[Fanfic]Ruínas das Trevas - Primeiro Livro

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    Re: [Fanfic]Ruínas das Trevas - Primeiro Livro

    Mensagem  Willen em Sex Maio 20, 2011 3:25 am




    - Mas que droga! – Eros havia se esquivado de um ataque violento de um mestre-ferreiro de capa vermelha. O sumo sacerdote havia descido sozinho até o primeiro nível do calabouço da torre de Geffen e encontrou o grupo de seguidores de Doppelganger. Mas ao iniciar o combate, descobriu que nada poderia fazer. Eram muitos e tinham muito mais força. O homem gargalhou ao ver o loiro escapando como podia.

    - É só um garoto ainda. Desconhece da vida miserável que leva. – Ele gargalhava a cada golpe que tentava acertar em Eros. O grupo de cultistas ria das investidas dadas pelo seu companheiro à distância.

    O sumo sacerdote já havia recebido um golpe de raspão no seu antebraço e tentava a todo custo esquivar dos golpes do encapuzado. Saltava de um lado para o outro, arriscando-se à lâmina afiada do machado enorme que o homem carregava.

    - Até que esse moleque tem fibra. – Dizia um dos homens no grupo. – Ele se diz filho da luz, mas a sua vida vai se apagar rapidamente. Acabe logo com ele, Bradley.

    - Esse insetinho vai sentir a fúria do machado de Bradley. – E com um urro feroz, a lâmina do machado ficou vermelha e acelerou. Eros não conseguiu antecipar o golpe e a lâmina cravou firme em seu abdômen.

    - Droga, ele aumentou demais a velocidade. – Os pensamentos de Eros bombardeavam sua mente rapidamente. Viu seu sangue jorrar do ferimento que, mesmo não sendo fatal, foi aberto pelo golpe. Os cultistas gritaram insultos e urraram pela vitória. Bradley era alto, forte e tinha um rosto duro e opaco. Encarou o sumo sacerdote se encolher sobre os joelhos e cuspir sangue.

    - Você teve sorte garoto, mas sorte não é o suficiente. – Bradley brandiu mais uma vez seu machado, e o fez em uma velocidade espantosa. Eros percebeu a lâmina acelerar e então saltou. O esforço fez a ferida se abrir mais em sua barriga, o sangue jorrou de novo e ele sentiu uma dor terrível. O braço do mestre-ferreiro passou por baixo de Eros, segurando o machado, e então viu que o sumo sacerdote girou o corpo na direção de seu rosto, acertando um forte chute que o derrubou.

    Quando caiu, Eros se dobrou de dor e ficou observando Bradley também cair de joelhos e cobrir o rosto com as mãos. O loiro estava com muito sangue saindo de sua barriga e estava tossindo uma grande quantidade também. Sua visão estava começando a ficar turva. Os outros homens ficaram impressionados com o movimento de Eros, o que motivou a lançar insultos e incitar Bradley a matar logo ele.

    - “Acho que não foi uma boa ideia. Não tenho a luz em mim como ele...” – O pensamento de Eros foi interrompido pela dor que agulhou seu corpo. Estava prestes a tombar. Bradley levantou furioso e pegou seu machado.

    - Seu teimoso. Tão perto da morte e continua a me insultar assim. – O mestre ferreiro ergueu seu machado ao alto. – Vai pagar pela sua teimosia.

    Ele baixou o braço com violência e o machado mirava o pescoço de Eros, que apenas fechou os olhos. Porém, algo impediu Bradley de matar Eros. O sumo sacerdote abriu os olhos e viu que a área ao seu redor estava se iluminando, e então olhou para o alto e entendeu o que havia acontecido. O machado de Bradley foi interrompido por um escudo que girava no ar e bloqueava o golpe. Logo atrás, o loiro ouviu passos de pessoas se aproximando e de repente tudo ficou iluminado.

    - Gemini... – Um homem de cabelos compridos e loiros, roupa de arcebispo com peças douradas cobrindo parte dele e com os punhos envoltos em esferas luminosas, passou em disparada se aproximando dos dois. -... Lumem!

