Relatos - O caso ocultado em Arunafeltz

    Compartilhe
    avatar
    Justiça
    Beholder
    Beholder

    Mensagens : 15
    Reputação : 0
    Data de inscrição : 29/02/2012

    Relatos - O caso ocultado em Arunafeltz

    Mensagem  Justiça em Qua Fev 29, 2012 6:24 pm

    A igreja de Prontera estava calma pela noite de lua cheia, uma calmaria que não era comum, não na cidade mais movimentada do continente, mas a noite foi feita para o descanso de muitos, pouco movimento era notado pelo local... Justiça representava um destes movimentos.

    Sua armadura fazia um som caracteristico e bem tratado, nada furtivo e sequer havia necessidade. Ele rumava até um pequeno comodo, muito lembrando um confessionário da igreja e Justiça se aproximou aos degraus mais próximos de onde um padre com uma robusta forma e uma barba grisalha o aguardava, a constituição do padre era semelhante com a de um lenhador e o padre possuía uma cicatriz que atravessava um de seus olhos.

    O Padre sequer dirigiu o olhar a Justiça e foi reciproco, o Paladino se manteve de cabeça baixa enquanto aguardava o pronunciar de seu tutor. Após muito silêncio, Justiça não se conteve.

    -Senhor, ouvi dizer que muito necessitava falar com minha pessoa. Com humildade peço que me esclareça tais boatos.

    O Padre ainda mantinha-se inpronunciável, mas puxava uma pasta de arquivamento e de forma seca a arremessava em direção ao lado do paladino. Finalmente o silencio foi quebrado da parte do misterioso padre.

    -É uma leitura demorada, retorne se tiver dúvidas.

    Dizendo isto, o mesmo se levantava e começava a se retirar. Era sempre assim, pensava Justiça, este homem o iniciou como templário e o ordenou que peregrinasse pelo mundo em prol de fortalecimento, mas sempre que reencontravam-se, poucas palavras eram ditas pelo homem e sempre era posta uma nova missão para Justiça.

    Justiça, ainda naquele comodo, abriu o arquivo e acendeu uma vela, que passou a iluminar fracamente o lugar. Dentro do arquivo estava uma história que muito parecia um conto de um livro e o Paladino iniciou sua leitura




    Ato 1 : A semente da felicidade



    Este conto aconteceu cerca de vinte e cinco anos antes do conhecimento de Arunafeltz tornar-se tão publico como é hoje em dia. A tanto tempo atrás, a informação da existencia de Arunafeltz era confidencial, cabendo apenas as pessoas de patente o direito de circular por estes lugares... pelo menos na teoria seria assim: O número de aventureiros sempre foi muito maior do que o de oficiais da lei, e até mesmo a maneira impulsiva de seus pensamentos impregnava os atos de muitos homens cujos votos juraram a um rei, virtude ou divindade. Os aventureiros sempre tiveram um peso maior no destino do mundo, mas nunca foi comprovado se isto é uma benção ou maldição.

    Esta história retrata um conto que, por ordem do templo de Freya e a igreja de Prontera, deve ser esquecido por todos e nunca mais comentado. Como uma acolita de Freya chamada Kirina soube do surgimento de um milagre, a semente de Freya, um milagre que amaldiçoou sua existencia por longos anos...



    Ato 1 : A Semente da Felicidade


    O Sol Castigava a região de Arunafeltz, os nomades de Freya caminhavam ja sabendo que este calor era um clima rotineiro do lugar e conduziam seus afazeres sem preocupações.

    A beleza que Freya espalhou pelo mundo é algo inexplicável por palavras, diziam os nomades, de tempos em tempos eles migravam por toda Arunafeltz em busca de observar e descobrir estas profundas e sutis formas que a deusa espalhou pelo mundo. Este era o significado dos nomades de Freya e Kirina era uma das muitas iniciadas da ordem que recebia como teste final a ordem de andar com a expedição de nomades de Freya até que eles fizessem uma de suas descobertas.

