Escolha ou Destino? O Legado de Kyon.

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    Escolha ou Destino? O Legado de Kyon.

    Mensagem  Kyon em Qua Jun 29, 2011 9:13 pm

    Capítulo 1: Laços de Amizade

    Era uma noite de lua cheia, o vento uivava como se tentasse levar à todos uma mensagem de tristeza e melancolia. Kyon, um jovem arruaceiro de cabelos brancos e meio preguiçoso, acabara de voltar de sua entediante busca por lenha para a fogueira e se depara com seu companheiro, Thomas, o qual recentemente acabara de se tornar um alquimista, sentado sobre um tronco retorcido com seu caderno de "asneiras", como Kyon havia apelidado, ora lendo, ora escrevendo.

    - Pretende ficar escrevendo asneiras o dia todo? Já peguei lenha suficiente para a noite toda e você sequer levantou.

    Thomas não havia ouvido nada do que o arruaceiro havia acabado de pronunciar, mas ao notar o olhar de indignação dirigido a ele por Kyon o jovem alquimista deixa seu caderno de lado e se dirige ao seu amigo para ajudá-lo.

    - Desculpe, é que já está quase terminado. Só falta...

    - Só falta você tomar uma decisão.

    - Sim. - respondia Thomas com ar de tristeza.

    - Então é melhor se decidir logo, o próximo aeroplano parte amanhã bem cedo. Não quero ter andado isso tudo para perder o vôo.

    - .... Sabe muito bem que a culpa é sua por andarmos até Izlude para pegar este aeroplano. Se não houvesse arranjado briga com aquele grupo de aventureiros na saída de Geffen nada disso teria acontecido.

    - Como poderia saber que um deles era dono de um clã "meio" bom e que ainda faria com que todos os seus membros vigiariam as funcionárias Kafras por perto somente para nos pegar?

    - "Nos pegar"? Foi você quem roubou o anel da noiva dele ao dar uma de cavalheiro e beijar as suas "delicadas mãos".

    - Como saberia que era o anel de noivado? Achei que era só um anel comum.

    - Aham, claro. Um anel de diamantes. E o clã dele não é meio bom, é super bom. Ele é um Lorde poderoso demais para derrotarmos. Viu só o tamanho do Paladino que anda com ele? E aquele falcão enorme daquele caçador? Desta vez passou dos limites.

    - Limites? Ora essa. Ninguém me assusta.

    - Sei.

    Thomas pega seu caderno enquanto Kyon tentava acender a fogueira e já retornava a escrever.

    - Já voltou ao caderno..

    - Preciso terminar de escrever, falta apenas uma página.

    Após algumas tentativas Kyon consegue acender a fogueira, porém, desta vez estava pensativo. Não estava mais reclamando sobre seu aliado não o estar ajudando nos serviços para escrever. Parecia conformado.

    - E já sabe o que vai escrever?

    - Não faço idéia...

    Ambos ficaram em silêncio sendo banhados pelo maravilhoso luar daquela noite, a qual mais parecia ser a última de suas vidas. A cada estalar da fogueira uma grande aventura já vivida por eles vinha a tona em suas lembranças.

    - Sabe... Escrevo apenas para que todos um dia conheçam minha história quando eu for embora.

    - Isso é querer ser reconhecido pelos seus atos.

    - Qual o problema de me deixar escrever sua história? Não gostaria que alguém soubesse como se tornou um arruaceiro?

    - Nem um pouco. Não quer jogar isso fora?

    - O que acha de dar uma lida antes? Hein?

    - Prefiro jogar fora.

    - Faça isso pelos velhos tempos.

    - Ainda pref...

    Thomas o interrompe ao abrir o caderno na primeira página e se ajeitar para ler.

    - Desculpe, lerei assim mesmo. Será melhor se aceitar.

    Ao ver que não teria escolha o jovem arruaceiro decide ouvir o que seu amigo tanto desejava ler, mesmo já conhecendo boa parte do que estava prestes a escutar.

    - Que seja! Vamos ver se realmente sabe escrever.

    - Ah! Sabe muito bem que é apenas a segunda história que escrevo, ainda estou aprendendo.

    - Anda logo, quero dormir.

    - Então vamos lá.

    Kyon se deitara sobre a grama encontando-se numa árvore e observava seu amigo que estava prestes a iniciar sua notável leitura.


