo e soltar um general?

    Quando ele falou sobre o ritual, Kem estremeceu. Ele estaria envolvido, mas sua posição não lhe parecia ofensiva. Não havia dúvidas para o paladino de que ele poderia saber mais sobre o ocorrido, e possivelmente sobre o restante do passado de sua família.

    - Insolente. – Um dos homens de escudo ficou ao lado do líder deles. – Nós queremos trazer o nosso guerreiro absoluto para fora da torre. Ele irá nos ajudar a destruir essa nação que pensa apenas em si mesma. O povo é arrogante, os governantes são corruptos. Devemos honrar a magia e trazer os costumes antigos de volta.

    - Você não é um elfo, e mesmo que fosse está tendo ideias bastante absurdas. – Dante replicou. Seu comentário deixou o homem nervoso, mas este foi impedido pela mão erguida do líder. O arquimago prosseguiu. – E o que pretendem fazer nessa emboscada? Me matar?

    - Esse é o nosso propósito. – Falou o líder, sacando sua enorme espada. – Você é uma pedra no sapato.

    - Ora, então eu não tenho trabalho aqui. – Dante gargalhou e apontou na direção do grupo de Ignatyus com o polegar. – Aqui atrás de mim tem mais pessoas querendo a minha cabeça. Quem sabe o vencedor entre vocês não venha até mim no meu local de trabalho?

    Dante começou a se virar. Olhou para os arbustos onde Kem e os demais observavam e fez um sinal para eles saírem. Ignatyus encarou o paladino então se levantou, revelando-se. Um a um foram saindo do esconderijo e indo até Dante. Os arquimagos se encararam, Ignatyus mantendo sua serenidade enquanto Dante esboçava um riso amigável. Eros vinha atrás de Ayanne, escondendo-se.

    - Agora ferrou. Eles vão me fazer de saco de pancada até o infinito. – Disse ele, temeroso. Aldora recuou um passou e ficou ao seu lado.

    - Você tem sorte da Ay não fazer isso com você, Eros. – Respondeu baixinho.

    - Vocês são amigos desse incrédulo? – O líder deles perguntou ao Ignatyus.

    - Ah eles são casos antigos, sabe. – Dante interpôs. – Cuidem deles, okay? – Dante saiu andando como se nada estivesse acontecendo e iria mais para o norte, onde tinha apenas uma rampa de acesso na grande cidade flutuante, porém, parou e virou-se uma última vez. – Sei que vão ganhar, por isso estou esperando vocês seis lá.

    - Seis? – Ayanne comentou séria para Aldora, que deu de ombros.

    - Seus idiotas. Morram junto com Dante. – Um dos homens que tinham escudos sacou um báculo grande e apontou para os cinco. Uma grande bola de fogo surgiu e rugiu na direção da mestra, que saltou para o lado e deixou Eros na direção da bola de fogo. O sumo sacerdote se abaixou rapidamente, mas o fogo chamuscou seu cabelo cuidadosamente arrumado. Eros parecia irritado.

    - Ah não. Ninguém toca no meu cabelo. – Falava apontando para sua cabeça, de cara emburrada.

    - Isso aí. – Kem sacou sua espada e escudo e se preparou para o ataque. – Vamos ter que liquidar com eles.

    - Só não entendi de sermos seis. – Ignatyus falou sem dar atenção aos oponentes. – Há mais alguém aqui?

    Em um instante, os homens sacaram seus escudos. Neles havia um símbolo de uma espada cruzada com uma esfera, e no meio um desenho de um olho. Estavam se preparando para atacar quando um vento gelado passou por Eros, o assustando e fazendo-o cair em cima de Aldora.


    A pessoa que passou por eles foi direto para cima dos homens de capas vermelhas, mas estava tão rápida que era quase impossível de ver seus movimentos. Ignatyus levantou o cajado para atacar, mas Kem e Ayanne tocaram seu ombro, e balançaram a cabeça negativamente.

    O arquimago então assentiu e observou a cena. Kem estava sentindo o ar gelar ao seu redor. Suas marcas no braço direito ressoaram em sua cabeça como se algo fosse familiar. Alguém estava rasgando os mantos dos homens e quando puderam enxergar os movimentos, viram que era uma algoz.

    Ela passou por entre os dois primeiros e enfiou a sua katar no estômago de um deles. Seu capuz escorregou para trás, deixando mostrar seu rosto apavorado e com os olhos vidrados, vendo sua alma partir de seu corpo. O que segurava o cajado lançou uma bola de fogo na direção da algoz, que desviou e sumiu novamente. Eles se entreolharam e então ela atacou de volta, lançando uma lança de gelo que atravessou o pescoço do bruxo.

    Kem reconheceu a pessoa e deu um passo a frente. Arkadel iria impedi-lo, mas Aldora e Eros vieram com ele e ficaram posicionados em uma linha, observando o rápido embate.

    - Ela é nossa conhecida, afinal. – Exclamou Ignatyus, após perceber de quem se tratava. Um dos oponentes ergueu sua espada, mas foi repelido por um golpe da katar da algoz e então tombou quando viu a mesma arma perfurar o seu peito. Os dois líderes estavam apavorados olhando para o vulto negro que passava por entre eles causando a rápida morte dos outros três. A jovem sumiu novamente e então atacou pelas costas dos dois, derrubando-os.

    - Mas quem é você? – Perguntou o homem da espada enorme. Não obteve resposta, mas pode ver a garota parada à sua frente. Tinha o cabelo castanho solto, seus olhos estavam vendados, e mesmo sendo uma jovem beldade, ela exalava uma aura fria e perigosa. Kem se aproximou da garota que estava de costas para ele, que percebeu sua aproximação.

    - Ilana! – Exclamou o loiro.



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    Re: [Fanfic]Ruínas das Trevas - Primeiro Livro

    Mensagem  Ikke em Qua Abr 27, 2011 8:15 am

    UUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUOOOOOOOUUU

    Muito tenso essa Fic! ^^

    E agora quem é essa algoz? Como vai ficar o grupo? Ela se juntará a eles?

    E mais o Arquimago que chamou ela? Ou ele já sabia que elea estava ali?

    Afinal o que essa Ilana faz ali?

    Espero os próximos ´capítulos, curioso....

    Gostei de como retratou a luta! Muito bom mesmo...

    Abraços
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    Re: [Fanfic]Ruínas das Trevas - Primeiro Livro

    Mensagem  Willen em Sex Abr 29, 2011 4:01 pm




    Sangue escorria por entre as lajes colocadas perfeitamente nas ruas. Três corpos caídos ao chão, e dois homens escoriados. Eles tinham capas vermelhas, capuzes, estavam armados e preparados para lutar. Os dois haviam perdido os capuzes e já era possível ver a face deles e suas expressões. O horror estava estampado nos rostos deles enquanto a algoz estava a sua frente. Tinha apenas uma venda cobrindo os seus olhos, mas estava com o rosto levemente inclinado para a direita por ter sentido a presença de alguém se aproximando.

    - Ilana! – Repetiu Kem. Estava observando a garota com perplexidade. Ela estava com os cabelos longos e castanhos soltos por cima dos ombros. A algoz então se virou para o atônito paladino.

    - Mestre idiota! – Respondeu em um tom impaciente. – Você só se mete em confusão, que droga. Só me da trabalho, seu idiota.

    - Você estava nos seguindo? – Aldora se aproximou de Kem, erguendo a sobrancelha.

    - O velho Kemaryus me mandou atrás de vocês. – Ela virou o rosto na direção de Ignatyus. – Mas vim mais pra impedir o idiota de fazer alguma estupidez do que por ordens.

    - Vocês estão todos juntos? – Perguntou um dos homens caídos. Ele tinha o cabelo loiro cobrindo sua testa em uma franja desarrumada e sangue escorria de sua boca, causado pela escoriação de Ilana. Sua espada estava longe demais para alcançar e o súbito aparecimento da algoz o deixou atormentado. Ilana virou na direção dele e rosnou. Kem sentiu uma energia sinistra a rodear e então Ignatyus e Ayanne correram ao lado de Ilana.

    - Ilana, acalme-se. – O arquimago alertou a algoz. – Não ouse perder o controle aqui, do contrário daremos um jeito em você também. – A garota cerrou os dentes para ele, mas ficou imóvel. Se virou lentamente e foi para o lado do paladino, que coçava a cabeça confuso.

    - Ai ai. Hein? Ilana! – Eros estava se levantando quando percebeu a algoz junto deles. Saiu com os braços abertos indo na direção dela, mas foi recebido com um chute vindo dela, que o deixou desacordado.

    - Esse tarado continua a me assombrar. – Ilana esticou a perna e a deixou em estado normal novamente. Todos olharam para Eros, caído no chão, com uma expressão sem graça e tentando entender as suas ações.

    - Ele não bate bem da cabeça, mesmo. – Aldora balançava sua cabeça negativamente, enquanto colocava o desnorteado Eros, que balbuciava algo sobre os seios de Ilana serem de outro mundo, em suas costas para carregá-lo. Mas um berro chamou a atenção de todos de volta aos misteriosos homens que Ilana havia derrubado. Um deles, o que usava um cajado e agora mostrava sua face cheia de tatuagens vermelhas e seus cabelos escuros e curtos, erguia-se apontando o cajado para Ignatyus.

    - Vocês, vão morrer aqui. – Disse ele, encarando o grupo.

    - Por que enfrentar alguém que está para morrer? – O arquimago parecia estranhamente sombrio. Encarou o outro que ainda estremecia no chão. – Quer viver, não é? - O homem apenas gaguejou. Arkadel o encarava com seu semblante sempre inabalável e então se virou para Kem e assentiu. – Ele vem conosco, mas o outro é seu.

    O paladino concordou e guardou sua espada, depois estalou os dedos. Antes que pudesse puxar o escudo, foi alvejado por várias lanças de fogo que vinham do homem a sua frente. Ele ria de forma frenética enquanto conjurava várias lanças de fogo, mas aterrorizou-se quando notou que nada afetava o loiro. Kem sorriu.

    - Sabe, não queria mesmo usar isso, mas não tem outro jeito amigo. – Kem desfez as lanças de fogo usando sua mão direita, movendo-a bruscamente para o lado. O homem sentiu as pernas tremerem e seu olhar cheio de medo encarou os olhos azuis de Kem, que erguia o braço e de repente uma onda de fogo varreu o local onde estava o bruxo, deixando apenas um rastro negro de carvão.

    Ilana rosnou para Kem e saiu andando a passos firmes na direção da ponte norte. Aldora fitou o irmão com pesar e seguiu Ilana, carregando Eros ainda desacordado e com Ayanne o seguindo. Ignatyus encarou o paladino por um tempo e depois voltou seu olhar para o cavaleiro que estava atormentado no chão. Ele fez um sinal com a cabeça e o cavaleiro assentiu, levantando-se temeroso e seguindo o arquimago, sem sua espada. Kem observou as chamas rugirem à sua frente enquanto queimavam os restos do bruxo. Virou-se e caminhou até o norte, atrás dos seus companheiros.