    Yuris desferiu um poderoso soco no rosto do mestre ferreiro, que foi arremessado longe. Logo atrás do arcebispo, Kem, Ilana e Aldora chegaram correndo até Eros, o ajudando a levantar. Yuris olhou para o filho e então tomou posição de combate para lutar. Seus punhos ainda estavam embebidos nas duas esferas de luz.

    - Curar! – Eros aproveitou o momento para fechar sua ferida usando sua magia. – Nunca pensei que viria.

    - Bobagem. Sabia sim! – Seu pai não o encarou, mas tinha um sorriso no rosto. Kem sacou seu escudo e espada. Aldora estava com um broquel e uma lâmina longa. Ilana tinha em suas mãos um par de katares afiadas. O sumo sacerdote ficou em pé, parado. – Se puder, nos de suporte. –Disse Yuris, surpreendendo Eros.




    Ruínas das Trevas - Primeiro Livro

    por Willen Leolatto Carneiro



      Capítulo XII - Inesperados Encontros






    Dervel estava observando a torre de Geffen,sério. Estava pensando no seu amigo que estava em seu calabouço. As pessoas passavam por ele e se encolhiam de frio conforme se aproximavam. Algumas chegavam a comentar que o tempo estava esfriando, ou encaravam o arcano com um pouco de medo por causa de seus olhos frios. Uma criadora se aproximou dele, espirrando.

    - Ei, esfriadinho! – A garota tinha cabelos loiros, logos e repicados. Um homúnculo alto e com folhas vermelhas seguia a criadora. – Esfriadinho! Você poderia parar de ser tão incômodo assim alguma vez?

    A criadora e sua Lief se aproximaram de Dervel. Ele olhou de canto para ela. Era bonita, tinha um olhar sereno e uma juventude alegre em seu rosto. Puxava um carrinho de madeira decorado com flores.

    - Você veio para cá a pedido do Dante? – Dervel voltou a encarar a torre. A criadora espirrou e tremia um pouco de frio, exagerando em sua encenação.

    - Acha mesmo que viria acabar do seu lado por gostar do frio? – Ela falou um pouco trêmula e espirrou. Dervel não se mexeu. – Ele tinha que me mandar justo para cá!

    A garota continuou espirrando. A sua Lief se aconchegou ao lado dela e ficou observando a torre, tal como Dervel. Não demorou muito e o som de asas chamou a atenção dos dois. Roen e Ayanne estavam pousando com o grifo do guardião real à frente da fonte da cidade. Os dois desmontaram do animal e se aproximaram do arcano.

    - Ei, que bom que nos esperou. Nós devemos...- Roen parou e olhou para a criadora. Ela devolveu o olhar, um pouco confusa com a aparição do loiro. Ela então ergueu a sobrancelha e foi se afastando lentamente. – Eu conheço você! - O guardião estava sério. Encarou a criadora por alguns instantes. A mestra também encarava, mas estava igualmente perplexa. Roen se aproximou da garota e ficou à sua frente. – Sahh! Você mudou bastante.

    - Er... – A criadora virou um pouco o rosto, parecendo sem jeito. Depois olhou rápido para os lados e começou a rir, colocando a mão atrás da cabeça. – Bem, eu tive que fazer algumas coisas.

    -Hmm, sei!- O guardião real cruzou os braços e ficou de lado, desconfiado. Ayanne se aproximou e baixou a cabeça em sinal de cumprimento. Sorria levemente para a loira. – E então o que ta fazendo por aqui?

    - Ela faz parte da Ordem das Sombras. – Dervel falou, interrompendo os pensamentos dos outros.

    - É? – Roen olhou mais desconfiado para ela. – Você saiu da Ordem das Valquírias para se unir com estranhos?

    - Não, não. – Sahh balançava cabeça negativamente e estava com as mãos frente ao corpo. Lief balançava seriamente a cabeça positivamente. – Sabe o que é? Aconteceram tantas coisas e eu...

    - E agora quer pedir desculpas com Kem, é isso? – Roen apontou o dedo direto para o rosto da garota. Ela parou de encenar e ficou encarando confusa para o loiro.