    --------------------------------------------------------------------------------------------

    Bem.. resolvi escrever a história de meu arruaceiro já que estou jogando com ele agora. xD

    Como todos os dias não consigo mais escrever tanto, resolvi postar aos poucos mesmo. Queria colocar tudo de uma vez, como na fanfic do MaRio.BRoS, mas é a vida.

    Continuo depois. =P
    Spoiler:
    Espero que alguem leia.
    (E que comentem \ö/)
    (E que me ajudem a melhorar \õ/)


    Última edição por Kyon em Seg Mar 26, 2012 9:58 am, editado 2 vez(es)
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    Re: Escolha ou Destino? O Legado de Kyon.

    Mensagem  Bento em Qui Jun 30, 2011 8:02 am

    Kyon, estou gostando de sua fic, por enquanto não apareceu muita coisa, mas creio que nos próximos capítulos já vão aparecer, enfim, espero que continue a fic.

    Ah, quanto postar por capítulos, acho até mais legal, assim cria mais um ar de suspense nos deixa sempre com aquele gostinho de "quero mais".

    Abraços,
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    Re: Escolha ou Destino? O Legado de Kyon.

    Mensagem  -Rockstar- em Sex Jul 01, 2011 12:07 am

    Finalmente. Sim finalmente poderemos entrar nas entranhas da alma de Kyon, o arruaceiro mais enigmatico dos Salões do Templo de Rachel.

    Contudo uma observação: Evite "Rpar" sua fanfic, digo utilizar * *, descreva as cenas e as expressões dos personagens num sentido mais literário. No contexto geral está bom. Fico aguardando ancioso!

    Abraços, Rockstar.


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    Re: Escolha ou Destino? O Legado de Kyon.

    Mensagem  Kyon em Sab Jul 02, 2011 10:13 pm

    Capítulo 2: O Lar Esquecido

    10 anos atrás...

    A cidade de Morroc encontrava-se numa época difícil, o comércio estava em baixa devido aos recentes aparecimentos de criaturas ao redor da cidade. Ninguém sabia como eles surgiram ou se a armada da cidade aguentaria mantê-los no lado de fora dos muros, mas confiavam cegamente em seus governantes. Todos estavam em estado de pânico, exceto as crianças do "Lar Esquecido".

    Era uma manhã de inverno, mas não uma qualquer. Era uma manhã de chuva forte, tão forte a ponto de deixar qualquer um encharcado até os ossos se ficasse instantes debaixo dela. A creche da Organização Dandelion a qual abrigava crianças abandonadas, sempre foi um lugar ignorado pela população da cidade, por isso chamada de "Lar esquecido" pelas crianças. Raramente apareciam interessados em adotar alguém daquele lugar, mais raro ainda era uma criança receber uma família cujos interesses fossem ajudá-la ou trazer alegria À sua casa. Ninguém sabia o verdadeiro motivo. Uns diziam que as crianças dalí eram mal educadas pelos empregados, outros pelo fato delas terem medo de saírem daquele lugar sem regras, mas ninguém sequer suspeitava do real motivo.

    - Ei! Margarida ande logo com isso. O conde Olaf chegará em breve, o Sr. Moore não quer fazer feio.

    A pobre empregada já estava atolada em serviços, mas a governanta, Sra. Murte, não ligava nem um pouco para a situação de suas serviçais.

    - A-ah! D-desculpe Sra. Murte. É que já estou tão cheia de coisas.. não poderei ajudá-la a arrumar as crianças agora.. e...

    A governanta interrompe a empregada ferozmente após ser questionada.

    - ORA SUA INÚTIL, É ISSO QUE VOCÊ É. SABIA QUE ERA APENAS MAIS UMA IDIOTA NESTE LUGAR.

    Após descontar toda sua raiva em sua empregada a Sra. Murte a deixa saindo as pressas e ao mesmo tempo deixando a pobre mulher mais deprimida do que se encontrava, pois esta recentemente acabara de perder seu irmão mais velho na batalha que estava ocorrendo fora dos muros da cidade.

    - Ei! Roberto venha aqui na janela também, parece que tem um garoto novo chegando.