    Ruínas das Trevas - Primeiro Livro

    por Willen Leolatto Carneiro



      Capítulo VII - Em Busca da Verdade






    O grupo e o cativo agora estavam diante uma magnífica e imponente construção, que se assemelhava a uma cabeça gigante. Sua bocarra era a entrada do local, e todos pareciam perplexos com o local. Eros começou a despertar e encarou a enorme construção.

    - Já estamos mortos? – Perguntou ele descendo rapidamente das costas de Aldora.

    - Cala boca seu mala, estamos todos vivos. Seu banana! – Ilana respondeu com ferocidade, fazendo Eros ficar quieto por um tempo. Ignatyus então começou a andar para dentro da enorme porta levando consigo o cativo. Em seguida, Eros, Ayanne e Ilana entraram aos sons das lamúrias do sumo sacerdote e da rabugenta algoz. Kem e Aldora entraram logo em seguida.

    Já dentro da construção, o grupo se viu em um enorme corredor que dava em uma sala ampla com alguns tubos de ensaio, containers de experimentos e alguns móveis. Escorado em uma pequena mesa de madeira, um arquimago de cabelos longos e escuros encarava os sete que entravam.

    - Ora, bem vindos. – Dante acenou para o grupo, mas ninguém lhe devolveu a gentileza. Mesmo assim, andou até a direção deles. – Estou feliz que os seis vieram, mesmo que com uma bagagem a mais. – O arquimago sorriu e encarou o atormentado cavaleiro, que se recolheu. Ignatyus colocou seu braço na frente do homem, sugerindo que o protegeria. Dante o encarou. – Você vai mesmo proteger este homem?

    - Queremos respostas. – Ignatyus respondeu com autoridade. – Exigimos saber com o quê estamos lidando.

    - Isso não é necessário. Isso... – Ele apontou para o cavaleiro que estremeceu diante o olhar malicioso de Dante. – Não precisa sequer viver.

    - Talvez possamos chegar a um consenso. – Uma voz pode ser ouvida ecoando por um corredor, e mais adiante, o som de passos foi se seguindo conforme ele ia descendo as escadas de pedra. Dante fitou de canto o corredor que saía do salão e dava para um lance de escadas e de onde vinha um homem. Ignatyus sacou seu cajado, Ayanne estalou os dedos, Kem puxou seu escudo, Aldora e Ilana iriam se armar, porém Eros abaixou a cabeça e fitou o chão.

    - Não se preocupem. – Falou sério. – Ele não é nosso inimigo. Guardem as armas.

    O tom pesado e sombrio de Eros chamou a atenção do grupo. Ignatyus fitou o loiro e então guardou seu cajado, fazendo um sinal para os demais seguirem o exemplo. Dante cruzou os braços e ficou fitando o homem que se aproximava deles, mas o grupo estava prestando atenção no sumo sacerdote, que ainda estava cabisbaixo.

    - Quem é esse homem? – Kem perguntou para seu amigo, mas ele cerrou os punhos e virou seu rosto. Ilana estranhou o jeito do sumo sacerdote, mas depois estremeceu quando sentiu alguém pegando seus seios. Kem e Aldora olharam perplexos para o homem que agora estava abraçando a algoz por trás e segurando o seu busto. O cavaleiro cativo deixou uma gota de sangue escorrer de seu nariz e arregalou os olhos. Ignatyus manteve seu semblante inabalável, mas sua sobrancelha tremia conforme observava a cena. Dante dava risadas.

    - Hmm, realmente eles são de outro mundo. – Disse o homem. Era loiro, de cabelos compridos e uma barba bem cuidada e aparada que cobria apenas o maxilar em extensão. Sua roupa não era de sumo sacerdote, mas parecia estar ligado à igreja por causa de seus símbolos. Ilana ruborizou e mordeu a mão do homem, que era mais alto que ela. Este pulou para trás balançando a mão que estava com uma marca de dentes da garota, enquanto ela se virava e rosnava para ele. Porém, ela parou quando notou que seu comportamento lembrava ao de alguém que conhecia.

    - Sim. – Eros respondeu olhando sério para o homem na frente de Ilana. – Eles são de outro mundo, pai.

    Ilana ficou mais vermelha que antes. O homem que Eros dizia ser seu pai tinha os mesmos costumes do filho, e agora ele coçava a nuca, sorrindo para o grupo. Kem e Aldora estavam se entreolhando, enquanto Ayanne apenas observava o loiro à frente deles, assim como Ignatyus. O loiro então olhou para Eros, que novamente baixou a cabeça.

    - Já provou então? Tal pai, tal filho. – Ele gargalhou, mas Eros virou o rosto novamente. Ilana teve de ser segura por Aldora para não avançar novamente no pai de Eros. Kem se aproximou do homem.

    - Quem é você? – Perguntou surpreso pela revelação.

    - Eu? Eu sou Yuris Ennin. Muito prazer. – Disse ele em um tom alegre. Não parecia ser tão mais velho que Dante, mas mesmo com todo aquele estilo de Eros, ele tinha um ar mais maduro do que aparentava. Dante foi até Yuris e colocou sua mão no ombro dele.

    - Ele é modesto. Dentro da nossa Ordem, ele é o líder de uma das divisões. – O arquimago falava alegremente. Ignatyus guardou seu cajado e fitou Yuris. A semelhança entre ele e seu filho eram grandes, mas Yuris tinha o cabelo ligeiramente mais comprido e possuía a barba cerrada. Os mesmos olhos esverdeados, mas ele tinha algo a mais em sua aparência que o deixava mais surpreendente. Yuris, percebendo que estava sendo observado demais, sorriu.

    - Bem, minha proposta é que deixe o cativo ser interrogado, e enquanto isso estarei a caminho de Geffen. – Ele falou com autoridade. Dante assentiu, e em um piscar de olhos o cavaleiro havia sido engolido por sua própria sombra, desaparecendo rapidamente. O grupo olhou para onde o cativo outrora estava e agora só restava apenas o chão.



    - O que aconteceu com ele? – Aldora perguntou rapidamente, largando Ilana que estava rogando pragas para ele.

    - Ele foi mandado para a prisão. – Eros surpreendeu a todos, respondendo ainda de rosto virado para o outro lado. – Isso foi obra sua pai? – Perguntou, finalmente encarando com olhar firme o seu pai.

    - Bem, não. – Ele respondeu tranquilamente. – Isso é trabalho para a segunda divisão.

    - Yuris, vou deixar você com o seu trabalho. – Dante começou a andar até o corredor que ligava a sala até as escadarias. – Nelliw, nos veremos em breve.

    - Ei, espera. – Kem deu um passo para frente e estendeu sua mão. Dante parou e virou-se para olhar para o paladino. – Como sabe tanto ao meu respeito? Como sabe da minha vida, do Ig e do Al? Me diz...

    - Por que vocês são parte da história. – Dante falou com sinceridade nos olhos. Ignatyus deixou escapar um sussurro baixo, mas ninguém lhe deu atenção. – Vocês tem influenciado muito os fatos do mundo, mas vocês o fazem de maneira muito mais estranha que os demais heróis que conhecemos.

    - O que quer dizer? – Ignatyus perguntou. Seu tom parecia levemente perigoso. – Afinal de contas, o que é a Ordem das Sombras?

    - Ai ai. – Dante voltou a ficar de frente para o grupo. Yuris ficou observando de braços cruzados. – Nós somos aqueles que guardam o equilíbrio das forças em Midgard. Chame-nos como quiser. Ordem das Sombras, Cultistas do êxtase, Pessoas de Preto, seres do mal, seguidores dos demônios, ordem do aquimago maluco metaleiro. – Ele deixou um sorriso escapar enquanto falava. – Mas nada disso importa. Nomes não são importantes para ajudar a manter esse equilíbrio. Agimos nas sombras, é verdade, para que ninguém duvide dos heróis que aparecem por aí. Se existe um vilão, existe um herói, mas nós é que limpamos a bagunça e o auxiliamos muitas vezes.

    - Mas por que se manter oculto? – Aldora perguntou um tanto confuso.

    - Muitos dos eventos que mudam o rumo e o destino da humanidade não são feitos apenas por pessoas confusas ou de má índole. Já se ouviu falar de demônios, fantasmas, outras raças, vários fatores que põe em risco a vida de animais, plantas e qualquer ser vivo que possa coexistir com harmonia. – Dante cruzou os braços, encarando diretamente Ignatyus. – Seres abissais são fonte de caos, mas alguns provam ser exceção à regra. – Depois de notar o olhar pasmo do arquimago, encarou Aldora. – E também há muitas pessoas que são regidas por seres das trevas, e muitas vezes não há volta para seu estado de possessão. - Finalmente caiu o olhar em Kem, Ilana e Ayanne. – E seres espirituais ou pessoas que utilizam dessa energia para gerar poder são os mais problemáticos.

    - Como você... – Kem começou a suar. Dante realmente sabia dos segredos de cada um. Mas como sabia sobre suas runas, ou as de Ilana, ele não desconfiava. Ilana cerrou os punhos e rangeu os dentes.

    - Seu palerma. Quer botar defeito no mestre idiota e nos outros? – Ela perguntou ríspida. Dante a encarou.

    - Não seja tola. Você pode possuir as mesmas runas de Kem, mas é tão inútil quanto um gato. - O tom sereno de Dante havia sumido. Ele estava frio e suas palavras chicoteavam o orgulho da garota. – Você acredita que tendo isso vai poder se igualar a Kem. Ele seria um valioso membro para mim, e ele já é. – Falou em um tom debochado para o paladino, que ficou confuso. – O sobrenome dele já garante isso. Mas você, você sente algo quando chuta uma poça de lama? Você é essa poça para mim.

    - Agora chega Dante. – Yuris estendeu a mão para ele, apontando o dedo indicador.
    Eles desconhecem a Ordem. É melhor deixarmos como está. Eles não precisam entender.

    Com aquelas palavras, Dante fechou os olhos e suspirou. Voltou a observar o grupo. Ignatyus o encarava sombrio. Kem estava perplexo. Ayanne e Eros não davam importância para eles, enquanto Aldora estava de cabeça baixa. Ilana parecia assustada com as palavras de Dante. Queria reagir, mas uma ponta de verdade a havia feito paralisar as pernas. A única coisa que pode fazer era rogar pragas em voz baixa. Dante virou-se novamente para a escadaria.

    - Como eu disse, estarei esperando vocês, irmãos Nelliw. – Ele voltou a andar. – Yuris, tome muito cuidado e descubra o que puder. Que assim seja.

    - E assim se faça. – Yuris curvou-se e colocou as mãos no bolso. – Está na hora de partir.

    - Nós vamos voltar para Prontera. – Ignatyus dizia em um tom pesado. Ayanne concordou. – Vamos voltar para a loja valquírica e vamos esquecer o ocorrido.

    - Muito bem. – Yuris assentiu e foi até a saída da imensa construção, que era um laboratório com um salão observatório no alto. O grupo de Ignatyus estava saindo, e então Kem parou. Aldora percebeu o movimento do irmão e parou ao seu lado.