    - Kem? – Se perguntou baixinho. Arregalou os olhos e encarou Roen. – Ele está aqui? – Apontava desesperadamente em direção à torre de Geffen. – Ele ta lá dentro?

    - É por isso que estamos aqui. – Dervel ainda encarava o centro da cidade, de braços cruzados.

    - Não! – Ela falou entoando por um longo tempo. Colocou uma das mãos apoiada na sua testa e fechava os olhos dramaticamente. O homúnculo estava com uma das mãos na cintura e a outra balançando de forma a debochar a atitude da sua dona. Estava com uma feição de tédio no rosto, enquanto Sahh encenava. – Dante é cruel, patife, desgraçado. Ele quer me mandar direto para as minhas raízes e também enfrentar aquele homem que pode estar com raiva de mim por toda a eternidade. - Sahh caiu de joelhos no chão, com uma das mãos espalmada para o alto e a outra fechada rente ao seu peito. – Ó destino trágico, vida tirana. – Ela virou-se e abraçou as pernas do arcano, que ficou imóvel. – Dervel, você sabia dessa trama?

    Ele não respondeu. Uma camada de gelo cobriu a garota e a deixou pasma em meio ao gelo. Dervel se desvencilhou do abraço de Sahh e ela então rachou o gelo caindo no chão. Ayanne olhava preocupada para a torre, enquanto Roen balançava a cabeça e a apoiava com a mão. A criadora levantou-se lentamente, sacudindo a cabeça e espirrando de novo.

    -Não precisa ser tão dramática, Sahh. – Roen falava com pesar. Os olhos de Sahh brilharam por um momento e ela se virou, triunfante para o centro da cidade.

    - Tem razão. Está na hora de encarar meus desafios e passar por cima. – Ela colocou as mãos na cintura e dava uma gargalhada enquanto a Lief afundava seu rosto nas mãos e ficava decepcionada. Dervel encarou a criadora e então começou a andar na direção da torre. Roen e Ayanne o seguiram, até que Sahh se deu conta de que estava para trás. – Ei, ei, me esperem. Ah não. – Ela puxou as mangas para cima e agarrou a haste do seu carrinho com Lief a seguindo. Estavam indo atrás do grupo que encarava os desafios no calabouço da torre.





    - Vocês não ousariam enfrentar nós todos. – Dizia um dos encapuzados ao longe. Estavam em maior número e já estavam perto da entrada para o segundo nível do calabouço.

    - Vamos atrás deles. – Rugiu Kem, mas o braço de Yuris passou a frente dele. O arcebispo estava calmo e encarou os demais.

    - Eu posso cuidar dessa tarefa. – Falou, confiante.

    - Sai daí, pai do tarado. A gente trucida eles rapidinho. – Ilana tinha sacado suas katares e estava pronta para avançar, mas novamente Yuris ficou na frente.

    - Vocês não estão entre os escolhidos para virem até a morada de nosso senhor. – Uma voz ecoou na escuridão e chamou a atenção de todos. Era grave, profunda e soava de todas as direções. Yuris tentou localizar a origem da voz, mas era impossível. Vultos começaram a se movimentar no teto e então três sombras desceram rapidamente, ficando no caminho entre os cultistas e o grupo de Kem. Das três sombras saíram dois homens vestindo mantos negros e uma mulher com um vestido comprido de seda preta. O que estava no meio tinha um cabelo comprido e negro, olhos finos e barba rala. – Não deveriam interferir. – Finalmente a voz foi ouvida da origem.

    - Quem são vocês? – Aldora perguntou com impaciência. O homem que estava no meio fez uma reverência e abaixou a cabeça.

    - Sou Prince, o guerreiro so sol de Tormenta. – Ele apontou para os outros companheiros. – Estes são Pierce, guerreiro da estrela. E esta é Amélia, a guerreira da lua. – A mulher tinha cabelos longos e negros. Usava um vestido de seda comprido e tinha um colar com o desenho de uma lua. Era bela, mas sua aparência era ofuscada pela aura sombria que emanava dela. O segundo homem tinha cabelos negros e o rosto era parecido com o de Prince. Mas tinha uma malícia em seu olhar que o diferenciava do tom altivo do outro.