    Naquele momento todas as crianças estavam no salão secundário, um amplo lugar lutado de mesas e cadeiras onde geralmente eram servidas as refeições diárias. Pouco depois do café da manhã ser servido Alice Colari, uma pequena menina de 6 anos, loira e bem tímida, percebeu que alguém estava no meio da chuva e resolveu comentar para uma de suas amigas, logo a mais barulhenta, a partir de então todos ficaram sabendo e correram até as janelas para tentar enchergar quem eram os sortudos no lado de fora.

    - Não quero saber quem está lá fora, nem gosto de chuva.

    Roberto Colari, irmão mais velho de Alice, era um menino educado se comparado com a maioria das crianças por ali. Ele tinha sete anos e já quase fora adotado, por duas vezes.

    - Vem logo, com certeza é algum dos irmãos Bertroski que conseguiu fugir do castigo da Sra. Murte e agora está brincando na chu...

    Lira é interrompida quando Baldo espantado grita para todos.

    - Aaah! É o Conde Olaf e... e ele está trazendo um.. um...

    - Diga logo Baldo - dizia Leon dando um tapinha leve nas costas do amigo.

    - Um morto vivooooo... Aaaaah!

    - Um o quê!?

    Após o espantoso comentário de Baldo todos arregalaram os olhos para tentar enchergar o suposto "fantasma".

    - Hummm! Não é um fantasma, é só um garoto com um pano branco na cabeça e usando roupas brancas. - Jenny contra argumenta o amigo medroso com cara de quem sabe de tudo.

    - Como? - Baldo responde com cara de bobo e retorna a olhar pela janela.

    O Conde Olaf acabara de passar pelo portão principal e caminhava tranquilamente pela chuva acompanhado por um pequeno garoto de cabelos negros e olhos castanhos. No entanto, apenas o Conde estava coberto pelo guarda-chuva, o menino vinha caminhando descalço e coberto por roupas brancas, que por sinal eram grandes demais para uma criança. A tristesa no olhar da criança era tão grande que mal podia saber se ele estava chorando ou era água da chuva escorrendo em seu rosto. Logo chegaram na entrada, porém, antes mesmo de fechar o guarda-chuva o conde se abaixou para dizer algumas palavras ao menino que mais parecia uma camisa encharcada.

    - Preste muita atenção garoto, espero que tenha entendido. Se contar à alguem o que viu lá fora jamais verá seus pais novamente. - após terminar de pronunciar suas severas palavras a porta era aberta por um serviçal bem vestido e com um tom de medo em seu rosto.

    - O..olá Conde Olaf. S-seja bem vindo. - Meito o mordomo, como era mais conhecido, estava se esforçando ao máximo para fazer uma boa recepção ao Conde.

    - Que seja. Leve-me imediatamente à sala do Sr. Moore. - o conde respondeu estendendo o guarda-chuva e o casaco para que o serviçal os pendurasse.

    - A-ah! S-sim, imediatamente S-senhor. - rapidamente o mordomo pendurou o casaco e colocou o guarda-chuva em um canto e foi guiar os recém chegados.

    A porta subitamente foi aberta fazendo um grande estrondo no salão secundário. Todas as crianças pularam assustadas e ao se virarem e verem que na porta era a Sra. Murte todos ficaram imobilizados.

    - Mas o que acham que estão fazendo? Ao invés de estarem comendo estão brincando na janela. Todos já para seus quartos, quem comeu que bom, quem não terminou só lamento. - a governanta era uma mulher má, talvez por ter sido abandonada quando jovem por seu amado, acabou castigando a todos sem motivo algum.

    E imediatamente todos correram em direção aos seus quartos e sabendo o porquê começavam a brigar para ver quem tomaria banho primeiro, pois após terminar de dar bronca em todas as empregadas no salão secundário a governanta iria passar em cada quarto para ver se todos estavam bem vestidos e de banho bem tomado. Caso algum deles não estivesse pronto, provavelmente seria severamente punido.
    .


    --------------------------------------------------------------------------------------------

    Não poderei escrever mais que isso... T_T
    Deixarei o capítulo 2 pequeno mesmo, compenso nos demais. =P

    Pentooooooooooooooooooooooo o/
    Rooooooooooooooooooooooooooock x1.. o/

    Vlw gente. =]
    Quando terminar essa fic arrumarei o 1º capítulo retirando os * *, é que já estava quase tudo feito, aí terminei utilizando eles até tinha pensado em tirar. xD

    Spoiler:
    Espero que esteja bom... e comentem. ö/


    Última edição por Kyon em Seg Mar 26, 2012 10:00 am, editado 2 vez(es)
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    Re: Escolha ou Destino? O Legado de Kyon.