    - O que está fazendo? – Perguntou, preocupado.



    - Vamos com Yuris. – Disse ele, decidido.

    - Tá maluco? O senhor Arkadel já disse para voltarmos para Prontera e esquecer isso...

    - Eu sei Al, eu sei. – Ele olhou para frente. Ignatyus, Ilana e Ayanne caminhavam decididos, mas Eros os esperava parado no caminho. – Mas algo me incomoda ainda. – Kem acenou para Eros, que veio na direção deles. Aldora ficou preocupado com a decisão, mas suspirou e sorriu.

    - Eu vou junto com você, Kem. – Disse em um tom sereno. – Vamos resolver juntos.

    Os três concordaram e começaram a correr, saindo da plataforma flutuante da cidade onde ficava o observatório e foram na direção oposta ao de Ignatyus. Ilana viu Kem sair correndo e o xingou, depois correu atrás. Ignatyus parou logo depois, mas não olhou na direção de onde os quatro estavam indo, apenas esperou Ayanne chegar ao seu lado.

    - Algo errado, Ig? – A mestra falava com calma.

    - Parece que eu estava certo a respeito de Nelliw. – Disse ele sem se virar. – Kemaryus deveria ter me ouvido. – E continuou a andar a passos leves. Ayanne olhou para onde o loiro estava correndo, ao sul da cidade, e caminhou ao lado de Ignatyus, pensativa.

    Kem, Aldora, Eros e Ilana agora corriam em direção ao aeroplano o mais rápido que podiam. Ilana alcançou os três e começou a rogar pragas e lamúrias, mas ganhou o sorriso de Aldora, a compreensão de Kem e os elogios absurdos de Eros, e estavam partindo para mais uma aventura nas sombras.
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    Re: [Fanfic]Ruínas das Trevas - Primeiro Livro

    Mensagem  Willen em Qui Maio 05, 2011 9:53 am




    Geffen estava calma. A cidade apinhada de pessoas correndo indo e voltando de dentro da torre estava radiante com o sol ao alto, brilhando em fúria. Um homem loiro, alto e de cabelos compridos estava passando pela frente da fonte da cidade. Haviam algumas garotas sentadas na praça à frente, para onde os olhos do rapaz repousavam. Este acenou para elas, mas o ignoraram.

    - Ai ai, essas meninas de hoje. – O loiro suspirou e então sentou em outro banco da praça, olhando o alto. Sorria enquanto cruzava as pernas e admirava o céu. – Será que toda essa luz vai ser coberta novamente?

    Perdido em seus pensamentos, Yuris ficou por um tempo sentado em frente à fonte. Sua roupa de arcebispo chamava a atenção de muitos, pois era um posto elevado da casta divina da igreja. Esticou seus braços e os apoiou no encosto do banco, observando o movimento das pessoas que passavam por ele. Notou que as garotas saíram do banco e estavam se dirigindo em direção da torre de Geffen. Yuris ficou sério e levantou, seguindo as moças.

    Perto da entrada, as três garotas pararam e conversaram baixinho, enquanto Yuris se aproximava. Elas estavam vestidas com uniformes de cavaleira, sacerdotisa e caçadora, e estavam já dentro da torre quando o arcebispo entrou.

    Ele as seguiu até as escadarias, oque elas iam descendo cheias de entusiasmo e alegria, o que fez Yuris rir e começar a se lembrar de quando visitava a torre com seu filho, há muito tempo atrás, e a cada passo na escada ele sentia que estava mais perto de perder a realidade para permanecer no sonho. Ainda era um sacerdote da igreja quando estava caminhando pela cidade com seu filho, Eros Ennin, e o levava em cima dos ombros.


    De repente, um grito tirou-lhe dos pensamentos do passado e o fez correr até o ultimo andar antes do calabouço protegido por antigos rituais. No andar, uma das garotas estava caída, chorando, e Yuris correu até sua direção.

    - Ei, está tudo bem? Responda? – Ele balançou um pouco o corpo dela para tentar chamar a atenção dela. Segurou-a no busto e então ela abriu os olhos e encarou o loiro. Começou a chorar, estava com medo.

    - Eles as levaram! – Dizia em meio aos soluços, tremendo. – Estavam escondidos...levaram elas!

    - Estão lá em baixo? – Yuris perguntou calmo. Seus olhos verdes passavam confiança para a garota, que parecia estar melhorando conforme ficava próximo a ele.

    - Sim. – Respondeu com a voz em tom mais normal. – Ajuda elas, por favor.

    Yuris observou a entrada do calabouço e ficou um tempo observando. A mão que estava segurando a garota escorregou e ficou em cima do seio dela. A garota avermelhou, mas não disse nada, apenas cutucava de leve o arcebispo para tentar chamar sua atenção. Por fim, Yuris largou com cuidado no chão a garota que ainda estava ruborizada e andou até a entrada. Parecia uma caverna abaixo do andar construído, e estava cheio de moscas caçadoras e esporos venenosos.

    O loiro falou baixo algumas palavras e passou a correr velozmente por dentro da caverna, escapando dos incômodos animais e chegando até um novo lance de escadas velhas e empoeiradas. Desceu e deu de frente com uma enorme área escura. Parecia que uma cidade havia sido enterrada embaixo da torre da cidade, e então na sua frente, Yuris viu as garotas ajoelhadas e se abraçando, e em volta delas havia vários corcéis negros e de aparência fantasmagórica.

    - Magnus... – Yuris disparou veloz para cima dos Pesadelos. – Exorcismus. - O chão foi coberto por uma onda de luz crescente, que devastou os cavalos negros e iluminou o local. As garotas perceberam o arcebispo e então olharam firme para ele. Yuris acenou e sorriu para elas, mas então elas apontaram para trás dele e o loiro percebeu por que. Dois homens surgiram das sombras e estavam encarando o loiro.

    - O Magnus Exorcismus pode ferir criaturas das sombras, mas não a nós. – Um deles falou em voz grave. Ambos tinham armaduras avermelhadas e as capas eram de um vermelho profundo. Carregavam escudos nas costas, mas nenhuma arma. O homem que se dirigiu a Eros estava com um elmo negro na cabeça, que se projetava para frente e tinha duas asas negras que se estendiam. Era jovem, mas tinha a voz grossa e seu rosto era coberto por uma barba espessa, que escorria junto do cabelo comprido e negro. O outro possuía apenas um cabelo curto e branco, mas sua feição era igualmente jovem.

    - E vocês seriam? – Yuris os desafiou, colocando as mãos na cintura.

    - Nós somos os enviados daquele que quer reestruturar a vida humana, a começar pela cidade que o aprisiona. – Continuou a responder o homem barbado. Yuris gargalhou e então foi surpreendido pelo jovem de cabelos brancos, que estava muito próximo e com uma adaga nas mãos. Quando ia dar o golpe, uma cruz branca surgiu em baixo do arcebispo e do jovem, que então sofreu uma rajada de luz, queimando parte de seu corpo. Caiu inconsciente e longe de Yuris, que estava de braços cruzados, mas quando a luz cessou, sua roupa de arcebispo estava com algumas peças de ouro nos braços, pernas, em algumas partes do tronco. O outro homem que estava de pé ficou atônito, observando o arcebispo.

    - Quem é você? - Perguntou finalmente, quando percebeu que seria o próximo.

    - Eu? – Yuris sorriu e então deu um passo a frente, apontando o polegar para seu rosto alegre e divertido. – Eu não gosto de me gabar, mas eu sou Yuris Ennin de Helgi, o portador da luz!




    Ruínas das Trevas - Primeiro Livro

    por Willen Leolatto Carneiro



      Capítulo VIII - Ódio pelo pai.







    Kem e Aldora corriam rapidamente a frente de Eros e Ilana, todos tendo como objetivo chegar à torre de Geffen. Eros estava sério, muito diferente do que costumava ser, e Ilana percebeu isso, mesmo sem poder enxergar por causa da venda.

    - Ei, tarado, o que houve? – Ela perguntou rispidamente enquanto o grupo se aproximava da fonte ao sul da cidade.

    - Nada, eu só estou pensando. – O loiro respondeu com frieza.

    - Isso eu sei, você não tagarelou nem pegou nos meus peitos. – O grupo parou em frente à torre. Ilana dirigiu sua atenção para Kem, mesmo que ainda falasse para Eros. O sumo deu um leve sorriso e ficou a frente, encarando a torre.

    - Eu poderia, mas algo está me incomodando no momento. – Seus olhos verdes encaravam a grande entrada, esperando que algo chamasse a sua atenção. Aldora colocou sua mão no ombro do loiro.

    - Seja o que for meu amigo, nós estamos aqui para te ajudar. – Aldora falava tranquilamente, e Eros sorriu para ele. Kem se aproximou de Ilana e tocou em sua mão, fazendo a garota pular, mas não falou nada e deixou o paladino a guiar, segurando sua mão. Os quatro adentraram na torre que, como sempre, estava cheia. Vários magos e bruxos subiam as escadas e carregavam pilhas de livros. Aldora olhou para seu irmão, que assentiu. Foram então às escadarias inferiores, onde dias antes estavam investigando.

    Desceram os vários lances de escadas, até que chegaram ao último andar, encontrando uma caçadora de pé olhando para a entrada do calabouço que marcava os limites da torre. Kem largou a mão de Ilana e foi até a caçadora.

    -Ei, você está bem? – O loiro estava ao lado da garota, que quando notou a presença dos quatro levou um susto.

    - Ah, me desculpe. Eu estou preocupada, aconteceu que... – Ela olhou para Eros, e então seu rosto parecia pasmo. – Mas você não tinha entrado no calabouço?

    - Er... não, não. Eu não sei do que está falando. - Eros ficou tenso. Olhou para os lados e então agiu como se não soubesse de nada, balançando a cabeça negativamente, sorrindo para ela. – Mas então, um homem parecido entrou. Vamos atrás dele.

    Eros passou esbarrando em Ilana, que resmungou para a parede. Aldora ficou atônito, mas seguiu o sumo sacerdote. Kem agradeceu a informação e chamou Ilana, que o acompanhou. Os quatro desceram até a entrada da caverna que marcava o limite da torre com o calabouço selado. Caminharam por um tempo, passando por várias moscas e esporos venenosos, até encontrar a velha escada empoeirada.

    - Ele deve estar lá em baixo. – Eros olhava firme para a escada. Seu tom sombrio assustava um pouco os irmãos Nelliw. Ilana cruzou os braços e ficou esperando.

    - O que há de errado entre você e seu pai, Eros? – Kem perguntou, preocupado com o amigo. Mas o silêncio foi a resposta e foi deixado no vácuo quando o sumo sacerdote desceu sozinho as escadas, correndo. Kem segurou a mão de Ilana rapidamente, assustando a algoz, e a puxou para a escadaria, com o criador logo atrás. Quando passaram pela cobertura de terra que dividia a caverna da terra selada abaixo dela, uma luz extremamente forte inundou os olhos deles, e apenas Ilana conseguiu continuar andando, puxando Kem pela mão até o ultimo degrau.