    - Não queremos saber se vocês são os bichinhos da couve. – Ilana reagiu irritada. Ela apontou a katar para Prince. – Vocês não passam de lixo.

    - Olha como fala, cadela. – Pierce deu um passo à frente e sacou duas adagas. Eram lâminas grossas e bem afiadas, com empunhaduras envoltas em couro. Ele girou uma e apontou para Ilana. – Não gosto de cadelas que só latem.

    - Acalme-se, Pierce. – Prince, em tom calmo, chamou a atenção do seu companheiro. O jovem bufou e guardou as suas adagas, resmungando. Prince tornou a olhar para Yuris. – Eu lhe conheço. É Yuris Ennin, que é regido pela energia de Helgi, filho de Balder.

    - O prazer é todo meu. – Disse o arcebispo, coçando a nuca. Eros deu um tapa em sua própria testa.

    - Agora não é hora de trocar prazeres, pai. – Eros balançava os braços para o alto, indignado. Seu pai o encarou e gargalhou vendo seu filho estar menos tenso perto dele. Yuris voltou a olhar para o trio.

    - Heh, vocês são pai e filho mesmo. Têm a mesma beleza. – Amélia, a mulher que estava ao lado de Prince se curvou para frente e ficou encarando Eros. Ela lambeu os lábios. – São dois homens bonitos.

    - Ah, mas é claro que eu sou lindo, maravilhoso e gostoso. – Eros coçou a cabeça com um riso forçado, mas levou um soco de Ilana, Kem e Aldora.

    - Não é hora para isso, Eros! – Falaram em uníssono e com feições irritadas.

    Os grupos se encararam. Prince finalmente se virou para encarar os cultistas. Ergueu um dos braços e apontou para a entrada do segundo piso. Todos eles assentiram e, obedientemente, começaram a se direcionar para o andar abaixo. Somente três dos vários homens ficaram para trás, sacando espadas, cajados e arcos. Yuris deu um passo à frente e olhou firme para os três oponentes.

    - O que é Tormenta? – Perguntou. Prince virou-se e encarou o arcebispo. Os dois tinham a mesma altura e mesmo à distância estavam com os olhos paralelos.

    - Nós somos aqueles que guiam os ideais de outros seres. – Prince falava com autoridade. – Nossos mestres têm um propósito maior para esta terra que os deuses abandonaram. Tormenta é o estado caótico que o indivíduo alcança quando não tem limites, e nós representamos este estado para buscar os nossos senhores.

    - Absurdo! – Kem estava encarando o homem. Segurava com força a empunhadura de sua espada e a alça de couro de seu escudo. – Isso é uma ideia sem sentido!


    Prince sorriu para Kem. O loiro estranhou o ato e deu um passo para trás. Ele abriu a boca e falou tão baixo que ninguém pode entender e repente, o trio foi envolto por uma fumaça negra e voaram alto, fundindo-se à escuridão. Mais uma vez, o som ecoou de todos os lados.

    - Vocês não compreendem toda a complexa ordem desse mundo. – Todos erguiam as cabeças para tentar enxergar um ponto móvel. Mas as sombras já não se moviam livremente. – Dalerius! Sathi! Guliver! Acabem com esses intrusos.

    Os três homens encapuzados deram um passo à frente e revelaram seus rostos. Dalerius tinha uma espada gigantesca e era alto, corpulento e tinha os cabelos amarrados em tranças. Sathi carregava um cajado de duas mãos, comprido. Tinha o rosto fino e cabelos azuis escuros. Guliver era o menor deles, mas carregava um arco reforçado e deixava uma selvagem barba crescer, de modo que seu cabelo castanho curto e seus olhos pequenos lhe davam o ar de alto posto militar.

    - Kem? – Uma nova voz feminina ecoou no andar escuro. Eros e Aldora se entreolharam e fitaram Kem. O loiro havia paralisado. Ilana estremeceu e balançou a cabeça novamente enquanto Yuris olhava para trás e reconheceu Dervel vindo com mais três pessoas. Roen e Ayanne corriam para encontrar o grupo, mas uma garota loira, bela e de olhos azulados ficou distante. Kem finalmente se virou, sério.