    Mensagem  -Rockstar- em Qui Jul 07, 2011 6:04 am

    Muito bom Kyon! Envolver a Dandelion (não vou contar o que acontece) Poste logo o próximo!


    Abraços, Rockstar.


    Última edição por -Rockstar- em Qui Jul 07, 2011 2:17 pm, editado 1 vez(es)


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    Re: Escolha ou Destino? O Legado de Kyon.

    Mensagem  Bento em Qui Jul 07, 2011 8:38 am

    Muito bom mesmo Kyon, o segundo capítulo já ficou bem melhor em sua edição...

    Aguardo continuação.

    Abraços.
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    Re: Escolha ou Destino? O Legado de Kyon.

    Mensagem  Kyon em Seg Mar 26, 2012 9:52 am

    Capítulo 3:A Verdadeira Realidade

    O Conde Olaf, acompanhado de um estranho menino, fora levado até os aposentos do Sr. Moore pelo mordomo, o qual em momento algum olhou o velho homem nos olhos. Fosse por medo ou por respeito aquilo pareceu agradar ao conde.

    - Chegamos senhor, ele já está aguardando. - dizia o mordomo abrindo a porta para os recém-chegados.

    - Sim, sim. É claro. Vamos garoto. - respondia o homem puxando o menino para dentro.

    Dentro do cômodo se encontrava um homem de aparência singela, vestido com roupas finas e, com sua mão esquerda, apoiado em um cajado brilhante e repleto de diamantes. Este olhava pela janela, do outro lado da sala, quando a porta se abriu e os visitantes anunciados por Meito. Ao se virar caminhou vagarosamente até o conde e lhe estendeu a mão, o que gerou um belo aperto de mãos. Como se ambos fossem amigos, ou conhecidos, de longa data.

    - Já não o vejo há algum tempo Olaf, mas seu semblante é o mesmo. O de um homem que só pensa no trabalho. - Dizia o Sr. Moore após desatar o aperto de mãos. - Venha, sente-se e me conte quem é este rapaz o qual pretende deixar sob meus cuidados.

    - Ora essa alguém precisa trabalhar. E você continua o mesmo, se aproveitando de qualquer oportunidade para gerar dinheiro e movimentar a economia a seu favor. - o velho homem se sentava em um sofá localizado no meio do cômodo, de frente para a poltrona a qual Moore sentara. - e quanto ao garoto, bem... ele precisa de um lar e acredito que em seu coração sempre cabe mais um, não é verdade? - ele terminava a frase com um ar de mistério e "maldade".

    - Mas é claro. Vamos lá, diga-me seu nome rapaz.

    O pequeno menino não parecia temer aos dois, porém, o medo de nunca mais ver seus pais era tão grande que o fizera agir como se os temesse. Estava completamente molhado e usava roupas brancas de algum adulto qualquer. Lentamente levantou seus olhos até que estes se encontrassem com o olhar penetrante do Sr. Moore, só então conseguiu pronunciar a única palavra que lhe vinha em mente além das más lembranças vagando por sua mente.

    - As... Asriel...

    Repentinamente o Sr. Moore deixara seu cajado cair de suas mãos e este se jogara para trás em seu assento, estava de olhos arregalados e com seus dentes cerrados a mostra. Parecia ter se espantado ao ouvir aquele nome e ao conseguir se recompor, o que não fora tão rápido, tornou a falar com o conde Olaf.

    - O que acha que está fazendo? Porque o trouxe aqui?

    - Ora, os pais do garoto já não se encontram entre nós há alguns anos. Nada lhe ocorrerá, não se preocupe. Agora, quanto ao...

    - Espere. - O conde era interrompido com a fala do Sr. Moore o qual já estava de pé em sua frente. - Vamos deixar o garoto sair daqui para trocar de roupas e, se der tempo, tomar um bom café da manhã, não acha?

    - Oh! Sim, sim. Precisamos conversar muito ainda e acho que essa chuva não passará tão cedo.