    - Vamos logo, mestre idiota. – Ela dizia sem se dar conta da imensa luz que inundava o local.

    - Ta maluca? Isso quase cegou a gente. – Kem falou alto para a garota escutar. Ela então parou e esperou os três descerem até o seu lado.

    A visão de Kem e de Aldora e havia sido embaçada pela luz, ofuscando eles. Porém, Eros se preveniu e estava conseguindo enxergar logo depois que a luz cessou. Estavam no que parecia ser uma terra desolada, com construções devastadas e acima só havia uma camada de terra, como se fosse uma cidade soterrada. Mais ao longe, duas garotas vinham correndo na direção deles, perseguidas por vários cavalos negros.

    - Pesadelos! – Anunciou Eros, alertando os demais. Ilana grunhiu e sacou suas katares, virada pouco mais distante do local. Kem e Aldora esfregavam os olhos quando Eros os alertou, então sacaram espadas e escudos, mas não conseguiam enxergar com clareza.


    - Que droga, essa luz ferrou a gente. – O paladino resmungou, mas o som de passos vindos da direita do grupo e uma voz conhecida impediram o movimento deles.

    - Cubram os olhos. – O loiro estava correndo vindo pela lateral da entrada, por uma estrada de terra mais estreita. Suas mãos estavam espalmadas e luz reluzia da ponta dos dedos.

    Aldora puxou Ilana para mais perto do grupo enquanto a marcha de Pesadelos e as garotas que corriam deles se aproximavam cada vez mais. Eros encarou o arcebispo e então cobriu os olhos.

    - Divinum lumen cadens in terram, et daemones auferemus oratione. – O arcebispo que usava peças douradas em sua vestimenta disparou ao encontro do grupo. – Magnus Exorcismus Caelestis. - Com suas palavras, uma luz muito forte emanou de seu corpo e começou a percorrer toda a extensão de terra a frente do grupo, indo na direção das garotas que corriam dos corcéis furiosos. Instintivamente, elas fecharam os olhos, mas continuaram correndo enquanto os cavalos negros eram tomados pela luz e desapareciam no ar. Elas conseguiram chegar ao grupo, assim como o loiro alto que lançou a magia de luz.

    - Ora, vocês por aqui? – Yuris se aproximava, em toda sua glória, perto do grupo de Kem e dos demais. As garotas se esconderam atrás de Ilana, que resmungava chamando-as de covardes e frescas. Eros encarou o pai.

    - Viemos por respostas. – O sumo estava sério. Era impressionante a semelhança entre eles. Mas embora Yuris fosse mais velho e Eros possuísse um rosto mais delicado, ambos tinham um semblante parecido, belo, e os seus olhos verdes aumentavam a vivacidade de seus rostos.

    - Bem, filho, se você quisesse era só... - Yuris foi interrompido por um soco que Eros lhe deu no rosto. O golpe foi tão forte que chamou a atenção de Aldora e Kem não só pelo fato de Eros ter batido em seu pai, mas por que conseguiu cortar o lábio inferior dele.

    - Que droga foi essa? – Ilana se virou para as garotas assustadas, que gritaram e saíram correndo pela escadaria, deixando apenas os cinco ali. – Ei, quem eram essas vadiazinhas? Podem correr, suas frouxas! – Ela cuspiu no chão. Ilana não havia notado, mas Eros parecia furioso com seu pai, que simplesmente havia virado o rosto.

    - Não me considere seu filho. – Eros falava ríspido para ele.

    - Então, ainda não me perdoou. – Yuris voltou a encarar o rosto do filho. O corte que o soco de Eros fez estava sendo preenchido por uma luz fraca, que rapidamente fechou o corte. Kem e Aldora ficaram boquiabertos, e Ilana apena se virou e ficou de braços cruzados. – Eu entendo, Eros.

    - Você não entende! – Eros recolheu sua mão e olhava firme para o pai. Os dois se encararam por um tempo e então o sumo sacerdote virou-se e saiu pela escadaria. Kem ficou olhando o amigo partir enquanto Aldora recolhia seu escudo que havia deixado cair no chão.

    - O que há de errado com ele? – Perguntou o criador, preocupado.

    - É uma longa história. – Yuris, que também observava o filho partir, esboçava um meio sorriso. Rapidamente o lugar novamente ficou cheio de grandes cavalos negros ao redor deles. O arcebispo, percebendo, empurrou os irmãos para apressarem o passo. – Rápido, vamos sair daqui.


    Antes que eles pudessem correr para as escadas, um dos Pesadelos saiu em disparada deles. Kem usou o escudo para defender e empurrar o cavalo para longe, quando percebeu uma segunda figura vinda atrás dele. Um ser que lembrava um esqueleto, vestindo em um terno e com uma abóbora no lugar da cabeça, apareceu correndo contra o loiro, apontando uma bengala pontiaguda para ele.

    - É um Jack! – Aldora puxou o irmão, fazendo Jack estocar o ar, e derrubando Kem no chão. Ilana ouviu o som de metal caindo, mas sentiu o chão treme ao seu lado com os galopes furiosos dos corcéis negros.

    - Que merda! – Ilana gritava furiosa com os Pesadelos na qual acertava com suas katares. – Tem um monte dessas coisas.

    Kem levantou-se ao lado do irmão, e eles encararam Jack, que estava correndo para o lado oposto. Em instantes, ele virou-se e atacou, mas um movimento da mão de Yuris criou um enorme círculo rosado ao redor dos quatro. Era um escudo mágico, porém, maior.

    - Como você fez isso? – Aldora perguntou impressionado.

    - Outra longa história. – Yuris sorriu para o garoto. A estocada de Jack foi barrada, assim como várias investidas dos Pesadelos. Kem sacou sua espada para lutar e Ilana estava prestes a atacar com suas armas, mas Yuris os impediu. – Deixa eles comigo, apenas fechem os olhos, e assim que eu acabar com eles nós corremos.

    Kem assentiu. Encarou o criador e ambos cobriram os olhos com as capas. Ilana apenas ficou de prontidão, já que possuía a venda nos olhos. A barreira foi rompida e os monstros estavam a centímetros e chegar até os três, quando uma enorme onda de luz emanou do corpo de Yuris. A luz se propagava lentamente de seu corpo, sendo direcionada pelas mãos dele. Por fim, ele expeliu a luz com força e ela cobriu toda a área onde os Pesadelos e Jacks estavam.

    - Magnus Exorcismus Caelestis! – A enorme onda de luz arrastou os cavalos para trás e então os desfazendo em meio à luz. Jack aguentou parte da luz que recebia, mas logo também se desintegrava. Quando a luz cessou, Yuris estava rindo e de braços cruzados.

    - Acabou? – Ilana parecia um tanto confusa com tudo. Apenas ouvia, não conseguia enxergar nada, e todo aquele barulho parecia ter confundido a garota.

    - Bem, não. Mas por hora podemos sair sem ser incomodados. – Yuris começou a andar na direção da saída. Kem e Aldora tiraram as capas de cima dos rostos e olharam que onde antes havia vários Pesadelos, só restava à terra marcada por seus cascos. Kem puxou Ilana pelo braço e seguiu Yuris, acompanhado do irmão. Os três ouvindo os gritos da algoz, que dizia que podia se virar sem o mestre idiota e que sabia caminhar sozinha, mesmo que o paladino ignorasse esse fato. – Vamos subir, tenho muito a contar para vocês.
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    Re: [Fanfic]Ruínas das Trevas - Primeiro Livro

    Mensagem  mjunkhead em Qui Maio 05, 2011 1:30 pm

    Essa fic ta ficando boa :B e prende o leitor facil facil.
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    Re: [Fanfic]Ruínas das Trevas - Primeiro Livro

    Mensagem  Willen em Seg Maio 09, 2011 4:53 pm




    - Ta bom, tarado, pode começar a falar. – Ilana estava irritada com Yuris. Estavam em uma taverna em Geffen, após o confronto com os Pesadelos no calabouço da torre. – Desembucha logo.

    O grupo saiu às pressas e foram se recompuser em uma taverna ao nordeste da cidade. Kem e Aldora não conseguiram encontrar Eros em Geffen, o que rendeu divertimento em tons sarcásticos para Ilana. Mas Yuris havia dito para não se preocuparem e os levou até a taverna para conversar. Sobre a sua missão, e sobre Eros.

    - Hmm, está bem então. – Os quatro estavam sentados em uma mesa mais distante. Yuris sentou casualmente em sua cadeira. Aldora e Ilana estavam no outro lado da mesa enquanto Kem sentava-se ao lado de Yuris. – Vamos começar sobre o caso de hoje. Vocês sabem que existem vários cultos, não sabem?

    - Aff, vai querer me irritar mais? – Ilana bateu o punho na mesa. – Existem mais deles? Não basta o culto de Morroc?

    - Calma Ilana, fica fria. – Aldora tentava acalmar a garota, segurando de leve seu braço. Ela bufou e cruzou os braços.

    - Bem, existem muitas seitas nesse mundo. – Recomeçou o arcebispo, ainda com seu semblante tranquilo. – E por muitos motivos. Tem pessoas que veem em sacerdotes malignos, por exemplo, significados de poder e conhecimento. Outros acreditam que os dragões são seres de pura eficiência mágica e por isso oram e cultuam-nos. A Ordem das Sombras em si possui vários membros que cultuam diversos deuses, seres e outros tipos de existências. Mas estamos sempre lidando com os que podem realmente trazer desgraças ao mundo.

    - No caso, vocês lutam pelo equilíbrio. – Kem perguntou interessado. Yuris debochou.

    - Se o equilíbrio não fosse mantido, não existiriam as ordens, não acha? – Sorriu para o loiro. – Nós somos pesquisadores do desconhecido, os destruidores do caos e pacificadores das criaturas. Nosso propósito é a harmonia com os seres e os mundos.

    - Embora isso falte para o líder idiota de vocês, né? – Retrucou Ilana, rispidamente.

    - Mas esses cultistas, teriam algo a ver com os tais generais das trevas? – Kem mais uma vez perguntou exibindo seu interesse. Yuris levantou uma sobrancelha ao ouvir o paladino, então ficou olhando para cima.

    - São as criaturas consideradas as mais importantes no contexto da Ordem. Foram as que mais trouxeram desgraças, criaram o caos e geraram discórdias. Os sete principais inimigos nossos. – Olhou para Kem, perplexo. – Mas como soube?

    - Eu possuo o diário da família Nelliw. – Disse Kem, sério. – E nesse diário tem relatos das mais variadas coisas. Mas somente meu pai e meu avô falaram de tais criaturas, sendo que uma delas é considerada o inimigo supremo da família.

    Yuris colocou os braços sobre a mesa, olhando para Kem e Aldora com um ar curioso. Ilana ficou atenta, mas com a demora dos três a responder, ela levantou-se e disse que iria ao banheiro, resmungando como os homens eram chatos. Quando ela saiu, Yuris fez uma careta e ficou mais sério.