    Desde pequena Kirina estava cercada de bons exemplos de seguidores da deusa, seu pai era um sacerdote de alta patente, encarregado de defender a cidade de qualquer ameaça, em especial estrangeiros curiosos com corações repletos de cobiça. Foi uma surpresa do destino que tenha se casado com sua rival, uma mulher cujo trabalho era mostrar a face da compreensão e da tolerancia que Freya possuía, um trabalho que os fizeram entrar em conflito e em debates intermináveis... até o inexplicável ocorrer, fazendo com que ambos se envolvessem e casassem, Kirina era fruto deste casamento e conforme lembrava desta história de seus pais, um saco de frutas que carregava escorregou de suas mãos e caiu.

    - Ei Kirina! - Advertia uma das madres - Não seja desatenta menina. Freya só revela sua beleza aos que tem atenção no que fazem. Pegue estas frutas.

    - Sim Madre, me desculpe - E Kirina voltou a seus afazeres.

    Sua pele morena não sofria tanto com o sol, possuía dezesseis anos e seus cabelos longos eram de um rosa bem claro quando nascera, mas diziam que o sol acabou escurecendo esta cor, tornando-o um roxo escuro. Kirina não se incomodava com esta mudança, mantinha seus cabelos soltos e bem cuidados, assim tornou-se a rosa mais cobiçada de Rachel, uma rosa roxa de olhos verdes claros e pele morena.

    Muitos homens se declararam para ela, mas a resposta sempre foi um negativo e um pedido de desculpas, seu coração ja tinha um dono desde que se conheceram, seu amigo de infancia Valos, um garoto que sempre estava no momento exato para defende-lá e ajudar Kirina, exatamente como agora, enquanto ajudava a acolita a levar comida aos nomades.

    - Kirina, você esqueceu destas aqui - Dizia Valos enquanto ajudava sua amiga a encontrar as frutas no chão

    - Ah, obrigada Valos. Está um belo dia hoje não acha? - Respondeu Kirina um pouco sem graça com a presença de seu amigo de infancia e o saco que carregava acabou rasgando o que a fez se assustar ainda mais.

    A madre observava a cena e inicialmente ela iria reclamar mais com a acolita, porém silenciou-se ao ver os dois se ajudando e rindo. Ela cuidou de cada criança deste grupo nomade, e ja esperava que um dia Kirina e Valos viessem a unificar suas vidas, a questão era apenas saber quando ambos iriam amadurecer a este ponto, e o sol daquela manhã parecia dizer que seria ao final daquele dia.

    - A semente de Freya - murmurou baixinho para si mesma e Valos olhou para a madre o que a deixou surpresa, não entendeu se ele conseguiu ouvi-la ou se foi um olhar sem motivo algum. Um segundo após Valos encará-la, um nomade montado num camelo aproximou-se da serva de Freya.

    - Madre Eutania, madre Eutania! - o nomade parecia bem agitado, e isto chamou a atenção de quem estava próximo do lugar, um olhar de surpresa tomou conta de todos, exatamente um segundo após o olhar de Valos.

    - Voce é um dos homens que enviei para observar o lugar - Disse a Madre com um sorriso - E então, encontrou agua como pedi?

    O homem tomou cuidado de desmontar do camelo antes de informar sua noticia, ele a disse num tom baixo e apenas ele e a Madre puderam ouvir.

    - Madre Eutania, encontramos agua como pedido, mas não encontramos nenhum viajante, sequer um forasteiro. Os animais que encontramos pareciam estar fugindo numa direção oposta a nossa, os homens de armas sabem muito bem o presságio de um ataque.

    A madre tentou não alterar suas feições, muito pelo contrário, ela dissimulou ter ouvido boas noticias e continuou a comentar em voz baixa.

    - Um ataque? O que ao certo estamos lidando, um exercito, algum licantropo?

    - Não soube informar Madre, mas é algo capaz de espantar animais e sumir com forasteiros, algo que para nós é invisivel no momento.