    No tempo que sucedeu o pequeno menino fora entregue aos cuidados da governanta, a qual o fizera se trocar e ir comer algo na cozinha daquele lugar. A Sra. Murte parecia gostar muito de gritar, pois era como se dirigia as crianças e, agora, ao novo integrante daquele lugar abandonado. Ao terminar de comer ele foi conduzido até um cômodo onde havia dois beliches, um guarda roupa, aparentemente caindo aos pedaços, e uma mesa repleta de papéis rabiscados e cortados. Três das camas estavam ocupadas e a outra parecia não ter dono, afinal estava arrumada e limpa.

    - Muito bem, este é mais um infeliz garoto que passará o resto de sua vida neste lugar.
    Tratem de lhe dizer tudo o que precisa e não façam bagunça, já sabem o que acontece se isso acontecer. - a governanta terminava de berrar e empurrava o menino para dentro, logo fechando a porta com força e indo embora pelo corredor.

    Rapidamente três garotos saíram de suas camas com olhares curiosos direcionados ao novato, se aproximaram e o observaram por alguns instantes como se estivessem tentando adivinhar de onde viera e o que se passava em sua mente. Logo a inspeção terminou e um dos três quebrou o silêncio dentro do quarto.

    - E então, que nome devemos dar a ele? - perguntava Leon aos demais.

    - Não sei, o que acha de Bill? - dizia um garoto de olhos azuis que combinavam com a cor de seus cabelos.

    - Não, isso é chato. Alguma sugestão Vine?

    - E... Espera, mas eu já tenho um nome. Eu me chamo...

    - Não queremos saber idiota, quando se entra aqui todos nós escolhemos outro nome. - respondia Vine, um menino de oito anos com cabelos castanhos e de pele morena.

    - E porque tenho que escolher outro nome? Eu gosto do meu...

    - Ora essa, a partir de agora terá outra vida. Nada será igual, deve esquecer seu passado e olhar para o futuro. Se está aqui é porque ninguém o quer e se não nos querem devemos deixar de existir. - dizia Leon interrompendo o novo companheiro de quarto.

    - Mas meus pais me querem, eles só não podem ficar comigo.

    - E o que eles estão fazendo? - perguntava Vine com um semblante curioso.

    - Bem... Não os vejo desde que tinha três anos, acho que eles viajaram e ainda não conseguiram voltar. - respondia o novato já olhando para baixo, pois parecia começar a concordar com os três.

    - Ahá! Viu só? Eles o deixaram. Não o querem mais e por isso veio parar aqui.

    - Mas... mas...

    - Já sei, vamos chamá-lo de Kyon. - falava alegremente o terceiro menino.

    - Kyon!? Isso é um nome?

    Leon parecia confuso, porém, parecia estar comparando o nome com o novato em seu quarto. Vine parecia ter gostado, estava sorrindo e esfregando as mãos como se estivesse se preparando para fazer alguma travessura. O menino que a pouco tinha chegado na Organização Dandelion não sabia o que dizer ou fazer, o fato de seus pais terem deixado ele para trás e nunca retornado o incomodava e contribuía para que ele acabasse por concordar com os argumentos de que eles não o queriam mais.

    - Na verdade não sei, mas aquele velhote tagarela perto da taverna se chama assim.

    - E o que esse velho tem de parecido com ele? - perguntava Leon apontando para o menino que aos poucos tinha seus olhos se enchendo de lágrimas.

    - Bem... Se tiver uma ideia melhor é só falar.

    - Está bom esse mesmo. Seja Bem Vindo... Kyon. - falava Vine tocando no ombro nde seu novo companheiro.

    - Tudo bem então. Seja Bem Vindo Kyon. - Dizia Leon dando um tapinha em suas costas - e não chore, agora tem amigos que pode confiar, não é mesmo Blue?

    - É. - respondia o garoto de cabelos exóticos já subindo em sua cama, pronto para retornar a dormir.

    - Bem, você dorme ali em baixo. Como hoje está chovendo não podemos sair de nossos quartos, mas certamente amanhã poderemos sair e lhe apresentar para todos. - falava Leon já subindo em sua cama, a qual ficava acima de Vine.

    - Boa Noite então. E é melhor dormir, as vezes eles nos fazem trabalhar muito. Hoje mesmo estamos todos mortos de cansaço, por isso estamos dormindo. - dizia Vine já se cobrindo dos pés a cabeça.