    -Bem, como Dante já deve ter dito, os Nelliw têm seu nome escrito na história da Ordem. Eu não sei a relação deles com algum dos generais, mas sei que foram importantes no passado. – Olhou para Kem. – Mas os registros sobre eles foram apagados de uns tempos para cá. Dante provavelmente quer vocês dois dentro da Ordem para recuperar esses fatos.

    - Mas eu não irei para as sombras, nem o Aldora. – O paladino falava com convicção, mas Yuris sorriu para ele.

    - Bem, vocês decidem o destino de vocês. Mas já que estamos falando de um possível inimigo em comum... - Yuris voltou a ficar tranquilo e descontraído quando Ilana voltou resmungando para eles, rindo da garota que sentou no colo de Aldora sem querer, deixando os dois ruborizados. O criador levou um soco da algoz, que o chamava de aproveitador, por ela estar vendada. Kem e Yuris riram. Por fim, com os quatro em seus devidos lugares, Yuris continuou. – Nós estamos lidando com adeptos de Doppelganger.

    - O que aquele fantasminha inútil tem a ver com a gente, tarado? – Ilana encarava a mesa.

    - Ele é um dos generais. – Yuris falou. Kem ficou surpreso e Aldora teve que segurar a boca de Ilana por causa do grito indignado dela. O arcebispo prosseguiu. – E ele possui muitos adeptos. Eles acreditam que se libertarem Doppelganger, ele poderá trazer justiça aos humanos. Acreditam nisso, pois ele surgiu entre a guerra entre Geffenia, a terra dos elfos, e Glast Heim, a capital humana.

    - Mas Doppel é um ser fraco. – Aldora argumentou, ainda que um pouco confuso. – Ele é constantemente confrontado por fortes guerreiros e acaba derrotado, voltando depois de um tempo.

    - E isso já não é motivo para seus adoradores o libertarem? – Kem respondeu ao irmão. Yuris concordou.

    - Vocês devem saber que o termo Doppelganger é usado para uma aparição, uma duplicata de um ser que é gerada através de telecinese, energia psíquica e entre outros. Nós conhecemos o monstro Doppel e o chamamos assim por que ele assume a forma de sua vítima. Mas o fato é que existem muitos doppelgangers nesse mundo e vários tipos deles.

    - Eu não sabia disso. – O paladino encarou seu irmão com uma expressão confusa.

    - Devia estudar mais, mestre idiota. – Ilana resmungou rabugenta.

    - Bem, isso é uma teoria que muitos formulam dentro da ordem ocultista. – Yuris apontou para uma janela ao longe. –[color=#0000BF] É como se você visse uma pessoa aqui dentro e depois olhasse para fora e alguém idêntico a ele andasse por aí. A diferença é que esse Doppel usado na guerra é originalmente um demônio. E seus poderes permitiram que matasse e assumisse o lugar de várias pessoas. Acreditamos que esse ser que é considerado um espelho para seus adversários, que pode assumir a forma e ter acesso à mente do inimigo, ele pode ser muito mais que isso.

    - Nós estamos lidando com uma cópia mal feita. - Ilana falava ainda mal humorada.

    - Ou então estamos enfrentando um ser que pode voltar do além como uma duplicata de alguém. - Aldora sugeriu.

    - Errado. Nós da ordem acreditamos que estamos lidando com algo bem mais poderoso que isso. - Yuris desconsiderou as teorias e chamou a atenção deles. - Ele é um enviado da morte. O ser que mostra à vítima todos os seus erros, tudo em sua vida, e como um ser invejoso que é, toma a forma humana da sua vítima e a mata. - Ele falou em um tom assustador. Kem e Ilana se encolheram um pouco, e Aldora estava pensativo. Yuris continuou. - Mas graças a vários ocultistas da época, criaram uma barreira mágica e um selo de segurança em Geffenia e um segundo selamento para evitar a saída de monstros para a Torre.

    - Está dizendo que o lugar onde estávamos era...

    - Era Geffenia, mas a parte soterrada e coberta pelas trevas. – Yuris respondeu para Kem. – E o selamento impede tanto a saída de Doppel quanto a volta de seus poderes totais. Mas se os cultistas o libertarem, será muito difícil de conte-lo, já que pode ser quem quiser e onde quiser. O selo fora feito com sangue e magia negra, então é necessário o mesmo para rompê-lo. Naquele dia, eu cuidei para que o selo não fosse rompido enquanto Dante os distraía e mais alguns membros limpavam o local.

    - Que ótimo, temos mais problemas com pirados. – A algoz bateu na mesa de novo.

    - Mas agora sabemos com quem lidamos. – Aldora falou tranquilamente para eles. Por um tempo, ficaram sem falar nada, então Ilana balançou a cabeça e encarou Kem.

    - Ei, tarado, que houve entre você e seu filho mais tarado?

    Yuris ficou sério. Sua feição tranquila foi substituída por um olhar reprovador e que ao mesmo tempo preenchia seu rosto belo de tristeza e pesar. Abaixou o olhar por um tempo, deixando Aldora e seu irmão preocupado e receoso. Mas voltou a erguer a cabeça, ainda sério.

    - Pois bem...

    Enquanto Yuris iria contar a sua história com Eros, o sumo sacerdote caminha a passos firmes em direção a torre de Geffen. Seu olhar sério e determinado encarava o grande portão da torre, e então deu alguns passos para entrar no lugar.

    Vocês devem entender que Eros pode ser o que é, mas ele não deixa transparecer seu único desejo e pesar. Ele queria ser mais forte, muito mais do que eu. Ele queria salvar a pessoa que mais gostava e que culpa a mim pela sua morte. A pessoa mais importante pra ele e que também era pra mim, minha amada. A mãe de Eros.”




    Ruínas das Trevas - Primeiro Livro

    por Willen Leolatto Carneiro


      Capítulo IX - Luz paterna.




    - Antes de explicar o motivo do ódio dele, quer lhes mostrar uma coisa. – Yuris pegou uma faca do bolso e mostrou para Aldora e Kem. Ilana não podia enxergar por causa da venda, então ficou apenas quieta, atenta. Yuris cortou direto o pulso dele, e sangue jorrou na mesa, deixando muitos que estavam vendo a cena chocados. Aldora iria falar algo, mas o arcebispo interrompeu a ação dele, fazendo um sinal negativo. – Olhem.

    A ferida de Yuris começou a parar e sangrar, e uma luz forte saiu de seu pulso, como se o corpo do loiro fosse feito de luz. Rapidamente o corte começou a cicatrizar e fechar, deixando os espectadores boquiabertos.

    - Quando eu digo que sou o portador da luz, não é brincadeira. – Ele falou divertido. Estava rindo das feições de Kem e Aldora, chocados com a situação. Ilana procurava um lado para encarar. – Minha essência é puramente a luz. É algo mais do que o elemento sagrado que muitos conhecem, e eu a tenho desde a nascença.

    - Então é por isso que suas magias são mais fortes que o normal? – Aldora ainda estava perplexo.

    - Sim. Eu posso aumentar o poder sagrado conforme a minha vontade e manipular como eu quiser. – Yuris abaixou a cabeça um pouco. – E foi por isso que minha esposa morreu e Eros nunca me perdoou por isso.

    - Mas o que aconteceu? – O paladino inclinou o corpo para ouvir melhor.




    “Era uma noite fria aqui mesmo em Geffen. Soubemos de um caso atípico de posseção e a Ordem das Sombras havia me mandado. Eu já era o encarregado da primeira divisão de ritualística da ordem e era bem respeitado por isso, principalmente por Eros. Para ele, que era um noviço ainda da catedral de Prontera, eu era mais que um sumo sacerdote poderoso e que detinha a força da luz pura. Eu era seu pai!

    Minha esposa era também uma suma sacerdotisa de talento e trabalhava na seção de exorcismos da igreja. Eros tinha muito orgulho de nós e queria crescer como um exorcista como nós, e eu achava ele uma gracinha quando tentava pegar um pesado rosário e caia no chão. Mas aqueles dias se foram, assim como a noite fria que nos trouxe tristeza em Geffen.

    Nós três chegamos aqui e logo que entramos na estalagem fomos recebidos por gritos e terror. Eram cinco pessoas que estavam em descontrole completo da consciência e acabaram atraindo espíritos ruins para eles. Eros tem um dom maior que o meu, que é ver eles e conseguir subjugá-los sem precisar dos ritos, mas naquela época ele não tinha noção disso e me achava o melhor. E naquela noite, minha esposa tinha pegado um colar de contas enorme e traçou ao redor dos cinco possuídos que estavam presos no chão por uma magia de arquimago.

    Eu me dirigi até eles, joguei água benta, orei, recitei as palavras certas e fiz o que pude, mas eles estavam resistindo. Um deles escapou e viu Eros, tentando ir atrás dele. Minha esposa se atirou na frente e o braço da criatura atravessou o seu peito. Eros estava atrás dela e já estava chorando. Eu vi e tentei ir ajudá-la, mas se eu fizesse isso, os outros quatro se libertariam e seria quase impossível concluir o exorcismo.

    - Querido... – Ela falava, com sua vida esvaindo do corpo. - ... continue o exorcismo.

    - Jéssica! – Eu já não suportava mais vê-la daquele jeito. Eu era um exorcista, mas poderia salvá-la. Mas senti o selamento que minha esposa tinha feito começar a romper. Congelei no momento.

    - Mamãe...mamãe... – Eros gritava atrás dela. Jéssica virou o rosto para trás e sorriu para ele, mesmo com o braço em forte que havia perfurado seu corpo e sua alma, ainda mantinha aquele sorriso carinhoso para seu filho.


    De repente, ela olhou para mim com uma aura branca ao redor. Estava decidida, sorrindo com a decisão, e então se agarrou com força no corpo do homem que estava sob domínio espiritual muito forte.

    - Vamos, Yuris, termine com eles, eu vou cuidar deste. – Ela piscou para mim e então eu quase desabei. - Eu lamento não poder mais ficar com vocês, mas confio em você para cuidar de nosso filho.

    - Jéssica...não faça isso. – Meu rosto já estava encharcado e meus olhos vermelhos das lágrimas que escorriam. Quando dei um passo para ir até ela, a prisão feita com o seu colar começou a romper, então tive que usar toda a minha força para contê-los. Consegui prender os quatro com minha luz forte, mas ao olhar para trás, Jéssica e o homem já estavam sendo levados pela luz da Magnus Exorcismus. O homem gritava enquanto a luz o consumia, até que só restou o corpo de Jéssica tombando pesadamente no chão, sem vida.

    - Mamãe! – Eros gritou, e senti o coração dele se partindo, assim como o meu. Urrei naquela noite pela morte de minha esposa. Olhei com desprezo para os quatro possuídos na minha frente. Nunca havia sentido tamanha ira e ódio pelos seres humanos e pelas suas almas patéticas. Recitei as ultimas palavras deles.