    O mensageiro dizia isto com alguma calma, tentando compreender a dissimulação de Eutania. A madre olhou para Valos e Kirina, que estavam com um olhar bem curioso sobre a conversa, mas eles sorriram em resposta a madre que aparentemente os enganou ao esconder sua preocupação.

    - Esta certo... - disse a madre - ...afinal de contas nosso trabalho também é conservar as belezas de Freya. Quero que faça mais uma coisa antes de se arrumar para nosso retorno a Rachel, informe a todos que encontramos a semente de Freya, diga a eles que retornaremos até Rachel e lá iremos mostrá-la a todos... se eu estiver correta, esta semente ira florescer durante nosso retorno. - Dizia a madre enquanto observava o casal.

    - Imediatamente madre... mas esta semente, realmente a encontramos? - Perguntou o mensageiro um pouco humilde para não ofender a madre com a pergunta.

    - Uma semente é algo dificil para um olhar preocupado perceber, por isso voce não a encontrou, mas toda semente floresce. As flores da semente vão encontrá-lo e surpreende-lo.

    A madre começou a seguir seu caminho deixando o mensageiro confuso com esta afirmação e ele começou a bradar a todos que a semente de Freya foi encontrada e a dar ordens para que todos se arrumassem para retornar até Rachel. Muitos comemoraram e começaram a surgir comentários sobre o que seria esta semente, bem como teorias.

    - Esta semente deve ser voce - Disse Valos brincando com Kirina e, novamente, as frutas foram espalhadas uma ultima vez ao chão enquanto a acolita tentava se justificar nervosamente.

    - Eu? Mas Freya não poderia me dar tamanha honra, seria muito para mim Valos! Ah, essa não?! Deixei elas cairem outra vez! Me desculpe Valos - Kirina começou a recolher as frutas novamente mas Valos segurou a sua mão detendo-a

    - Estou certo de que seja voce Kirina, lembra quando éramos crianças e brincávamos de dar boa noite para o sol?

    Kirina Lembrou-se daquela época com exatidão, eles costumavam dar as mãos e correr em direção ao por do sol, gritavam para que ele pudesse dormir, era uma lógica de criança, uma brincadeira...

    -... Houve uma vez em que nos perdemos quando corriamos em direção ao sol, lembra-se disso Valos? - Dizia Kirina enquanto se recordava disto rindo junto de seu amigo.

    - No final a madre teve que nos encontrar escondidos em uma grande arvore e nos trouxe de volta enquanto chorávamos, é engraçado lembrar disto hoje em dia. - Valos acabou cedendo a estas lembranças e perdera a oportunidade de dizer algo sério a Kirina naquele momento, mas decidiu aceitar que era melhor assim.

    Ambos passaram o dia conversando sobre esse tempo e se arrumando para que pudessem retornar até Rachel, mas então Kirina segurou a mão de Valos e começou a puxá-lo até o horizonte onde o sol estava se pondo.

    - Vamos Valos, pelos velhos tempos vamos dar boa noite ao sol!

    E os dois fizeram isto, embora fosse mais bonito aos olhos de quem observasse na época de que eram crianças, mas ambos estavam contentes enquanto repetiam esta cena. Até que Valos se espantou um pouco e um segundo depois disto Kirina tropeçou, mas Valos amparou sua queda segurando-a, como que prevendo que isto ocorreria. Bem longe dos dois a Madre observava o sol abençoando-os com o final da luz do dia, Kirina estava em silencio e Valos ainda segurando-a para que a acolita não caisse.

    - Kirina, com você eu quero dar bom dia a lua tambem - Dizia Valos enquanto mantinha segura Kirina e seu espanto foi imediato depois do comentário

    - Mas Valos, como dar bom dia para a lua que só vem de noite? - perguntou Kirina sem sequer medir estas palavras, envolta pelo momento.

    - Eu não sei, você vem comigo tentar esta noite? - O olhar de Valos capturou o de Kirina naquela pergunta, a resposta já era clara, foi dada pelo início daquela corrida em direção ao sol e pelo abraço dos dois. Ambos sabiam disto e Kirina cedeu.