    Com todos se deitando e indo dormir o pequeno menino, agora conhecido como Kyon, caminha até sua cama naquele lugar onde provavelmente iria passar toda sua infância. Mesmo estando cansado e com um pouco de sono tudo que havia acontecido naquele dia o incomodava a ponto de deixá-lo acordado. Tinha sido abandonado por seus pais, seria deixado em um lugar esquecido por todo o mundo e agora não era mais digno de usar o nome que tanto gostava. Desde que havia sido deixado por seus pais ele sempre guardou com todo o amor seu nome, ele era símbolo de que um dia eles retornariam e o abraçariam com todas as suas forças. Diriam que amavam a ele e se desculpariam por tê-lo deixado sozinho por tanto tempo.

    Não era só isso que lhe fazia manter a esperança de que um dia voltaria a vê-los, seus cabelos negros e ondulados eram como os de seu pai, assim como sua face, e seus olhos como os de sua mãe. Ao menos era isso que tinha ouvido uma empregada do Conde Olaf comentar com outra um ano depois de ter sido abandonado. Desse dia em diante seu maior tesouro era manter sua face, seus cabelos e seu nome intactos. Nunca fizera uma travessura a qual pudesse trazer desonra ao seu nome, jamais deixara de cortar os cabelos - sempre os mantendo similares a como recordava que era o de seu pai - e nunca se envolvendo em brigas para não marcar seu rosto. Assim vivera até então.

    Agora se encontrava em outra realidade, estava em um mundo onde seu nome não tinha significado, que sua vida até agora não tivera importância alguma e que ninguém se importaria se ele deixasse de existir. Seus sentimentos estavam demasiadamente confusos. Chorava silenciosamente debaixo de seu cobertor e enquanto pensava no que se passava aos poucos caia em um sono profundo e tranquilizador no qual mergulharia em um mundo de sonhos, em um lugar onde era querido e amado.

    Spoiler:
    É isso aew! \o

    Posso ter demorado um 'pouquinho', mas irei dar sequência agora. ;D
    Como não sou muito de fazer Fanfics estou tendo certa dificuldade em escolher o que devo e o que não devo acrescentar na história... de um lado acho que seria interessante não mostrar o nome anterior de Kyon, mas de outro acho legal =ter mostrado para tentar tornar o fim da história mais legal e "dramático". =P

    Fora isso não sei ao certo quando detalhar as coisas e se essas conversas não chegam a ser "inúteis" na história, pois acrescentei apenas informações "úteis", em sua grande maioria, e o resto deletei. Assim acho que não dou muitas voltas e deixo a história menos chata já que é "grandinha". xD

    É isso! =]
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    Re: Escolha ou Destino? O Legado de Kyon.

    Mensagem  Kyon em Seg Mar 26, 2012 11:23 am

    Capítulo 4: Sonhos de Criança

    O tempo foi passando e aos poucos Kyon foi conhecendo todas as crianças que residiam em Dandelion junto a ele. Ainda não gostava de seu novo nome, mas ainda assim permitia que o chamassem dessa forma, pois acreditava que se mantivesse seu nome verdadeiro apenas para si mesmo seria o único a conhecer seu passado o qual não queria compartilhar com mais ninguém.

    Seus novos amigos eram bem divertidos, Leon geralmente agia como líder no meio de todos, era respeitado e sempre todos o seguiam. Já irmãos Bertroski sempre se envolviam em confusão, a última deles foi roubar uma loção de um mercador que tornava os cabelos de qualquer um branco como a neve de forma que o processo não tinha como ser revertido. Eles tentaram usar na Sra. Murte, mas falharam ao serem pegos pelo mordomo.

    Roberto e Alice Colari eram irmãos de sangue que foram deixados ainda recém nascidos, tiveram muita sorte por ficarem unidos e seus novos nomes tinham também um sobrenome e tanto. Lira era uma menina calma e que sempre sabia de tudo, adorava estudar e pretendia se tornar uma grande pesquisadora um dia, ao contrário de Baldor que só queria se tornar um mercador e ganhar dinheiro o suficiente para viver sem precisar trabalhar.

    Vine e Blue eram os mais estranhos, viviam brigando quando deixados sozinhos e apenas Leon conseguia conte-los. Mito era uma garota chorona e que morria de medo do Sr. Moore, ninguém sabia o porquê, mas ela ficara assim depois de dizer que um dia o viu vestindo um manto negro e que só conseguiu reconhece-lo por ter tirado o capuz para conversar com alguém. Também havia outras crianças, mas Kyon não conseguiu conhecer tanto por elas terem sido adotadas antes. De todos os que Kyon mais Gostava de conversar era de Lira e de Leon, eles eram gentis e companheiros de verdade.