    - Adoramus! – Um a um, era vaporizado de corpo e alma pelo enorme trovão de luz que descia do alto. A estalagem teve o teto destruído por causa disso. Muitos saíram assustados por causa da forte luz que emanava de mim, mas nenhum temor podia conter minha tristeza pela morte de Jéssica.

    Quanto tudo acabou, caí exausto ao lado do corpo dela. Estava sorrindo, mesmo com a sua morte. Eu acariciava seus cabelos, e chorava como uma criança inconsolada. Quando olhei para Eros, para buscar algum conforto, ele estava de pé, na frente do corpo da mãe. Olhava para nós, choroso.

    - Por que pai....

    - Filho... – Eu iria explicar o que aconteceu, mas as palavras dele foram as mais dolorosas que já havia ouvido.

    - Por que você não salvou minha mãe!”



    Yuris estava cabisbaixo. Mesmo que não quisesse que os outros o vessem daquela maneira, estava evitando chorar, ainda que por dentro sua alma gritasse a plenos pulmões o desespero guardado por anos. Kem, Aldora e Ilana estavam em silêncio. A algoz ficou chocada com o fato de Eros ter tido esse trauma, mesmo que diferente do dela, os deixando como iguais. O paladino pensou por um tempo.

    - Bem, sabemos como ele se sente. – Aldora quebrou o silêncio. – Todos nós. Mas você fez o certo, e Jéssica com certeza iria querer isso.

    - Eu sei, Al. – Yuris chamou o criador pelo apelido. – Mas temos um problema com isso agora.

    - Que problema? – Kem e Ilana falaram em uníssono.

    - Eros tem um plano maior por trás de seu ódio. Ele não me odeia por que não salvei Jéssica, talvez até tenha odiado, mas... – O rosto de Yuris ficou sério de repente e ele se levantou. Kem estranhou o movimento e ajudou Ilana para se levantar, e logo os quatro caminhavam depressa para a saída da taverna.

    - Mas o que está fazendo? – Ilana estava confusa, sendo puxada por Kem. – Que diabos...

    - O que aconteceu Yuris?

    - Eros sempre quis me superar. – Disse ele indo rapidamente até o centro da cidade. – Ele se lamenta por não ser forte na época para salvar a mãe dele.

    - Mas ele é um sumo sacerdote de suporte! – Aldora estava ao lado de Yuris. – Ele não é mais um exorcista.

    - Por isso mesmo. Ele se tornou um suporte para ajudar os seus mais próximos. Mas no fundo do coração dele, ele quer provar que é melhor que eu, e que vai superar a minha luz com a dele.

    Enquanto os quatro corriam para a torre de Geffen...




    Eros estava terminando de descer as escadas que davam até a Geffenia soterrada. Lá, inúmeros Pesadelos lhe aguardavam, mas havia também um grupo de homens usando capas, espadas e escudos vermelhos. Todos eles pararam e olharam para trás, distantes, para Eros.

    - O que ele está fazendo aqui? – Um deles perguntou. Estavam em grande número, e então Eros percebeu que estavam com três pessoas amarradas e amordaçadas no meio deles, todos nus e cobertos com um manto branco para cada. Eros estalou os dedos e ia lentamente até mais próximo dos grandes Pesadelos que separavam o grupo de Eros.

    - Eu sou Eros Ennin, o filho da Luz. – Ele apontou para si mesmo, com um olhar sério e altivo. – E vim aqui para expurgar vocês dessa terra!
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    Re: [Fanfic]Ruínas das Trevas - Primeiro Livro

    Mensagem  Willen em Qua Maio 18, 2011 3:29 am




    O céu estava nublado perto da cidade de Juno. Gotas finas garoavam com o vento que vinha forte em direção à cidade. Dentro do enorme observatório, em uma sala cheia de estantes atulhada de livros, com vários papéis esticados em cima de uma mesa enorme, Dante se aconchegava em uma cadeira em frente à alta lareira do seu quarto. Fitava a janela, onde era possível ver a chuva vinda do planalto ao longe, mas sua mente estava indo mais além. Entre os seus dedos, rodeava uma taça enchida até a metade com vinho.

    - Dervel! – Exclamou, suspirando. Imediatamente, as portas do seu quarto abriram e um homem de cabelos brancos entrou a passos largos. Era um arcano alto, de cabelos curtos e brancos, e seus olhos brilhavam como chamas azuis no quarto pouco iluminado. Ele se aproximou de Dante e ficou apoiado em um joelho no chão, como uma reverência.

    - Mandou me chamar, mestre Dante? – Sua voz era grave, opaca, mas tinha uma pontada de ânimo que lhe dava uma boa impressão. Dante continuou a olhar pela janela, se demorando a falar.

    - Dervel, meu amigo. Este mau tempo vai nos trazer frio, não acha? – Disse ele por fim, ainda admirando o retrato da natureza que se formava emoldurada pela janela. Dervel, no entanto, esperou alguns minutos e após entender o significado, assentiu.

    - Bons tempos virão depois, senhor Dante. – O arcano encarou a janela, para onde Dante olhava. O arquimago estava sério, tomou um gole de vinho e ajeitou seus óculos.

    - Talvez. – O arquimago abaixou os olhos e fitou o fogo. – Você sabe que os irmãos Nelliw são importantes para mim, não são? – Seu tom era de preocupação. Dervel se ergueu e ficou ao lado da cadeira, com uma expressão inabalada.

    - Para mim, não vejo utilidade em alguém que é a versão em miniatura de um demônio e no que consegue controlar a sua energia oculta. – Ele encarou a palma de sua própria mão. – Não vejo o porquê de querer tanto eles aqui.

    - É verdade. – Dante sorriu. Pensou por um tempo e continuou. – Mas é claro, essa escolha é deles. Embora eu deva muito a um velho amigo meu, ainda assim não sou dono do destino deles.

    Dante ficou encarando o fogo. Dervel estranhou o comentário do arquimago e ficou observando a janela. A tempestade havia chegado a Juno.

    - Eles estão acompanhados daquela garota, que dizem ser o coração mais gelado de Midgard. – Dante provocou Dervel, que o observou de lado. O arcano cerrou o punho.

    - Ledo engano deles. Nenhum coração mortal é mais gelado que o meu. – Seu tom era de severidade. Dante gargalhou baixo e esticou as mãos para o fogo.

    - Mas é claro. Quando falamos de corações frios, falamos dos amaldiçoados. – Mais uma vez, Dervel apertou o punho com o que Dante falava, mas nada fez. – E o dela parece ser bastante interessante. Ela possui a mesma doença que o jovem Nelliw, mas a essência dela é apenas gelo, diferente dele que controla o Éter. – Dante olhou para o arcano. – Ela será muito boa para você treinar.

    O arcano olhou irritado para o arquimago. Seu olho direito estava piscando e deixou mostrar seus dentes, rangendo-os. Dante deu um sorriso como resposta e então Dervel cedeu. Suspirou e cruzou seus braços, encarando o fogo também.

    - Você pensa muito a frente mesmo. – Dervel falava sério. Dante abaixou a cabeça e seus olhos ficaram escondidos por entre os cabelos negros e compridos que escorriam para frente de sua face.

    - E...tem mais uma coisa. – Ele falou em tom sombrio. Cruzou as pernas, largou sua taça de vinho em um pequeno suporte de madeira ao lado da lareira e entrelaçou suas mãos. Dervel o observou curioso. – É bem possível que nós vamos perder um valoroso aliado.

    - O que? -O arcano entrou em choque, mas rapidamente se recuperou. Suou frio por um tempo. – Dante, o que quer dizer com isso?

    - Você sabe que enviei Yuris até o local do selo de Doppelganger. Sua missão era travar aquele selo. Ele provavelmente encontrou aqueles jovens e estão indo combater o grupo Tormenta. – Dante falava mais sombrio. Estava pensativo e a cada palavra, se demorava mais para elaborar outra frase.

    - Yuris é um homem forte, e mesmo que os outros sejam jovens, também são fortes. – O arcano tentou contra argumentar, mas Dante balançou levemente sua cabeça.

    - O filho dele está lá também. – Dante disse finalmente, e então Dervel entendeu. – E ele disse que morreria por seu filho.

    - Mas então por que não manda reforços? Deixar jovens e um de nossos mais fortes amigos ir numa missão dessas? – Dervel esbravejou, mas o arquimago nada fez.

    - Ele disse que se fosse possível, queria fazer isso para mostrar ao seu filho, e pediu para ninguém o ajudar. – Dante continuou sombrio. Dervel estava um pouco abatido, mas entendeu o recado de Yuris. Dante se levantou e com sua antiga energia, olhou firme para Dervel. – Dervel, você vai agora para Glast Heim. Há negócios para se resolver lá.

    Dervel assentiu e se retirou da sala. Pegou alguns papéis que estavam na mesa de Dante e foi direto para fora. Dante abaixou a cabeça, pensativo, e colocou suas mãos para trás, indo até a janela. Ficou olhando as gotas pesadas baterem em sua janela, quando um raio rasgou os céus fazendo toda a cidade se iluminar, e o trovão rugiu e seu eco foi ouvido ao longe. O arquimago observava sério toda aquela tempestade cair sobre Juno.

    - Yuris, você mesmo escolheu o destino de morrer por sua família. Só assim encontraria a paz, é isso mesmo que você quer? – Seu pensamento se voltou para a imagem do arcebispo risonho que ainda estava correndo em direção à torre de Geffen, decidido a salvar seu filho. Era o mesmo pensamento que fervilhava na mente do Portador da Luz.




    Ruínas das Trevas - Primeiro Livro

    por Willen Leolatto Carneiro



      Capítulo X - O Coração mais Frio






    - Eles não vieram conosco. – Ignatyus havia chegado até onde estavam Kemaryus e um homem loiro sentado no sofá da Loja Valquírica. O homem estava vestido com uma armadura bem decorada, com placas de aço sobrepostas e uma malha por baixo. Seus cabelos loiros estavam amarrados em um pequeno rabo de cavalo em sua nuca. Descontraído, ele não demonstrou importância para os dois que acabaram de chegar.

    - Entendo. – Kemaryus arrumava sua mesa. Estava cheio de papéis e ele corria de um lado da sala até o outro para encontrar outros papéis. Por fim parou na frente do arquimago. – Sabe, eu sempre achei que Kem e Ilana eram um pouco perigosos, mas mesmo assim os mantive aqui. Mas Kem eu não posso ficar segurando para sempre.

    - Compreendo. Mas e sobre essa tal Ordem das Sombras? Devemos interferir? – Seu tom era calmo como sempre o viam. Kemaryus o encarou por um instante e então voltou à correria de seus documentos.

    - Por hora não. Ainda não há motivos para nos preocuparmos com isso. – Ele falava enquanto corria pela loja, mas ainda assim, continuava pensativo. – Ignatyus, eu e você vamos fazer uma viajem. Ayanne e Roen, quero que vocês vão até Glast Heim.

    - Glast Heim? – Roen, o loiro que estava sentado no sofá, protestou. – O que devemos fazer lá?