    - Sim - Disse Kirina sem notar e Valos a libertou daquele abraço

    - Vou esperar voce de noite bem ali - disse Valos apontando sutilmente para um conjunto de pedras

    - Mas Valos, as pessoas ja vão ter partido, como iremos achá-las depois?

    - Não vão estar muito longe, poderemos alcançá-los - Mentiu Valos e Kirina, acreditando, se despediu dele, abraçando-o e correndo para preparar-se para a lua.
    avatar
    Justiça
    Beholder
    Beholder

    Mensagens : 15
    Reputação : 0
    Data de inscrição : 29/02/2012

    Re: Relatos - O caso ocultado em Arunafeltz

    Mensagem  Justiça em Dom Mar 04, 2012 9:40 am

    -Senhor...acorde senhor...

    Uma voz delicada, uma luz filtrada por um vitral, o cheiro de um perfume feminino e a silhueta de uma dama muito jovial aparentando seus 13 ou 12 anos, foi com estas informações que Justiça era acordado e percebia ter caído no sono enquanto lia o arquivo que lhe fora entregue. Normalmente um homem comum ficaria com o corpo completamente dolorido por dormir com sua armadura, mas Justiça estava habituado a ter de fazer isto, ele sentia sim as dores, só que em menor proporção, ele podia se levantar após uma noite assim e se habituar em alguns minutos e era exatamente o que ele estava fazendo enquanto identificava a silhueta como sendo uma acólita de cabelos rosas curtos e pele branca.

    -Perdão - Dizia o Paladino enquanto deixava escapar um longo bocejo - Perdão donzela... a senhorita pode me indicar um local calmo para leitura?

    -Claro - respondia a mesma voz delicada e intimidada pela armadura completa de Justiça. Embora fosse preparado para a guerra santa, Justiça possuía uma feição limpa, sem cicatrizes e, muito provável, a menina ficara intimidada pela beleza que isto proporcionava ao Paladino.

    -O senhor é filho de Maltos? - O coração de Justiça gelou por alguns instantes, ele se virou para o olhar da menina, notando um certo medo quando seus olhares se encontraram. Ela era jovem demais para conhecer seu pai, alguem teria contado a ela sobre isto? - o senhor é muito parecido com o seu pai...digo - a menina abaixou a cabeça antes de continuar - foi o que me disseram.

    -Qual o seu nome, jovem donzela? Não são muitos que podem reconhecer meu grau de parentesco com ele.

    A menina ficou olhando para a face do Paladino em silêncio, sem responder a pergunta, o olhar dela demonstrava espanto, Justiça estava sonolento e não percebeu que o espanto estava presente nela desde o momento em que foi acordado, talvez até antes. Finalmente ela se pronunciou.

    -Astra, meu nome é...Astra - Justiça notou que as pernas dela tremiam e ela parecia estar prendendo um certo choro, repentinamente as lágrimas se revelaram e ela começou a limpar sua face. O Paladino não entendeu esse tipo de reação, mas sentiu um imenso desconforto e puxou um lenço, oferecendo-a.

    -Chore, não retenha suas lágrimas, qualquer que seja o motivo a hora de chorar é agora- era um conselho oposto ao que normalmente é dado em ocasiões como esta, mas Justiça bem sabia "não é justo prender emoções para não chorar, pensamentos mal resolvidos se transformam em lágrimas na sua ânsia de serem expostos ao mundo, por isso é normal chorar". O Paladino esperou que ela chorasse até o final, não sentiu-se confortavel para aproximar-se dela, muito menos abraçá-la, apenas aguardou que ela desabafasse.

    O dia já começava em Prontera, a comoção imensa da cidade tomava conta de forma costumeira e um dos mercadores, um vendedor de sorvetes, acabara de vender dois dos seus mais caros.