    Os últimos dias passaram de forma estranha, várias pessoas visitavam o local, conversavam com as crianças, com os funcionários e com o Sr. Moore. Isso o deixava furioso. Além desses estranhos viajantes também havia outros, estes pareciam ser amigos do Sr. Moore e estes adoravam ver as crianças brincando e correndo.

    Além disso, uma notícia estranha havia sido informada a todos, Mito seria adotada. Isso era motivo de grande alegria, entretanto, ninguém sequer fora visitá-la para conhecê-la e isso era motivo de alerta para todos nós. Foi aí que Leon bolou um estratagema para que pudéssemos descobrir o que estaca sucedendo naquele lugar. Naquela mesma noite dois deles iriam ir silenciosamente até a sala do Sr. Moore e procurar por algo. Isso seria feito próximo a meia noite, pois era sempre esse o horário que ele recebia alguns dos homens que ficavam observando a todos nos últimos dias.

    - Muito bem, eu irei junto com o Blue.

    Leon dizia sentado em cima de seu beliche olhando para todos sentados no chão que o fitavam, uns com ar de espanto, outros curiosos e os demais com medo de serem escolhidos. Blue pareceu ficar extremamente feliz pela escolha, ele não parecia ter medo de muitas coisas.

    - Espera, porque o Blue? – perguntava Vine contrariado.

    - Ele quer se tornar um Mercenário renomado e é muito bom em se esconder, acho que seria uma boa escolha. – respondia Leon seriamente.

    - Ah! Então tudo bem.

    - Espera, o que nós devemos ficar fazendo até que retornem? E se acontecer alguma coisa? – falava Lira com medo de que algo ruim pudesse ocorrer.

    - Não se preocupe tudo vai dar certo. – respondia Leon seguro como nunca.

    - P... precisamos mesmo fazer i... isso? Se descobrirem todos nós seremos castigados. – Roberto perguntava preocupado com as possíveis conseqüências de um erro. – Se cometerem qualquer falha não terá volta, é melhor deixarmos isso de lado e...

    - Não diga isso Roberto, Mito precisa de nós, ela pode estar em apuros. E se fosse Alice, sua irmã? Você deixaria que algo lhe acontecesse?

    - N... Não. – respondia Roberto a Leon com ar de culpa.

    - Mas isso pode ser mesmo perigoso, nem sabemos quem são aqueles homens. Eles são todos adultos, são viajantes de fora. Conseguiram passar por essa batalha que está acontecendo do lado de fora dos muros e parece que fazem isso todos os dias. Eles...

    Leon interrompe Alice levantando sua mão em sinal de silêncio, ele queria falar, mas ainda demorou por alguns instantes como se estivesse pensando no que iria dizer. De certo ponto ele estava certo, pois dependendo do que dissesse todos escolheriam se seguiriam em frente ou se entregariam sua amiga ao desconhecido.

    - Muito bem. Todos vocês conhecem a história de Thanatos, certo?

    Todos acenavam positivamente com suas cabeças, assim, respondendo a pergunta de Leon. Essa história fora contada para Kyon muitas vezes durante o tempo que estava com eles. Todos a adoravam e idolatravam o poderoso guerreiro que surgira do nada e derrotou o demônio Morroc.

    - Vocês acham que Thanatos não estava com medo de enfrentar aquele demônio? Que ele apenas decidiu entrar em uma batalha contra ele porque achou que era capaz? Não conheço nenhum homem capaz de derrotar um demônio gigantesco, poderoso e acompanhado de incontáveis criaturas das trevas. Ele era o filho de Ymir e em um piscar de olhos assassinou muitos homens em um massacre descomunal...

    Todos ouviam suas palavras atentamente, pareciam nunca ter observado aquela história daquela forma. Mito tinha parado de chorar e também ouvia aquilo com esperança de que nada de mal ocorreria com ela, que seus amigos a protegeriam de qualquer mal.