    Um choque de olhares e emoções percorreu o ar quando Kem olhou direto nos olhos de Sahh. Ele acreditava que ela tivesse morrido tempos atrás, mas mesmo assim vagava a procura dela. Estavam frente a frente naquele lugar e se encaravam. O paladino não acreditava no que estava vendo e a criadora tentava se manter firme enquanto encarava Kem. Sahh cerrou os punhos e começou a andar lentamente até o grupo. Engoliu em seco e mudou sua feição de tranquilidade para seriedade.

    - Sabrina! – Kem segurou firme a empunhadura da espada e a alça do escudo. Não prestou mais a atenção na luta que se seguiria. Os três inimigos se aproximavam lentamente. Dervel e Yuris se posicionavam para lutar. Ilana desacreditou no ato do paladino e também ficou em posição de ataque. Aldora, Eros, Ayanne e Roen estavam juntos, se perguntando o que aconteceria a seguir. Mas o paladino tinha olhos apenas para a criadora. E naquele momento, não havia mais lutas para ele, e seu coração sentiu a apunhalada direta em suas emoções.
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    Re: [Fanfic]Ruínas das Trevas - Primeiro Livro

    Mensagem  Willen em Qua Jun 01, 2011 9:20 am




    Não havia som nem cores e muito menos algo que tirasse a atenção do paladino, que encarava seriamente a criadora. Os dois travaram os olhares e nenhum deles se mexia. O mundo havia parado para eles. Porém, Kem foi golpeado por Ilana, que dera um forte soco em sua nuca.

    - Presta atenção, mestre idiota! – O soco foi forte o suficiente para fazer a cabeça de Kem zunir. Sahh também foi tirada do choque com a movimentação brusca.

    - Ai! Espera poxa... – O loiro estava segurando firme onde levara o golpe da garota, mas quando olhou para trás, percebeu o que se passava. Dervel e Yuris se encarregaram de proteger o grupo com uma muralha de gelo e uma luz muito forte, porém, o arquimago inimigo havia soltado uma tempestade de raios por cima deles, o que fez Aldora e Eros pularem para longe. Roen e Ayanne, que estavam chegando perto, tiveram de recuar alguns passos para não serem atingidos.

    Os relâmpagos estavam desencadeando para cima de Kem e Ilana. A algoz criou um esconderijo rápido, mas Kem ficou parado. Quando iria atingi-lo, usou o escudo para cobrir seu corpo e evitar a descarga. Sahh estremeceu e se adiantou para mais perto do grupo.

    - Kem! – Gritou a garota ao ver o loiro ser atingido pela descarga elétrica, cerrou o punho contra o peito e ficou apenas olhando o paladino brandir o escudo para dispersar o raio.

    - Um raio desses não vai me ferir. – Kem falou confiante.

    - Preste atenção! – Advertiu Eros, que apontava para Kem. Assim que apontou o dedo par ao loiro, uma aura esverdeada pairou na frente do paladino como se fosse uma nuvem, bloqueando uma flecha que fora atirada. O ataque estava rápido. Dervel bloqueou a passagem do lorde que estava avançando, mas a flecha e as magias do arquimago inimigo passaram por cima da defesa deles.

    - Kem, fique atento. Não vamos ficar cuidando de você. – Dervel falou de costas para o paladino. Kem coçou a cabeça e observou mais uma flecha ser disparada, passando pela barreira de gelo. Kem ergueu o escudo e uma aura prateada o rodeou, impedindo a flecha de atravessar o escudo.

    - Filho da mãe! – Urrou o caçador. Ele esticou o braço para pegar mais uma flecha, mas Ilana de repente o surpreendeu aparecendo por trás. Ela atravessou o corpo dele várias vezes com golpes de sua katar. Dervel desfez a muralha de gelo e ficou frente a frente com o lorde. Os dois se encararam e então o homem avançou, erguendo sua espada ao alto. O arcano calmamente levantou as mãos e o corpo do lorde congelou no ar.

    Dervel ergueu a mão, como se fosse uma lâmina, e a baixou com força. Uma onda de gelo atravessou o chão e também o corpo do lorde. Aos pedaços, o corpo do homem caiu branco de gelo em cima do piso rachado.