    -Tome - Dizia Justiça, oferecendo um dos sorvetes para Astra. Ambos caminharam até um local mais calmo em Prontera, pouco a pouco ambos começavam a conversar. Justiça contou que já sabia que suas feições lembravam as do seu pai quando mais novo, mas que eram poucos os homens que conheciam Maltos atualmente.

    -Uma longa história, mas no momento preciso ler uma outra - Dizia o Paladino enquanto dava dois leves tapas em sua bolsa contendo os arquivos - E quanto a jovem donzela, Arthas correto?

    -Astr... - As lágrimas começavam a descer da face da menina novamente e Justiça sentiu como se tivesse dito algo extremamente rude para fazê-la chorar - Astra...

    -Perdão...olhe...err...não tive intenções de...

    -Está tudo bem...- Respondeu a pequena acólita, cortando Justiça-...eu não sei explicar, mas por algum motivo quando digo meu nome eu... eu começo a chorar... não sei o porque. Os sacerdotes nunca souberam meu nome na igreja... eu chorava demais quando tentava dizer algo... o senhor é o primeiro que consigo ao menos dizer quem sou.

    -E seus pais? - perguntou Justiça

    -Meu pai faleceu me defendendo, minha mãe vive dentro do meu coração. - Dizia Astra enquanto limpava suas lágrimas, borrando sua face com o sorvete que ainda não havia terminado. Justiça percebeu que esta criança, aparentando nem ter seus 13 anos, era orfã, talvez seus pais fossem conhecidos de Maltos, mas ele não queria perguntar nada a respeito disto no momento, ela chorava por dizer o nome, se falasse do passado poderia ser pior.

    Após um tempo eles encontraram um lugar calmo em Prontera e Justiça começou a folhear o arquivo, com suas mãos limpas, Astra observava curiosa para os arquivos enquanto ele buscava reencontrar o ponto em que parou sua leitura.

    -Senhor Justiça, este arquivo fala sobre o que?

    -Nada demais aparentemente, é um conto de um casal que se ama, não tem nada de... - nisto os olhos de Justiça se arregalaram ao notar a continuação de onde parou, o mesmo nome outra vez o fez gelar - ...mais.


    avatar
    Justiça
    Beholder
    Beholder

    Mensagens : 15
    Reputação : 0
    Data de inscrição : 29/02/2012

    Re: Relatos - O caso ocultado em Arunafeltz

    Mensagem  Justiça em Dom Mar 04, 2012 9:52 am

    Ato 2 : O Fruto da Violência


    - Maltos! Seu filho de uma ramera!!

    Um homem, de cabelos longos negros e pele clara, estava envolto em uma aura dourada enquanto desferia vários golpes de sua espada em direção a um outro cavaleiro, que ele chamava de Maltos. Ambos são cavaleiros, generais da guarda e Maltos se preocupava em defender os ataques de seu aliado, Helos.

    - Helos, acalme-se !! Mantenha sua descrição na cidade, somos pessoas de patente!! - Dizia o homem que começava a trincar os dentes defendendo-se de uma espada que fazia um som infernal a cada ataque.

    - Patente?! Você pensa só nisso seu verme?! Um dos nossos foi morto por um deles e você só quer colecionar medalhas!! Você botou idéias na cabeça do rei para que ele mandasse minha tropa voltar! Minha tropa, meu exercito, MEU EXERCITO OUVIU BEM MALTOS?!

    Numa velocidade insana, efeito da aura dourada que o envolvia, Helos desferiu vários ataques e Maltos teve de jogar-se ao chão para o lado, fazendo uma arvore próxima da cavalaria ser destruida.

    Curiosos começavam a se juntar, alguns membros do exercito de Maltos e de Helos estavam por lá e, dentre eles um sacerdote observava a cena com um sorriso.

    - O que encontramos Helos... - Dizia Maltos enquanto apontava sua lança para seu adversário, fazendo-o ponderar alguns segundos sobre o que fazer, claro que Helos não demonstrava dúvida e sim um sorriso que menosprezava a arma do general rival - ....encontramos um mensageiro nosso morto, com marcas de um animal em seu corpo. Isto não diz nada !! Voce, por ser o mais novo tem de se acalmar e ouvir a voz da razão, não vamos retaliar ninguem Helos!!