    - Houve uma movimentação muito suspeita por lá e Ayanne já havia sentido isso há tempos. – Kemaryus parou para encarar o grupo. Ayanne assentiu tranquilamente, enquanto Ignatyus seguia o Reitor na correria. Roen se levantou, ajeitou suas pesadas juntas metálicas e se dirigiu até a calma mestra.

    - Bem, vamos então? – Roen tinha uma feição jovem. Seu tipo lembrava Kem, mas ele possuía malícia nos olhos e era mais experiente com suas atitudes. Ayanne assentiu calma e saiu junto do Guardião Real. Ele assoviou e um grifo veio voando por entre as casas da cidade de Prontera, parando alguns metros à frente da saída. Ayanne ficou olhando calmamente o animal, que acenou gentilmente. – Razor, vamos nessa. Ayanne, pode montar nele.

    - Entendido. – A garota subiu em cima do animal, com Roen a sua frente segurando as rédeas. Ele esporeou o grifo que pegou velocidade no chão e saiu voando rapidamente por entre as casas, passando rasante por cima das pessoas que andavam pelas ruas.




    Dervel havia chegado rapidamente até a cidade em ruínas. Glast Heim era apenas uma ruína depois de tanto tempo, uma mera cidade fantasma do que antes era a capital de Rune-Midgard. Por muitos anos, a cidade abandonada passou a ser lar de seres demoníacos e espíritos malignos, mas graças às proteções feitas por vários sábios e ocultistas, uma barreira impedia sua saída da cidade, mas qualquer aventureiro tinha força suficiente para entrar sem problemas.

    O arcano andava lentamente pela cidade arruinada. Muitos aventureiros passavam por ele, indo ate o centro da cidade fantasma para caçar os monstros que lá havia. Dervel apenas observou as muralhas e o alto das paliçadas que foram construídas de forma magnífica no passado e não passavam de meros esqueletos do que já foi um dia naquele momento.

    Indo até seu centro, havia uma abadia antiga, onde eram presididas as missas e ritos antigos para o povo e o exército real que vivia ali na época de glória da cidade. Dervel subiu as escadas e entrou na abadia. O cheiro de podridão e morte rasgava as narinas de qualquer um que entrasse ali. Era possível sentir uma energia densa fluir do interior do lugar, e várias assombrações se mostravam para as pessoas que passavam, mas muitos eram derrotados pelos aventureiros. Andando por um tempo até mais fundo, outros seres esqueléticos e trajados de vermelho apareciam com um caixão em forma de cruz nas costas.

    Nenhum ser ousou tocar Dervel, que simplesmente passava calmamente por entre os caminhos tortuosos que se formaram depois de erodir. Alguns até tentavam a sorte de se aproximar dele, mas um olhar gélido de Dervel era capaz de persuadi-los a parar.

    Quando se aproximou de uma porta mediana que possuía degraus para o nível abaixo da abadia, Dervel parou. Ficou imóvel por um instante. Havia uma aura negra que vinha da porta, e logo o arcano percebeu que não era como normalmente acontecia. Ele deu mais um passo, mas antes que pudesse se mover, o chão tremeu.

    Vários dos aventureiros saíram correndo do local, as aparições se desfaziam no ar e os druidas malignos planavam para longe. Dervel percebeu uma movimentação estranha, mas não se mexeu.

    Cinco homens de preto saíram pelas sombras, cada um carregando imensos cajados com esferas luminosas nas pontas. Eles estavam envoltos em capas negras e capuzes que impediam Dervel de ver o rosto deles. Por baixo das capas, usavam apenas capotes negros bem trabalhados, e tinham o símbolo de uma lua fundida com o sol e um olho no centro.

    - Olha só, alguém não quis sair correndo. – Diziam um deles. Estavam cercando o arcano, que não fazia nada além de encará-los um pouco. Cada um tinha alguma coisa em sua capa que os diferenciava. Uma ombreira; três argolas presas na capa; um broche com um orbe luminoso; um crucifixo virado de cabeça para baixo; e uma imagem de arco e flecha presa na capa.

    - Saia daqui inseto. – Dizia o que possuía uma ombreira.

    - Você não vai incomodar nosso mestre. – O que possuía o crucifixo invertido trovejou para Dervel. O arcano encarou seriamente todos. Ficou rígido e mais sério.

    - Eu sou Dervel de Bergelmir. Se esse é vosso desejo, eu lutarei. – Disse formalmente. Sua calma e fria apresentação aqueceu os estranhos. Eles rugiram e saltaram para cima de Dervel com os cajados apontados para ele. Dervel apenas movimentou seu corpo um pouco e então tudo ficou branco.

    Rapidamente, os corpos dos cinco homens que avançavam congelaram e foram atravessados por espinhos de gelo. O ar gelado que saía de Dervel congelou grande parte da área onde estava e os milhares de pilares de gelo que cresciam ao seu redor se espalhavam por todos os lados. O chão, a parede e o teto estavam rachando devido ao frio e a força dos pilares de gelo, enquanto os cinco homens eram retalhados, caindo quebrados como o gelo. Os seus pedaços caíram esparramados no chão embranquecido pelo gelo e não passavam de carne fria.

    Dervel estava calmo e frio diante a imensidão branca que havia criado. Um homem apareceu da porta que já estava rachada devido ao frio e encarou o arcano e os seus companheiros mortos. Era um homem corpulento, vestindo o mesmo traje de seus aliados e tinha uma coroa negra acima do capuz. Tinha quase o dobro da altura de Dervel e então saiu correndo em disparada para cima do arcano.

    - Tolo, será obliterado por tal insolência! – Ele saiu gritando e tirou uma gigantesca lâmina das costas, correndo diretamente para o arcano. – Eu, Golias, vou parti-lo ao meio. Não há frio que me pare.

    Dervel não se mexeu. Quando o gigante mirou sua enorme espada na direção dele, o ar congelou ao redor de Dervel e congelou as pernas de Golias. O gigantesco corpanzil dele iria cair estatelando no chão, mas o gelo se acumulou e abaixo do gigante um pilar de gelo apontou maligno direto para o peito do homem. Golias teve seu peito trespassado pelo pilar de ponta afiada e gélida, mas ainda tentou brandir sua espada. Dervel então se virou para encarar o homem e viu seu rosto se aterrorizar. O arcano esquivou da espadada e se aproximou de Golias, temendo. Dervel então tocou a testa do homem, que sentiu como se mil agulhas rompessem sua cabeça. Sua pele começou a ficar pálida e fria, parecia que seus nervos também congelavam. O corpo do homem foi congelado rapidamente de dentro para fora e então se rachou, caindo aos pedaços no chão.

    - Vocês não podem parar a mim. Dervel, o “sangue de gelo! – E com esse rápido comentário, andou até a porta de acesso do segundo nível, deixando uma cena de horror gélido para trás. O homem com o coração mais gelado de Midgard estava em Glast Heim.
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    Re: [Fanfic]Ruínas das Trevas - Primeiro Livro

    Mensagem  Willen em Qua Maio 18, 2011 3:32 am




    O frio irrompeu escadaria abaixo. Dervel estava descendo as escadas lentamente e enquanto se dirigia para o andar abaixo da Abadia, congelava todas as aparições e sacerdotes malignos que surgiam pelo caminho. Eles congelavam ao menor toque com o ar frio de Dervel e caiam aos pedaços no chão.

    Quando o arcano estava em terra firme, vislumbrou mais sacerdotes malignos, e mais além, outros homens com capas negras. Os sacerdotes malignos eram humanos sacrificados que tiveram seus corpos possuídos por espectros, espíritos das trevas, e vagam no solo de Glast Heim. Eram muitos que vinham na direção dele. Estavam chegando perto quando o ar congelou e os que não foram congelados pareciam estar acometidos por uma terrível hipotermia.

    - Zero Absoluto! – O ar se tornou uma brisa gélida e então virou uma forte ventania congelante. Era impossível contar quantos sacerdotes estavam correndo até Dervel, mas isso foi insignificante para ele. – Esquifes de Gelo! – Sem ao menos mover um músculo, estacas e pilares enormes de gelo atravessaram o andar, destruindo os vários monstros congelados ou que estavam com movimento retardado.

    O arcano olhou para frente. Conseguiu enxergar os homens encapuzados ao longe, para o centro do local, e viu uma sombra enorme, gigantesca, aparecer lentamente no meio deles. Percebeu que estavam invocando algo e então começou a andar lentamente até eles.




    Ruínas das Trevas - Primeiro Livro

    por Willen Leolatto Carneiro



      Capítulo XI - As Sombras da Existência






    - Hmm, será que eles estão bem? - Ayanne refletia enquanto era carregada pelo grifo de Roen, Razor. O loiro estava guiando sua montaria, voando rasante por dentro das muralhas de Glast Heim, indo em direção da abadia. A ruiva apontou para dentro do local. – Foi ali que senti a agitação dias atrás.

    - Pode deixar. – Roen puxou as rédeas do seu grifo e o fez entrar na abadia. O lugar escuro não foi problema para o animal, que seguia firme no ar. Algumas vezes dava rápidas galopadas no chão para pegar impulso e planar por cima de alguma estrutura caída. – Devemos ir para o segundo nível? – O loiro estava sorridente.

    - Bem, acho que podíamos dar uma olhada. – A mestra estava um pouco receosa. Sua percepção espiritual estava agulhando sua cabeça. Havia alguma coisa muito poderosa no segundo nível. Quando estavam se aproximando, ficaram chocados com o que viram antes de descerem para o andar inferior.

    Grandes partes das paredes, do piso e do teto estavam rachadas e com gelo na superfície. Havia pedaços grossos de gelo no chão, mas o que deixou os dois ainda mais perplexos foi à quantidade de sangue no chão. Não estava líquida, e sim congelada. Os corpos estavam retalhados e conforme iam descongelado ficavam mais soltos e moles. Ayanne virou o rosto por um tempo, mas Roen desmontou do grifo e foi até os retalhos.

    - Hmm. – Ele pegou uma das partes sangrentas que ainda estava congelada. – É. Alguém esqueceu que lugar de fazer carne moída é no frigorífico de um açougue.

    - Para Roen. Não tem graça. – A mestra estava um pouco tensa. Nunca gostou de violência. Roen jogou fora o pedaço de carne humana, montou de volta em Razor e esporeou ele para descer ao nível inferior. Quando chegaram, encararam a mesma cena, mas era com os monstros e em maior quantidade. Ayanne estremeceu e Roen apenas ficou olhando. Deixaram Razor sentado na porta do andar e desmontaram da garupa do animal.

    - O que poderia ter feito isso? – Roen estava perplexo. Sacou sua lança e seu escudo em forma de cruz e colocou em suas costas. Os dois andaram um pouco e viram a enorme sombra no centro do cemitério que ficava abaixo da abadia. A ruiva começou a andar na direção da sombra, encarando-a sem piscar. O loiro a seguiu, mas percebeu a presença de pessoas no local e tentou segurar a mestra. – Ei, espera. – Sussurrou, sem sucesso. – Ayanne, espera...