    - Mas o que ele fez? – O arquimago encarou Dervel, temeroso. – Não pode ser. Como você fez isso?

    - Não se preocupe em como eu fiz a minha magia. – Dervel encarou seriamente o arquimago. – E sim naquilo que posso fazer com você.

    - Dervel, se apresse. – Yuris alertou o arcano. Mas ele apenas olhava o arquimago. Os olhos dele tremiam diante a visão do poderoso arcano de cabelos brancos, mas então ergueu a mão e uma esfera de raios se formou.

    - Você é um monstro peçonhento. Deve morrer! – O homem gritou desesperado.

    - Vamos lá! – Roen e Kem gritaram em uníssono. Sahh continuava encarando o loiro enquanto ele e o guardião real sacavam seus escudos e arremessavam frenéticos contra o arquimago. – Choque Rápido! - Os escudos giraram e foram arremessados para cima do homem. Ele foi atingido direto no peito e no rosto enquanto conjurava seu Trovão de Júpiter. Os escudos bateram com violência e continuavam girando, o acertando mais vezes, até que voltaram para as mãos do dono. O choque dos escudos havia quebrado os ossos do tronco e deslocado o pescoço. O inimigo caiu morto, e o grupo partiu para o segundo nível.




    Ruínas das Trevas - Primeiro Livro

    por Willen Leolatto Carneiro



      Capítulo XIII - Ódio, conflito e sacrifício!






    - Foi o meu escudo que derrotou ele. Eu acabo com a raça de qualquer um desses malucos. – Roen apontou para si mesmo em vanglória. Ayanne apenas suspirou, Dervel e Yuris estavam conversando mais à frente do grupo que se dirigia lentamente até o segundo nível. Aldora e Eros caminhavam e derrotavam algum monstro que viesse ao encontro deles, mas Kem estava mais afastado do grupo, e mais longe estava Sahh.

    Os dois trocavam olhares rápidos enquanto andavam. Reiki, a Lif que seguia sua dona, estava sentada no carrinho, balançando as pernas enquanto era levada pela criadora. Sahh estava com o punho cerrado e a cabeça baixa. Kem então se aproximou dela.

    - Eu achei que estivesse morta. – Disse ele em tom apático. Mas Sahh virou o rosto, nervosa.

    - É, deve ter achado, mas não estou! – Retrucou.

    - E onde é que você esteve? – Kem perguntou, com um tom mais sério.

    - Agora que eu estou aqui você quer saber onde eu estive, não é? – Sahh continuou com o rosto virado, mas apertava mais firme sua mão.

    - O que custa então me avisar? – O loiro estava falando baixo, mas irritado – Ignatyus havia dito que você estava morta, mas depois a Juli disse que estava viva, mas escondida. Por quê?

    - Olha Kem... – A loira encarou o paladino. – Talvez se você ligasse para mim teria me procurado depois de saber disso.

    - Por Odin, eu procurei! – Kem estava falando com o tom de voz normal, mas visivelmente irritado. – Eu fui até o inferno para tentar barganhar com a rainha dos mortos... - O loiro suspirou. – E então...

    - Então você viu que eu não estava lá, e não procurou mais. – Sahh olhou irritada para o paladino. – Nossa como você se preocupa comigo. – Disse com um tom sarcástico e cruzando os braços. Reiki sentiu a parada brusca do carrinho e viu a garota e o paladino seguirem discutindo. Ela brandiu os braços, com uma feição irritada, mas sem sucesso. Pegou o carrinho e o puxou de cara emburrada.

    - O que mais queria que eu fizesse? – Kem parou na frente da criadora.

    - Ora, poderia pelo menos não ter dito que me odiava! – Sahh parou e esticou os dois braços para baixo, forçando o corpo a ficar rígido e tentando ameaçar o loiro. Ela estava irritada também e mesmo sendo um pouco mais baixa do que Kem, ela mostrava uma reação à altura.

    - Eu disse por que odiava seu comportamento. Você não me dava valor. Dizia que me amava, mas me tratava como qualquer um enquanto eu me dedicava. – Kem se posicionou a frente dela. O grupo parou ao ouvir os dois discutindo.