    - Vou matar voce e sua mulher, general !! Ela vai se divertir comigo aos berros !! - Dizia Helos enquanto avançava como um louco, dando golpes de espada enquanto avançava, evitando que a lança de Maltos encontrasse brecha com esta constante mudança de posturas e golpes executados. No final a espada se chocou com um elmo e o som foi semelhante a de uma pedra se rompendo por um martelo.

    O Sangue jorrou e Maltos fraquejou sua postura, deixando sua lança apontada para o chão, mas seu olhar agora estava feroz e Helos não notava esta mudança.

    Um movimento imperceptível de pulso e a lança de Maltos começou a girar de forma que suas mãos deveriam perder a pele e a carne por estar segurando-a. Maltos levantou-se e sua lança partiu para o estomago de Helos, que com golpes de espada tentava retirar a lança de seu curso, mas era como pedras sendo lançadas num tufão. O golpe de Maltos chegou ao seu destino e Helos perdeu o folego com o impacto.

    Os homens de Helos deram um passo na direção de Maltos, mas eles pararam quando observaram seu olhar e sua lança, apontadas para Helos. Um dos soldados notou que a lança estava com a ponta virada para o lado contrário e aliviou-se por Helos não ter sido perfurado.

    - Helos...

    Maltos se aproximava de Helos que tentou erguer sua espada contra ele, estava com o corpo paralisado e Maltos o desarmou com facilidade.

    - Voce não passa de um homem violento e impulsivo, um fruto podre na árvore dos cavaleiros que ameaça matar mulheres por um desejo de vingança... - "fique longe de minha mulher seu animal!" diziam os olhos de Maltos com um ódio profundo, que ele tentava extenuar gradativamente com palavras polidas de cavaleiro - ...se estivesse ao meu alcance retiraria voce de todo histórico dos cavaleiros, mas cabe ao rei...

    - Ha ha ha.... então é....verdade.....voc...cof cof...se irrita quando falam....de sua mulher. Seu lixo.

    Maltos ficou em silencio por alguns instantes, como que ponderando no que fazer e então um sacerdote surgiu tentando impedir o pior.

    - Irmãos, chega desta insensatez. Homens tão valorosos envolto pelas graças de Odin devem realmente testar suas forças, mas agora o combate acabou, não cometam atos de covardia, não sigam o caminho do covarde para o Nifheim.

    Então Maltos, com mais paciencia e razão, começava a retirar-se do lugar acompanhado de seu exercito. Os homens de Helos certificaram-se de que eles estavam longe o suficiente para não ouvir seus xingamentos começarem. Ao final um dos homens tentou amparar seu general e levou um soco como resposta e o sacerdote escondeu uma vontade de rir.

    - Helos, eu compreendo sua dor meu bom homem.

    - Não me importa suas palavras padre, pouco me importa os deuses, o que eu quero é a batalha e nada mais.

    O sacerdote gargalhou e proferiu preces para amenizar a dor de Helos.

    - Odin falou comigo esta noite... - dizia isto enquanto Helos estava retirando-se do local, o padre o acompanhava com insistencia - ...ele me impôs uma tarefa sagrada, você não está curioso para saber que tarefa seria?

    - Não tanto quanto em saber como costurar sua boca padre. - Dizia Helos enquanto procurava um lugar onde pudesse despistar o padre, algum lugar vazio, até mesmo um local onde pudesse agredir o homem santo sem que ninguem o olhasse feio.

    - Ele mandou-me guiá-lo para um ataque até Arunafeltz... engraçado, o que seria este lugar? Eu não sei, mas foi uma ordem dada pelo deus dos deuses, e eu hei de ajudá-lo nisto....general Helos.