    - ... enquanto o Imperador de Payon tremia de medo e seus habitantes e soldados fugiam pelos mares atrás de segurança, ele passou por todo o exército demoníaco de Morroc, sozinho, e o desafiou para um combate de um contra um. Lutaram por dez dias e dez noites até que, enfim, conseguiu atingi-lo em seu rosto, vencendo o combate. O demônio foi lacrado e a cidade de Morroc criada ao redor de seu túmulo. Dizem que essa batalha foi tão feroz que o calor fugiu das areias do deserto, que toda a área do combate fora pintada de sangue e que após sua derrota a lua ficara vermelha, como se fosse o demônio tentando voltar. – Leon fazia uma pausa e observava toda a atenção voltada para ele.

    - Diga-me Vine, o que você quer ser quando for um adulto? Qual o seu sonho?

    - Ah! Bem... Leon, eu sempre quis ser um grande Cavaleiro, assim como Thanatos foi. – respondia Vine com vergonha do que os outros iriam dizer.

    - Grande sonho. E você Roberto?

    - E... Eu? Eu só quero proteger minha irmã.

    - Há nobreza em você meu amigo. E você Mito, qual o seu sonho?

    - ...e...eu...eu queria ser uma sacerdotisa... p...para ajudar as pessoas...

    - Um sonho maravilhoso. Diga o seu Blue.

    - Quero ser um mercenário renomado, assim como disse. Farei qualquer tipo de serviço e serei conhecido como o mercenário que nunca falhou em uma missão. Ganharei muito dinheiro e terei uma vida de luxo. Derrotarei qualquer guerreiro que vier contra mim e serei o mais forte do mundo. Assim como Thanatos, pois ele era um Mercenário e não um Cavaleiro. – respondia Blue cheio de si.

    - Claro que não, Thanatos era um Cavaleiro sim e não um maldito caçador de recompensas. – dizia Vine, furioso.

    - Não diga asneiras, Thanatos derrotou Morroc porque disseram para ele que ele poderia governar aquele lugar se vencesse e assim foi.

    - Mentira. – gritava Vine já preparado para pular na direção de Blue.

    - Já chega. Parem com isso, nunca saberemos ao certo a que Guilda ele pertencia, embora talvez não seja a nenhuma já que ninguém sabe de onde ele surgiu. – Leon acalmava os dois como de costume.

    - Tanto faz. E você Leon? Qual seu sonho? – perguntava Blue.

    - Eu só quero ser um grande alquimista. Sim, viajar pelo mundo pesquisando e descobrindo. Esse é meu sonho. E você Kyon?

    - Err... eu... eu passo.

    - Ora essa, vamos lá, nos diga qual o seu sonho.

    - Bem... eu só quero ter uma família. Quero ter amigos, assim como vocês, e quero ter poder para protegê-los.

    - Há honra dentro de ti. Pois muito bem meus amigos, é por isso que devemos lutar. Essa luta é por nossos sonhos, por nossas vidas.

    Todos estavam convencidos de que aquilo deveria ser feito, fosse perigoso ou não. Leon e Blue começaram a fazer os preparativos para que quando a noite chegasse já pudessem começar a agir. Enquanto isso Vine, Mito e Alice chamavam a atenção da governanta e do mordomo para que estes nada notassem. Os demais tentavam encontrar os irmãos Bertroski, pois eles sempre sabiam de coisas que ninguém sabia e isso poderia ajudar em algo.
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    Re: Escolha ou Destino? O Legado de Kyon.

    Mensagem  Power Ranger Azul Piscina em Qui Maio 24, 2012 4:51 pm

    Bom vou começar o comentário com uma palavra, muito bom (-q isso foi pro 'uma palavra' e não pro comentário u_u)
    Eu nunca tinha lido nada seu, Kyon (talvez por ser o primeiro... ou não '-') A sua fic em certa parte é clichê (adoro clichê *-*), porém o seu modo de escrita diferenciou e muito, e é claro que a sua descrição do cenário também foi uma grande ajuda nesse quesito.
    Não sei se vou dizer, como seu personagem diz, 'asneira', mas você usa algumas palavras repetitivas de mais, minha dica é que você trocasse algumas dessas palavras por sinônimos, se não a fic fica com uma leitura um pouco 'repetitiva', mas isso é uma opinião minha, e como eu ja disse pode ser besteira
    Mas é isso no geral, sua fic está ótima e eu espero pelos próximos capítulos ;D
    (Espero que leia minha fic e comente ;-Wink

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    Re: Escolha ou Destino? O Legado de Kyon.

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