    - Se dedicava? – A loira colocou uma das mãos na testa, encenando. – Oh, vida! Eu lhe pedi ajuda para que eu pudesse ficar mais forte, mas você sempre negava. – Ela encenou, imitando a pose do Kem de ficar rígido e ereto, com uma mão junto ao corpo e os olhos fechados em devoção. Ela forçou a voz para sair mais grave. – “Ah, eu estou ocupado”. “Preciso ficar mais forte e não posso te ajudar”. – Ela esticou o corpo novamente, ficando mais próxima do Kem. – Seu arrogante. E ainda dizem que quando voltou do inferno você havia mudado.

    - Deixa de ser infantil, Sahh! – Kem urrou para a garota. A criadora agarrou as bochechas de Kem e começou a puxá-las com força, e em resposta o paladino puxou os cabelos dela.

    - Mas que coisa. Não é hora para brigas de casal. – Yuris viu a situação inusitada dos dois. O grupo parou e ficou observando atentamente, com exceção de Dervel que ainda caminhava. Ilana balançava a cabeça xingando o seu mestre enquanto o restante fazia o mesmo comentário que Yuris em meio às risadas. – Vocês podem discutir a relação mais tarde e...

    - Não somos um casal! – Kem e Sahh se viraram e gritaram em uníssono para o arcebispo. Ele deu alguns passos para trás. Roen estava rindo muito, assim como Eros. Kem e Sahh perceberam que agiram como uma suposta dupla e voltaram a se encarar em fúria, colando as testas e grunhindo um contra o outro.

    -Chega! – Uma onda de gelo foi jogada entre Sahh e Kem por Dervel. Ele estava distante do grupo e com a mão erguida. O paladino e a criadora foram forçados a deixar um espaço entre eles por causa do gelo. – Chega de discutir a relação de vocês. Temos coisas mais importantes a fazer aqui.

    Os loiros ficaram emburrados e cruzaram os braços, olhando para lados opostos. Roen apertava as mãos na barriga enquanto ria da cena. Aldora coçava a nuca, sem graça com os comentários de Eros sobre a relação de Kem e Sahh. Ilana apertava ficou reclamando sobre a idiotice de seu mestre para Ayanne, que apenas mantinha um ar sereno e compreensivo. Yuris sorriu sem jeito e se voltou para Dervel.


    - Bem, se a situação é tão urgente, por que estávamos andando ao invés de correr, e por que ainda não descemos até o outro nível? – Roen estava tossindo depois de tanto rir, mas tentou força a voz a sair séria.

    - Nós estamos indo com calma para não chamar a atenção. – Yuris o encarou e respondeu tranquilamente. – Se aparecermos correndo eles podem acelerar o processo. Além disso, um ritual de liberação demora algum tempo.

    - E, claro, teremos que enfrentar um número grande deles. – Dervel encarou uma construção de concreto que havia na frente deles. Alguns pesadelos guardavam o local. – Vocês precisam impedir a todo custo que eles terminem o ritual ou...- O arcano olhou de canto para o grupo. – Ou que sejam parte dele.

    Dervel e Yuris saíram em disparada contra as muralhas da construção, com Roen e Ayanne logo atrás. Aldora, Eros e Ilana corriam logo atrás.

    - A gente vai ser o que? – Ilana gritou para Dervel à frente dela enquanto corriam. Eros gargalhou e Aldora apenas manteve a serenidade. Mas Kem e Sahh andavam mais lentos. Kem ergueu os braços e colocou as mãos entrelaçadas atrás da cabeça, tocando o escudo pendurado em suas costas, enquanto a criadora andava a passos firmes e braços esticados para baixo. Reiki ainda puxava o carinho, resmungando e puxando a roupa de sua dona, tentando chamar sua atenção sem sucesso.

    O arcano se esgueirou por entre as rochas e encontrou a escadaria que dava para o segundo nível do calabouço. Desceu lentamente, seguido de Yuris e o resto do grupo. Reiki largou o carrinho e deu um tapa na cabeça de Sahh que soltou um gemido fraco com o golpe, fazendo Kem parar por um tempo. A Lif apontou para o carrinho que ela estava puxando, então a garota soltou um suspiro e pegou a barra do seu carrinho para carregá-lo. Com sutileza, Reiki sentou-se no carrinho e ficou olhando para trás, balançando suas pernas. Kem continuou a andar atrás do grupo.