    Helos deteve seus passos. Em momento algum ele foi um homem santo, ele mesmo nunca entendeu os motivos do rei, em colocá-lo como general. Alguns diziam que era absurdo isto ter acontecido uma semana depois dele ter derrubado mortalmente seu superior no campo de guerra, a empolgação do combate sempre deixava Helos um pouco cego e os homens de seu exercito costumavam lutar longe dele, temendo serem vitimados por sua espada insana. Mas então Helos compreendeu que talvez, talvez os deuses sorriam para ele afinal, por isto ele era um general, por isto ele poderia se vingar de Arunafeltz e por isto... ele poderia utilizar essa situação para si mesmo, para a guerra que tanto queria.

    - Padre...este seu deus disse quando vamos partir?

    - Ele não costuma falar sobre o tempo exato meu general, mas ele me informou que deverei segui-lo.

    Helos gargalhou com vontade então

    - Então partiremos hoje mesmo. Você, seu verme escondido! - Dizia Helos para o soldado que o acompanhava em silencio, o mesmo que ele socou - avise aos meus homens que iremos partir para a guerra... e só vamos voltar quando eu terminar de me satisfazer com as...belezas da deusa Freya.

    E conforme o general Hellos sorria e deixava um riso debochado escapar, o padre se encheu de um prazer perverso ao ouvir as palavras de Helos. Seus olhos, agora em direção a face do general, começaram a exprimir esta paixão por um massacre e se vislumbrava com o futuro que julgava tão promissor.
    avatar
    Kyon
    Gremlin
    Gremlin

    Mensagens : 77
    Reputação : 4
    Data de inscrição : 17/01/2011
    Idade : 24
    Localização : \ö/

    Re: Relatos - O caso ocultado em Arunafeltz

    Mensagem  Kyon em Seg Mar 26, 2012 3:12 pm

    Sua Fanfic está tendo um belo desenrolar. =D

    Está interessante e envolvente, parece deixar certa curiosidade tanto sobre o fim da história a qual Justiça, seu personagem, está lendo quando sobre o que ele fará (ou terá que fazer) quando terminar de ler. Fora a garota que chora quando ouve ou pronuncia seu nome.

    Continue postanto e, se puder, melhore a formatação da fic. Está muito "sem graça" e quando alguém abre o tópico e vê tudo igual... bem, isso desanima. xP

    É isso. Aguardo ansiosamente o próximo post. \ö/
    avatar
    -Rockstar-
    Administrador
    Administrador

    Mensagens : 933
    Reputação : 23
    Data de inscrição : 01/07/2010
    Idade : 24
    Localização : Sacro-Império de Arunafeltz.

    Re: Relatos - O caso ocultado em Arunafeltz

    Mensagem  -Rockstar- em Qua Mar 28, 2012 1:10 pm

    Estou no primeiro capítulo, e estou gostando muito do enredo, envolvente e lembra até mesmo um anime de romance rsrsrs, ainda ta difícil de visualizar a história como um todo mas estou vendo que vai ter um bom desenrolar. Quanto a alguma crítica, acho que vou me privar a dizer que tem alguns erros de pontuação e períodos que foi o que mais me chamou a atenção. Para conserta-los fica a dica de jogar no Word antes de postar e deixar automático ^^'

    Outra coisa, coloca uns "coloridos" nos títulos e subtítulos, aliás coloque um titulo centralizado no inicio da fanfic mesmo que seja o nome do tópico, mas claro isso é só frescura para deixar mais atraente de ler mas sempre fica melhor pois demostra capricho.

    À noite lerei o II e reedito aqui, no mais, até logo!

    Abraços, Rockstar.


    _________________

    Servidor Thor. Role-playing game. Click na assinatura. Obrigado Eddie.
    Fanfics:

    A História de Rockstar A história de um espadachim sedento por vingança Aventura (completa)
    Clérigo Um universo onde o bem e o mal é tênue Suspense (em progresso)

    Conteúdo patrocinado

    Re: Relatos - O caso ocultado em Arunafeltz

    Mensagem  Conteúdo patrocinado


      Data/hora atual: Sex Fev 23, 2018 7:15 pm