    Quando Roen e Ayanne estavam chegando perto demais, mãos enluvadas foram postas na boca de ambos e então foram puxados para trás de uma parede. O arcano de cabelos brancos e olhos azuis profundos estava de costas para a parede, tentando ouvir a conversa dos estranhos, mas Ayanne e Roen estavam se debatendo e se soltaram. O guardião real puxou a lança.


    - Que é isso? Quem é você? – Roen e Ayanne já estavam se preparando para lutar, mas então o arcano fez um sinal para que fizessem silêncio. Roen estava prestes a protestar, mas a ruiva então colocou seu braço na frente do loiro e encarou o arcano.

    - Você matou aquelas pessoas lá em cima? – Ela perguntou lentamente. O arcano assentiu. – Mas por que não matou a mim e ao meu amigo? E quanto aos outros?

    - Vocês não são meus inimigos. – Dervel falou calmo para a garota. – E eu estou aqui para investigar os movimentos deles. Vocês não deveriam estar aqui.

    - Você é que não deveria... – Roen tentou protestar, mas Ayanne novamente fez sinal para que ele parasse.

    - Eu senti um poder imenso vindo daqui do cemitério. E era uma energia sombria. – Ela encarou a enorme sombra no meio dos vários homens encapuzados que faziam um círculo ao redor da monstruosa sombra. – A origem disso é aquilo que eles estão rodeando?

    - Bem observado. – Dervel voltou a se encostar-se à parede e olhar cautelosamente para os homens. Eles entoavam alguns cânticos, balançavam as mãos e contornavam um desenho ao redor da enorme sombra. O coro ficou mais forte e então a sombra tomou forma. – Isso é mal.

    - Mas que diabos é isso?- Roen não acreditava no que estava enxergando. A sombra havia tomado a forma do Senhor das Trevas e estava ficando mais nítida a cada minuto. – É gigantesco. Impossível, ele não tem essa altura. Eu já enfrentei ele tantas vezes...

    - Mas agora eles estão o fortalecendo, ainda que eles ainda não tenham desfeito o selo. – Dervel suava frio, mas continuava encarando o ser monstruoso ficar cada vez mais nítido no meio do grande círculo. Doze eram os homens que estavam lá no círculo, ainda entoando frases em várias línguas, e havia mais alguns espalhados ao redor, como guardas.

    - Eles querem libertar o Senhor das Trevas? – Ayanne falou baixo, preocupada.

    -Bem, se ele sair, será facilmente derrotado. – Roen falou confiante, mas Dervel o olhou, censurando-o.

    - Ele, selado aqui dentro, não tem o mesmo poder que no seu mundo, no mundo das trevas. – Dervel voltou a encarar a sombra cada vez mais vívida. – Acho que temos tempo para impedir aquele ritual. Não sei o que pretendem, mas se atacar agora talvez isso os impeça de concluírem.


    Dervel encarou os dois por um tempo. Ayanne concordou, mas o guardião real olhava incrédulo para os dois. Balançou a cabeça negativamente, suspirou e então olhou firme para Dervel.

    - Tudo bem, como faremos? – O loiro estava confiante.

    -Vocês podem distrair eles para mim? Se possível, desfaçam aquele círculo desenhado. – Dervel apontou para o círculo cuidadosamente desenhado no chão. – Eu vou derrubar a coisa.

    - Entendido! – A garota e o guardião real falaram em uníssono e saíram em disparada.

    Os guardas só perceberam que Roen e Ayanne haviam iniciado um ataque muito tarde. Foram mortos rapidamente por eles, que distribuíam socos e golpes precisos de lança. Os doze homens encapuzados que estavam concentrados no ritual perceberam a intrusão dos dois e então se dividiram. Seis homens corriam na direção da dupla.

    - Ayanne... – Roen apontou para os homens que vinham na direção deles. A mestra invocou cinco esferas luminosas que giravam ao redor dela. Roen brandiu sua lança e fagulhas vermelhas tomaram conta de seu braço, indo até a ponta da sua arma. – Vamos atacar com força!

    Quando um deles saltou por cima de Ayanne e tentou atacar suas costas, foi atirado longe pelo golpe de escudo de Roen. A mestra parou e se defendeu de um soco de outro homem, e começou a trocar golpes com ele. Outros dois continuavam mirando o guardião real, mas ele brandiu sua lança e estocou com precisão o abdômen de um deles. A ruiva socou com força o rosto de seu oponente e se dirigiu para o próximo, que vinha com grande velocidade apontando uma adaga para ela.

    Roen tirou o pesado corpo da ponta de sua lança e estocou o seu segundo oponente. A energia carregada em sua arma fez com que abrisse um rombo na barriga do homem, dividindo seu corpo em dois. Ayanne nocauteou mais um inimigo e só restavam os seis que estavam realizando o ritual. Eles olharam temerosos para o gigantesco Senhor das Trevas que estava começando a emanar uma energia negra e fitaram os dois oponentes. Dervel foi até onde Ayanne e Roen estavam calmamente.

    - Acertem o círculo! – Dervel ergueu as mãos e uma enorme muralha de gelo surgiu do outro lado do círculo, impedindo que os outros encapuzados tivessem uma rota de fuga. Ayanne fundiu suas esferas e segurou-as para trás, no meio de suas duas mãos.

    - Disparo de Esferas Espirituais. – A ruiva esticou seus braços com as mãos abertas e disparou a energia das esferas. A rajada de energia atingiu parte do círculo e também um dos ritualistas. Roen comemorou o tiro certeiro, mas Dervel continuou sério. O arcano olhava para a criatura, que continuava a emanar uma energia negra.

    Com o círculo destruído, o ritual cessou. Mas o monstro continuava no lugar e os homens de preto sacaram suas armas e começaram a gritar pela morte dos intrusos. Roen rapidamente liquidou com a vida do primeiro que foi na sua direção, enquanto a mestra nocauteava outro. Dervel balançou sua mão levemente e o restante congelou no ar, despedaçando logo em seguida por uma onda de pilares de gelo afiados.

    - Orra, você é bom com o gelo. – Roen olhou admirado para o arcano, mas não teve resposta. Dervel continuou observando. O chão onde continha o círculo estava todo revirado, e os desenhos não mais se completavam. Mas a criatura ainda estava ali.

    - O que pensa em fazer, arcano? – Ayanne se aproximou de Dervel e ficou encarando o Senhor das Trevas.

    - Se esse fosse um ritual de invocação, já deveria estar pronto. – O arcano por fim falou. Estava franzindo a testa. – E se fosse de rompimento de selo, necessitaria de sangue, mas ninguém foi sacrificado.

    - Então temos que matar essa coisa? – Perguntou Roen, preocupado.


    - Talvez. – Dervel ergueu seus braços, abertos e com calma. Esferas de um brilho azul muito forte saíram de seus braços e começaram a rodeá-lo. Cinco esferas estavam rodeando ele e o ar começou a ficar mais gelado. – Essa técnica é conhecida por usar os quatro elementos primordiais e criar uma verdadeira catástrofe. Mas arcanos experientes podem usar com o elemento que bem entender. – Ele fechou os braços, entrelaçando seus dedos à frente e erguendo ao alto. – Eu dei um nome mais apropriado e mais curto para essa técnica.

    Com os dedos entrelaçados e os braços erguidos, Dervel afastou as pernas um pouco e se firmou. O ar em volta dele começou a esfriar rapidamente, criando pequenas camadas de gelo em cima da pele de Roen e Ayanne. Eles se afastaram, pois o vento que saia do arcano estava fria demais. As esferas azuis rodeavam velozes ao redor da mão dele. O chão começou a ficar branco com o gelo.

    - Mas o que ele vai fazer? Que poder incrível! – Ayanne estava acostumada às demonstrações de poder, que julgava futilidades. Mas naquela hora, aquele arcano estava se mostrando muito mais forte do que aparentava ser.

    - E eu achando que transcender e expandir os limites já era o suficiente para mim! – O guardião real cobria o rosto, pois um vento muito forte começou a se espalhar conforme o arcano juntava suas forças. Ele encarou o Senhor das Trevas e então abaixou o braço com força e velocidade.

    -Execução Gélida! – Dervel urrou. Ele desceu seu braço e de suas mãos as esferas se juntaram e foram disparadas na direção do Senhor das Trevas. Tamanha foi à força e a energia que ao disparar as esferas azuis, uma onda de gelo percorreu o mesmo caminho que a magia, e a terra abaixo se congelava. O enorme corpo do Senhor das Trevas recebeu o impacto azulado e então a magia desencadeou uma enorme energia que se tornou uma enorme tempestade de gelo, água e a fúria de uma nevasca poderosa, envolvendo todo o corpo do monstro.

    Ayanne quase foi atirada para trás por causa da imensidão do choque mágico. Roen a segurou pelo braço e ficou observando Dervel manter a magia. O turbilhão de gelo que envolvia o monstro girava intensamente, cobrindo tudo com gelo e criando uma tempestade em seu interior. O arcano encarou sua magia mais destrutiva e a fez atingir em cheio o Senhor das Trevas e então percebeu que algo estava errado. O enorme ser começou a se desfazer rapidamente, voltando ao estado de sombra e sendo consumido pelo turbilhão caótico da Execução Gélida de Dervel. Ele percebeu que havia um macabro sorriso no que era para ser o crânio da criatura.

    A magia finalmente se consumiu, e a energia negra subiu ao alto, se dissipando no ar. O vendo gélido rapidamente foi diminuindo sua corrente e logo não havia mais o frio intenso, exceto pelo ar constantemente gelado ao redor de Dervel. Roen ajudou a mestra a se levantar e se dirigiu ao arcano.

    - Você o destruiu? – Perguntou o guardião real, mas ele balançou negativamente. Ficou encarando o nada a sua frente.

    - Seja lá o que eles queriam ter feito, quase conseguiram. – Ele fitou a área vazia à frente e então encarou o loiro. – Devo ir à torre de Geffen imediatamente. - Dervel começou a caminhar em direção à saída, mas percebeu que estava sendo seguido.

    - Nós vamos com você. Nossos amigos podem estar lá. – Ayanne falou pelos dois e recebeu um olhar perplexo do arcano.

    - Vocês conhecem os irmãos Nelliw? – Ele levantou uma sobrancelha. O loiro e a mestra assentiram.

    - Conhecemos bem Kem, mas o irmão dele é um pouco mais recluso. – A ruiva continuou intrigada. Dervel pensou por um tempo e então os encarou de volta.

    - Então vocês vêm comigo, os seus amigos pode estar correndo perigo.

    Dervel correu para a saída, onde Razor esperava por seu domador e por Ayanne. Os dois montaram no grifo e rapidamente saíram da Abadia. Dervel correu para fora da abadia e esmagou uma asa de borboleta. Sua visão ficou nublada e sentiu ficar sem chão, mas então se sentiu novamente em terra firme, olhando para a torre de Geffen à sua frente. Era hora de ajudar Yuris.

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    Re: [Fanfic]Ruínas das Trevas - Primeiro Livro

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      Data/hora atual: Seg Maio 21, 2018 4:35 pm