    Quando todos chegaram ao andar de baixo puderam ver a cena grotesca que se seguia à frente. Em uma pequena área, um círculo fora desenhado no chão e marcado com sangue. Seus desenhos eram complexos e bem definidos, mesmo com tantas pessoas passando por cima dela. Vários cultistas rodeavam o círculo em êxtase enquanto dançavam e cantavam. Dentro do círculo havia quatro pessoas amarradas e vendadas, e mais longe do círculo cinco dos cultistas estavam sentados com as pernas sobrepostas e em estado de meditação. Uma pequena aura saía das mãos daqueles que meditavam.

    Yuris reconhecem as quatro pessoas. Três delas eram as garotas que ele havia salvado há algum tempo e a quarta pessoa era apenas uma criança. Estavam com os rostos vermelhos e inchados de choro e com alguns arranhões pelo corpo.


    - Vamos atacar! – Disse Dervel, mas Yuris segurou seu braço. O arcano olhou preocupado para trás, mas então notou que Yuris estava com a mão envolta em luz. – Poderia ter perdido sua mão.

    - Eu sei, mas eu sou precavido. – Sorriu para o arcano. Puxou um pouco para trás o homem de cabelos brancos. Eles estavam atrás de algumas muralhas em ruínas que impediam a visão dos cultistas. – Não pode ir assim, Dervel. Vai matar os inocentes junto.

    - Eles vão virar sacrifício para o Doppelganger. – Forçou a voz para que saísse baixo, mas com visível irritação. – Agora não é hora de bancarmos os heróis. É aqueles quatro ou o resto da cidade!

    - Dervel! Eles podem ser salvos, precisamos nos apressar... – Yuris tentou argumentar, mas então três pessoas pularam a frente do grupo e saíram correndo. Kem, Roen e Ilana saíram em disparada na direção dos cultistas. – Parem! O que estão fazendo?

    Kem sacou o seu escudo e sua espada, seguido de Roen que puxava uma lança presa em suas costas, e com Ilana logo atrás com seu par de katares.

    - Seus imprestáveis...- O paladino armou seu escudo e se preparava para jogar. Ilana corria com uma fúria terrível esboçada em seu rosto.

    - Vamos dançar em cima das suas tripas! – Roen apontava a lança direto para um dos homens de vermelho ao redor do círculo de sacrifícios. Estava com um brilho louco em seus olhos enquanto corria.

    - Kem! Ilana! Roen! Cuidado! – Sahh gritou para os três, mas eles não perceberam. Dervel e Yuris não tiveram tempo de reagir, e nem Ayanne e Eros conseguiram alcançar o trio. Uma aura roxa atravessou o ar e estava indo na direção de Kem pela sua lateral. Os três perceberam o movimento e se posicionaram defensivamente com os escudos e braços protegendo o corpo. Mas a aura havia tomado a forma de um espadachim e então ele atingiu os escudos. O choque foi poderoso demais para que os três pudessem sustentar, e foram jogados para trás. Uma nuvem de poeira se ergueu após o choque, chamando a atenção dos cultistas.

    - Mas o que foi aquilo? – Aldora estava perplexo. Em questão de segundos ele viu os três serem abatidos por um choque de energia. Quando a poeira baixou todos puderam ver o que aconteceu.

    Kem estava se levantando ao lado de Ilana quando encarou o ser que o observava. Tinha cabelos loiros e uma mecha que cobria o olho. Estava usando o uniforme dos espadachins, mas uma aura negra pairava sobre ele, contrastando com seus olhos vermelhos. Segurava apenas uma espada longa e de lâmina larga, enquanto ele fitava friamente o trio esparramado no chão.

    - Doppelganger! – Ayanne suspirou. Eles haviam encontrado o monstro, e agora combateriam contra ele.

      Data/hora atual: Sab Jan 20, 2018 12:33 am